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22 julho 2011

Refletindo sobre Ortografia

Primeiramente, gostaria de dizer que gostei muito da leitura do artigo "É Hora de Escrever Certo", pois me esclareceu algumas dúvidas que tinha na área ortográfica. Outro dia, pedi que uma turma de alunos com problemas de indisciplina escrevesse uma redação com o título: "Como melhorar meu comportamento em sala de aula". Ao ler os textos escritos por eles, percebi uma série de erros ortográficos. A leitura deste artigo permitiu entender como trabalhar esses problemas e orientar os professores de Língua Portuguesa a ajudar os alunos a superarem suas dificuldades.

Para a resolução desta atividade, escolhi a seguinte citação: "Assim como não se espera que um indivíduo descubra sozinho as leis de trânsito - outro tipo de convenção social -, não há por que esperar que os alunos descubram sozinhos a forma correta de grafar as palavras", de Artur Gomes de Morais, professor de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco e autor de livros didáticos

As dificuldades ortográficas acompanham o aluno por todo o período escolar e pelo resto de sua vida. É importante que os professores, desde o início da alfabetização, levem os alunos a refletirem sobre a forma correta de escrita, elaborando situações de aprendizagem onde o aluno possa "compreender as conexões entre a língua e a ortografia". Quando o aluno reflete sobre a forma ortográfica correta das palavras no momento em que ele está escrevendo, terá mais chances de ter sucesso em sua vida escritora. Desta forma, irão se sentir mais seguros no momento em que escrevem e perderão o medo de se expressar por escrito, voltando, assim toda sua atenção para a história que estão narrando e não para ficar verificando a ortografia. Assim como as leis de trânsito, os alunos não descobrem sozinhos a forma correta de grafar as palavras. Faz-se necessário que, literalmente, o professor ensine.

É preciso que o professor tenha uma base sólida a respeito das convenções ortográficas e escrita das palavras que estão divididas, segundo o texto, em: Regulares e Irregulares, sendo que as regulares são divididas em Diretas, Contextuais e Morfológico-Gramaticais. Para cada grupo ou subgrupo de palavras e normas gramaticais, o professor deverá escolher a melhor estratégia para ajudar os alunos a superarem suas dificuldades, reiterando que isto deve ser feito através de situações didáticas que levem o aluno a refletir sobre a ortografia e a escrita.

Voltando ao caso das redações de, percebi que naquela turma de 7º ano, muitos alunos possuem dificuldades com palavras Regulares do tipo Diretas. Através da leitura de algumas redações, ficou nítido que muitos alunos trocam a letra "p" pela letra "b", o "t" pelo "d" e o "f" pelo "v". Portanto pretendo sugerir que a professora de Língua Portuguesa trabalhe frases com palavras incompletas e peça que os alunos completem com essas letras que possuem dificuldade, fazendo tudo isto junto com o aluno e dando ênfase à pronuncia correta.

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Opinando 1

Realmente é muito importante a existência das regras ortográficas. As pessoas não podem sair por aí escrevendo da forma que bem entendem. As regras ortográficas criam uma padronização que é entendida em qualquer lugar onde se fala e escreve determinada língua, daí a "criação" da padronização da Língua Portuguesa no mundo.

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Opinando 2


Achei muito valiosa as idéias de situações de aprendizagem que o texto nos fornece. Servem não somente para os professores de Língua Portuguesa ou alfabetizadores, mas para todas as disciplinas que devem contribuir para a aprendizagem dos alunos.

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Opinando 3


O texto nos mostrou que quando se trata das palavras irregulares, somente um bom dicionário poderá esclarecer a dúvida sobre a forma correta de escrevê-las. Ou, então, é claro, devem-se memorizar as palavras e, para isto, é preciso que o aluno leia muito, sejam livros ou revistas.

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Opinando 4


Como o próprio texto diz, é preciso que o professor conheça as normas ortográficas e saiba aplicá-las com os alunos. Perceba as dificuldades e crie situações de aprendizagem que levem o aluno a refletir sobre a escrita das palavras.

