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05 julho 2009

Realidade Social e Desenvolvimento Tecnológico

O filme Minority Report mostra as ações do Departamento de Pré-Crime, nos Estados Unidos, que em pleno ano de 2054 faz uso das tecnologias vigentes para impedir que assassinatos sejam cometidos. Os chamados pré-cogs antevêem um crime de forma mediúnica e, através das imagens formadas em seu cérebro, agentes da polícia identificam o local do crime, chegando a tempo de impedir que ele ocorra. Na dinâmica desse mundo futurista, as pessoas são reconhecidas através de scanneres oculares que cruzam informações até chegar à identidade de cada cidadão. O desenvolvimento tecnológico permite uma vida extremamente dinâmica, onde os deslocamentos são feitos de forma rápida e as propagadas interagem de forma pessoal com o seu alvo.

Na contra-mão desse mundo “perfeito”, existe toda uma máfia que busca burlar o sistema. Clínicas clandestinas fazem operações de mudanças de olhos para impedir que criminosos sejam identificados. Em locais periféricos, populações de baixa renda são quase que excluídos do sistema, porém, apesar de segregados pelo menor poder de consumo, estão menos sujeitos à vigilância constante.

Ao analisarmos a realidade mostrada no filme, não podemos deixar de fazer uma reflexão sobre a nossa própria realidade e, particularmente, como estudante de pedagogia é preciso associar desenvolvimento tecnológico, processo de ensino-aprendizagem e realidade social. Para atuar como cidadão em qualquer sociedade é necessário que as pessoas conheçam e façam uso das tecnologias vigentes. Portanto, como afirma Isabel Rodriguez, as teorias educacionais devem estar focadas na “construção de ambientes de ensino-aprendizado, apropriados aos tempos velozes e impermanentes”. É preciso formar cidadãos que saibam interagir com as tecnologias e sociedade de cada época. Nesta perspectiva, algumas questões podem ser levantadas nos dias de hoje: Como democratizar o conhecimento? Como levar a inclusão social/digital a todos? Como superar as desigualdades sociais?
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BIBLIOGRAFIA

- RODRIGUEZ, Isabel. Teorias: Aspectos Teóricos e Filosóficos. Postado em: http://www.abed.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=1por &infoid=1066&sid=69, acessado em 25/07/2006.

06 junho 2009

A Criança não é um Adulto em Miniatura

De origem suíça, Jean Piaget estudou como ocorre o desenvolvimento cognitivo nas crianças. Através de observações e testes aplicados em escolas francesas, ele descobriu que as crianças possuem características próprias de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, não podendo ser consideradas como adultos em miniatura. As crianças possuem uma lógica própria de funcionamento mental.

Segundo Piaget, as crianças aprendem de forma