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Opinando 5


Alunos chegam ao sexto ano do Ensino Fundamental cometendo erros que deveriam ter sido sanados no Ciclo I. A maior dificuldade é que muitos dos professores do Ciclo II não são alfabetizadores e, portanto, não conseguem ou tem dificuldade de solucionar o problema.

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Opinando 6


Realmente, quando a criança é estimulada desde bebê a escutar a pronuncia correta das palavras, ela terá maior facilidade quando atingir o estágio da escrita.

Gostei da idéia da psicogênese da ortografia nas crianças criada por Slomp, mas achei que no texto foi abordada de forma muito superficial.


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Opinando 7



É isso aí M. A.!

O conhecimento das regras gramaticais ajuda a criança a tirar algumas dúvidas. Daí a necessidade de um bom professor alfabetizador ou de Língua Portuguesa que saiba criar situações didáticas onde o aluno reflita sobre o processo da escrita no momento em que estiver escrevendo.

Como você disse na aula presencial, um bom professor "mata um leão por dia", literalmente. Pois, o trabalho é árduo e cansativo, mas quando os resultados aparecem, é só alegria!

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Opinando 8


Ola O. e E.!

Muito legal as idéias que vocês estão trocando.

Acrescento dizendo que em casa, os pais podem ler em voz alta um texto de historinha infantil com a finalidade de ajudar seu filho a diferenciar a pronuncia das palavras. Conhecendo a pronuncia correta das palavras, a criança terá maior facilidade na hora da escrita, sobretudo com as palavras do tipo regulares diretas.




07 dezembro 2010

LDB E EDUCAÇÃO INFANTIL

1.    Quais os níveis escolares que compõem a educação básica no Brasil?
 
A educação básica no Brasil é composta por três níveis: Educação Infantil, Ensino Fundamental (Ciclo I e Ciclo II) e Ensino Médio.

2.    Expliquem, com suas próprias palavras, a finalidade da educação infantil conforme define a LDB.
 
Segundo a LDB, é nos primeiros anos de vida que a criança começa a ser educada e, portanto, há o reconhecimento da necessidade de sua educação visando seu desenvolvimento integral, tanto nos aspectos físicos quanto intelectual e social. A função do profissional da educação infantil é educar, cuidar e brincar.
A Educação Infantil é o começo da relação aluno/escola, devendo-se respeitar o lado lúdico dessa interação. É também, o inicio do processo de sociabilização da criança e deve-se sempre preservar o brincar. A formação da criança visa sempre contribuir para sua autonomia e identidade.
 
3.    A educação infantil é oferecida em duas modalidades. Quais são elas e a que idades se destinam?
 
A Educação Infantil é separada em duas modalidades: creches com crianças de 0 a 3 anos e pré escola com crianças de 4 a 5 anos e onzes meses de idade.

4.    Por que atualmente falamos na educação infantil voltada para as crianças de 0 a 5 anos e 11 meses?
 
A partir da Lei 11.274/2006, que alterou a LDB (Lei 9394/96), a duração do ensino fundamental passa de oito para nove anos, transformando o último ano da educação infantil em primeiro ano do ensino fundamental. Na prática, o que ocorreu foi que o chamado “Pré” da Educação Infantil passou a fazer parte do Ensino Fundamental, sendo agora o 1º ano deste ciclo.
O desenvolvimento da criança constituiu-se num excepcional processo de assimilação do que “vê, ouve e vive”, mas é necessário que ela esteja madura para iniciar seu processo de aprendizagem escolar.

5.    Expliquem com suas palavras: “Na educação infantil a avaliação far-se-á [...] sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental”.
 
Na Educação Infantil a avaliação deverá ser feita através da observação e compreensão do dinamismo presente no desenvolvimento infantil. Essa compreensão influenciará diretamente na qualidade da interação dos professores com a infância. O conhecimento de uma criança é construído em movimento de idas e vindas, portanto, é fundamental que os professores assumam seu papel de mediadores na ação educativa; mediadores que realizam intervenções pedagógicas no acompanhamento da ação e do pensamento individualizado infantil.

28 novembro 2010

QUAL A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL?

Podemos afirmar que a literatura infantil ajuda a criança a entender melhor seus próprios sentimentos e sua relação com o mundo, pois trabalha questões próprias da infância como sentimentos de inveja e carinho, medos, dores e perdas. Além de trabalhar com o desenvolvimento emocional da criança, a leitura melhora a capacidade de expressar melhor suas idéias.

Devido aos exemplos citado acima, a Literatura Infantil deve ou deveria ser mais difundida e estimulada tanto nas escolas quanto em casa. Mas o que se percebe é que as crianças costumem ler muito mais por obrigação do que por interesse próprio. As causas para isto se devem tanto pela falta de exemplo em casa quanto pela falta de preparo de muitos professores.

A literatura infantil é importante também porque a criança passa a interagir com as histórias. Ao realizar a leitura com seu filho, muitas coisas que passam despercebidas pelo leitor, fixam-se na memória de quem escuta, como detalhes de personagens e passagens das narrativas permitindo um diálogo e questionamentos, melhorando, inclusive, as relações familiares. Ouvir histórias aperfeiçoa a capacidade imaginativa das crianças, pois estimula ações como pensar, desenhar, inventar e reinventar.

Portanto, podemos concluir que a literatura infantil é primordial para o desenvolvimento das crianças, tanto cognitivo quanto emocional, estimula a imaginação, a criatividade e a interação com as pessoas. Deveria, portanto, ser cada vez mais estimulada tanto em casa quanto nas escolas.

22 setembro 2010

A CONCEPÇÃO ATUAL DO PROFISSIONAL PARA ATUAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O profissional que lida com a Educação Infantil vem enfrentando várias mudanças no processo de como educar os alunos. Se na Idade Média, a criança era vista como um adulto em miniatura e logo que possível passava a fazer parte do mundo do trabalho, hoje as coisas não são mais assim. Atualmente a criança é muito valorizada na nossa sociedade e existem políticas e práticas pedagógicas voltadas para o seu pleno desenvolvimento. Em outras palavras, a criança ocupa um lugar importante em nossa sociedade, levando em consideração suas características e fases de desenvolvimento.

Dessa forma, a formação inicial do profissional que vai atuar na Educação Infantil é muito importante. É necessário que ele conheça e aprenda sobre as fases de desenvolvimento da criança, buscando entender as características psicológicas, motoras e cognitivas delas. Deve Saber quais os tipos de atividades devem ser aplicadas em cada faixa etária, buscando um desenvolvimento pleno e sadio de cada criança.

As sociedades estão em constante evolução. Aspectos que eram importantes para as sociedades antigas, hoje podem ser considerados irrelevantes. As sociedades mudam e com isso existe a necessidade de que o profissional da Educação Infantil esteja em constante aperfeiçoamento e atualização para melhor responder às expectativas da sociedade moderna. A sociedade atual é diferente da sociedade de 50 anos atrás. Hoje o consumismo e a mídia estão ao alcance da maioria da população, as crianças tem a influência da televisão desde muito pequenas e chegam às escolas com uma bagagem enorme de conhecimentos. Tudo isto deve ser levado em consideração no momento que o professor aplica suas situações de aprendizagens, visando resultados mais positivos.

Para atuar na Educação Infantil não basta o profissional gostar de crianças. É necessário que ele conheça a fundo os estágios de desenvolvimento das mesmas e, sobretudo, conheça as diversas atividades, brincadeiras, jogos que podem ser aplicadas em cada momento da vida de uma criança. É necessário que o profissional tenha a sensibilidade de entender que as crianças mesmo estando na mesma faixa etária podem ter desenvolvimento desigual e, portanto, podem precisar de um trabalho diferenciado. É necessário que o futuro profissional entenda que as crianças desenvolvem tanto os aspectos cognitivos e motores quanto os aspectos sociais, emocionais e psicológicos, necessitando também de uma ação conjunto entre familiares, gestores e educadores.

O comprometimento profissional se faz muito importante neste período tão importante da vida de uma pessoa. Desde a creche até as escolas de educação infantil é necessário ter profissionais dedicados e comprometidos para que a crianças cresça e se desenvolva de maneira equilibrada e feliz, alcançando todas as suas potencialidades de forma plena para que se tornem adultos produtivos e ajustados socialmente.

08 setembro 2010

Um encontro com a nossa Infância para entendermos o “Ser Criança”

1-Do que você gostava de brincar quando era criança?

Eu gostava de brincar de tanta coisa: queimada, vendia de doces, passeio ao Simba Safari, médico, carrinhos, bicicleta, trenzinho, zoológico. Porém, uma das coisas que eu mais gostava de brincar era com os carrinhos na areia que eram transportados por balsa.

2- Como era realizada essa brincadeira?

Como meu pai estava construíndo nossa casa, sempre tinha um canteiro de areia. Eu adorava construir caminhos e estradas pela areia por onde os carros passavam, até que chegavam a um rio, onde eu mesmo colocava água (imitando). Meu pai era dono de um mercado de bairro, então eu pegava uma caixa de refrigerante feita de madeira e virava de cabeça para baixo, transformando-a em uma balsa. Fazia uma fila imensa de carrinhos para entrar na balsa. Colocava um a um bem alinhados e enfileirados e assim a balsa os levava até a outra margem, onde eram descarregados.

3- Com que brinquedos você brincava?

Muitos carrinhos e caminhões cegonhas. Eram carrinhos pequenos, de plástico, bem simples, o mais importante era a quantidade tinha que ser grande senão não tinha graça. O canteiro de areia não deixava de ser outro brinquedo, assim como as caixas de refrigerante feitas de madeira, a imaginação e a muitas coisas e objetos se transformem em brinquedos.

4-Com quem você brincava?

Geralmente brincava com meu irmão e quando meus primos vinham em casa, brincava com eles também. A gente trocava informações, com um primo mais velho aprendi a colocar água, construir morros e usar galhos e gravetos como pequenas árvores. Às vezes, meus primos ou meu irmão enjoavam e, como eu adorava, brincava sozinho também.

5- Por que gostava “daquela” brincadeira?

Porque eu imaginava as viagens que fazia com minha família. Íamos muito para Bertioga e sempre atravessávamos a balsa que sai do Guarujá. Naquela época, 30 anos atrás, havia sempre muita fila, pois era o único caminho para chegar até lá. A fila contornava morros e florestas, mas o que me encantava mesmo era a organização dos carros na balsa, sempre enfileirados e organizados. Aquele monte de carro em cima de uma balsa atravessando um rio, sem nunca ter acontecido um acidente, era reconstruído nas minhas brincadeiras, sentia quase que a mesma sensação de medo que algo de errado viesse a acontecer. Nas minhas brincadeiras, algumas pequenas tragédias sempre ocorriam (risos).

6- Em sua opinião, qual a importância da brincadeira nos espaços das escolas de Educação Infantil?

Através das brincadeiras, as crianças liberam a imaginação. Podem criar situações novas, diferentes ou muito próximas da realidade que vive, portanto desenvolve o raciocínio lógico. Inventam estórias e participam ativamente delas. Vivenciam situações imaginárias como se fossem verdadeiras, com a vantagem de estarem sob controle. Além disso, permite que a criança interaja com outras crianças, trocando informações, aprendendo e ensinando coisas novas, trabalhando a interação e a afetividade. Nas brincadeiras, coisas e objetos podem se transformar em alegorias, basta usar a criatividade. O uso do corpo trabalha a coordenação motora e a rapidez de reações. Em outras palavras, a brincadeira é muito importante nos espaços da Escola Infantil porque desenvolve a criança como um todo, tanto nos aspectos cognitivos, quanto motoras e emocionais.

29 agosto 2010

O poder da mídia na infância de hoje

Para a realização desta pesquisa/atividade, estarei me baseando no artigo “Descortinando o conceito de infância na História: do passado a contemporaneidade” escrito por Sandro da Silva Cordeiro e Maria das Graças Pinto Coelho, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Particularmente, escolhi este artigo por dois motivos básicos. O primeiro, devido a sua forma direta e didática em abordar o assunto dividindo em dois momentos principais “Falando sobre a Infância de ontem...” e “A infância de hoje: espaço de inúmeras acepções”. O segundo motivo deve-se à sua visão bem atual da infância ligada à mídia e ao mundo do consumo, que acaba esclarecendo muitas questões que já foram desenvolvidas ao longo do fórum pelos meus colegas de curso.

Procurei selecionar apenas os itens mais importantes e mesmo assim acabou ficando um pouco longo, visto que o próprio artigo chegava a quase dez páginas.


A Infância de Ontem

“É bem verdade que a infância sempre existiu desde os primórdios da humanidade, mas a sua percepção enquanto construção e categoria social, dotada de uma representação é sentida a partir dos séculos XVII e XVIII (...).

Recorrendo-se a definição da palavra infância, oriunda do latim infantia, significa “incapacidade de falar”. Considerava-se que a criança, antes dos 7 anos de idade, não teria condições de falar, de expressar seus pensamentos, seus sentimentos. Desde a sua gênese, a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade, da incompletude perante os mais experientes, relegando-lhes uma condição
subalterna diante dos membros adultos. Era um ser anônimo, sem um espaço determinado socialmente (...).

Ao serem representadas, principalmente através de pinturas, geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto (...). Até este período, seguindo uma forma de organização social da família tradicional, a fase da “infância” tinha uma curta duração, restringindo-se apenas a sua etapa de fragilidade física. Ao adquirir uma certa independência, era imediatamente conduzida ao convívio adulto, compartilhando de seus trabalhos e jogos, sem estar plenamente preparada física e psicologicamente para tanto (...).

Com o estabelecimento de uma nova ordem social, em fins do século XVII, são notadas algumas mudanças consideráveis alterando a estrutura até então em vigência. Com isso, sentiu-se a necessidade da criação de escolas, (...), a fim de
dominarem a leitura, a escrita e a aritmética, como mais um dos artifícios de preparação para a vida adulta. A escola passou a substituir a aprendizagem obtida empiricamente pela observação dos mais experientes, deixando de aprender a vida diretamente. O advento da escola moderna está atrelado ao surgimento de um
novo sentimento do adulto para com as crianças, implicando em cuidados especiais (...).

Com o apogeu da Revolução Industrial, ocorrido entre os séculos XVIII e XIX, foi direcionado um novo olhar sobre a infância. Estas passaram a ser vista como tendo um valor econômico a ser explorado. A urgência por mão-de-obra provoca o não cumprimento dos direitos infantis de acesso à escola, levando as crianças novamente ao mercado de trabalho, submetidas às explorações em nome dos ditames econômicos (...).

Delimitamos entre os anos de 1850 a 1950 como o momento do ápice da infância tradicional. Com o desenvolvimento das ciências humanas (...), as crianças passaram a ser retiradas das fábricas e novamente inseridas em contextos promotores
de aprendizagens sistematizadas (...). Com a consolidação do protótipo de família em fins do século XIX, a responsabilidade dos genitores passou a assegurar mais responsabilidades com o bem-estar das crianças, garantindo os direitos
que lhes assistem e maiores cuidados físicos. A noção de infância, agora, passa pelo crivo dos conceitos técnicos e científicos (...).


A infância de hoje

Segundo estudos realizados por Pfromm Netto, as crianças têm interesse pela televisão a partir dos seis meses de vida, passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos dois ou três anos de idade (...). Quando uma criança inicia o seu processo formativo na escola, leva consigo uma bagagem de conhecimentos inestimável, adquirida através das várias horas passadas em frente ao televisor (...). A escola, muitas vezes, despreza esses conhecimentos prévios, trabalhando com informações totalmente descontextualizadas dessa realidade. Isso provoca um distanciamento entre as práticas educativas e as vivências infantis concentrando, em parte, a aversão dos alunos à escola (...).

Além disso, convém ressaltar um outro agravante, uma característica tipicamente desenvolvida pela sociedade contemporânea: a individualização dos sujeitos. Aprisionados pelas suas rotinas profissionais, os pais acabam enclausurando as crianças em casa, de modo a permanecerem sozinhas. A televisão, estruturada com seus poderosos apelos comerciais, acabam invadindo a vida das crianças e se
agregando na própria constituição, ditando valores, regras, modismos, formas de encarar e atuar no mundo. Todo esse movimento é desenrolado e incorporado, sem a devida filtragem, pois as crianças não dispõem do contato com pessoas mais experientes (...).

Nesta perspectiva, (...) a infância deixa de ser uma fase natural da vida humana sendo, agora, um artefato construído, autorizado e ditado pela mídia. Esta, por sua vez, recria esta imagem da criança livre, protegida, feliz, deturpando e camuflando a verdadeira face da realidade. O que temos, na verdade, não passa de um simulacro da infância (...).

A criança contemporânea amadurece precocemente, dada as estimulações ofertadas no meio circundante. De notável inteligência e criatividade, precisam ser ouvidas e consideradas como parte integrante da sociedade. Mesmo tendo adquirido uma certa independência desde cedo, é inestimável o apoio, a proteção e o contato do adulto, auxiliando-a nas suas escolhas, na constituição dos princípios e valores baseados na justiça e na solidariedade, proporcionando a construção de um olhar crítico frente o
mundo que nos envolve (...).

Desse modo, cabe ao educador compreender a trajetória de desenvolvimento do conceito de infância e as suas atuais determinações em nossos dias, que encontra suas influências nos elementos da cultura e nos aportes midiáticos. Essa medida auxilia no oferecimento de uma educação imbuída de criticidade e capaz de trazer às crianças todas as oportunidades disponíveis para o seu crescimento, seja
físico, social e intelectual. Somente assim, estaremos preparando nossas crianças para viverem esses novos tempos que se anunciam, carregados de novas necessidades, novas aspirações, novos desejos e novos desafios (...)”.


Minha Opinião

Já foi muito bem debatida a questão da infância de ontem neste fórum. Os diversos textos pesquisados pelos meus colegas de curso revelam o que também encontrei no artigo que estudei. Antigamente a criança era vista como um adulto em miniatura e logo que possível era conduzida ao convívio adulto, inclusive no mundo do trabalho. Perdendo assim, a sua “real” infância.

Na pesquisa que realizei, os autores Cordeiro e Coelho estudaram a influencia da mídia e da sociedade de consumo na vida das crianças atualmente e descobriram que hoje a criança é produto da mídia. A falta de tempo dos pais para educar seus filhos, acabou criando crianças com valores, regras, modismos e formas de ver a vida ditadas pela televisão.

As crianças já chegam à escola com uma bagagem enorme de conhecimentos obtidos através da televisão. A escola não consegue competir com esta mídia e acaba se tornando desinteressante. As crianças chegam à escola como mini-consumidores.

É preciso rever conceitos, é preciso rever a forma com grande influencia da mídia que nossas crianças estão sendo criadas. É necessário desenvolver uma criança mais crítica que não aceite apenas a visão da televisão. Esse trabalho é muito difícil, pois nossos jovens não querem mais refletir e pensar. Eles querem as coisas já prontas, como se tudo viesse embalado para consumo e com um toque no botão liga/desliga as coisas passassem a funcionar.

Aprender requer concentração, (muito) tempo de estudo para leituras, discussões e realização de atividades e exercícios e isso não se faz apenas com o toque de um botão, nem se pode comprar num shopping ou supermercado. Muitas de nossas crianças só querem o que é dinâmico e de consumo rápido e nem tudo é assim. É preciso rever nossas formas de criá-los para que percebam que existe também um tempo mais lento, um tempo de reflexão, de dedicação aos estudos, o tempo para a aprendizagem nem sempre é dinâmico e exige paciência. Porém, o mundo moderno parece ter aversão à paciência, o que tem feito nossos jovens ficarem doentes quando buscam o refugio no mundo das drogas.

Professores e educadores sabem da existência e necessidade desse tempo mais lendo para a aprendizagem e reflexão e tentam colocá-lo em pratica nas salas de aula nas situações de aprendizagem. Porém, esta prática parece tão distante da realidade da criança de hoje e o conflito se torna inevitável, sobretudo, quando esta criança passa a ter voz ativa e poder de decidir diante de pais que não conseguem mais impor limites.

Este é certamente um dos grandes dilemas do mundo atual: como conciliar tempos tão dispares? Como conciliar o mundo tecnológico e dinâmico com o mundo da paciência e da concentração? Sabemos que a concepção de infância hoje é diferente da de antigamente, assim sendo, as crianças devem se adaptar à escola ou a escola que deve se adaptar á realidade de infância que temos hoje?


Fonte: http://www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/76SandroSilvaCordeiro_MariaPintoCoelho.pdf

06 junho 2009

A Criança não é um Adulto em Miniatura

De origem suíça, Jean Piaget estudou como ocorre o desenvolvimento cognitivo nas crianças. Através de observações e testes aplicados em escolas francesas, ele descobriu que as crianças possuem características próprias de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, não podendo ser consideradas como adultos em miniatura. As crianças possuem uma lógica própria de funcionamento mental.

Segundo Piaget, as crianças aprendem de forma ativa, interagindo com o meio, num processo cognitivo de assimilação e acomodação que resultam na equilibração de novos conhecimentos. Assim, Piaget dividiu em quatro as etapas de desenvolvimento cognitivo das crianças: Sensório-Motora (do nascimento aos dois anos de idade); Pré-Operatória (dos dois aos sete anos de idade); Operatório-Concreta (dos sete aos doze anos) e Operatório-Formal (após os doze anos de idade).

Particularmente na etapa pré-operatória é quando surge a linguagem oral e é também quando as crianças passam a usar símbolos, imagens ou palavras que representam coisas e pessoas que não estão presentes em dado momento. Algumas das principais características desta etapa são: O pensamento egocêntrico, onde tudo o que a criança pensa é a partir de seu ponto de vista; o animismo, onde a criança atribui consciência aos fenômenos da vida; o finalismo, onde ela acredita que tudo tem uma finalidade; o artificialismo, a criança acredita que todas as coisas são produtos da fabricação humana, incluindo montanhas e rios; e pensamento dependente da percepção imediata, não tendo noção de conservação, ao se mudar a aparência de determinada coisa, a criança acredita que mudou também a quantidade, a massa, o volume e o peso.

Segundo Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, a criança, na etapa pré-operatória, passa a poder agir por simulação. Na falta do objeto concreto, ela pode fazer representações do mesmo através de interações mediadas por “imagens, lembranças, imitações diferidas, jogos simbólicos, evocações verbais, desenhos, dramatizações” . Por outro lado, as representações realizadas pelas crianças são feitas de forma analógica e justapostas. A criança nessa etapa percebe tudo globalmente e tem dificuldades em fazer analogias sem que se façam análises bem detalhadas das coisas. Macedo explica que “um dos principais objetivos da educação pré-escolar (que engloba a faixa dos dois aos três anos) deveria ser o de ensinar a criança a observar os fatos cuidadosamente, em especial quando estes são contrários aos previstos por ela” . Ele também nos chama a atenção para a necessidade de realização de atividades em duplas e em grupo, sempre desenvolvendo as habilidades de comunicação, onde as crianças possam brincar entre si, falar, discutir, resolver problemas práticos. Segundo o professor da USP, “agora não basta mais à criança realizar as ações, é preciso que ela fale delas para outrem, que as reconstitua por via narrativa e que aprenda a descrevê-las em palavras, quadros, desenhos” .

Dessa forma, Lino de Macedo nos propõem uma série de atividades que podem ser realizadas com crianças na faixa dos dois aos três anos de idade, ou seja, que fazem parte da etapa denominada pré-operatória, segundo as idéias de Piaget. É sempre importante que os professores da pré-escola conheçam as características próprias dessa etapa do desenvolvimento cognitivo das crianças e, assim, possam realizar um trabalho com maior competência. Entender a lógica do funcionamento mental de cada etapa de desenvolvimento das crianças permite ao profissional da educação evitar possíveis erros e adequar suas ações para que o processo de ensino-aprendizagem se realize de forma mais eficaz.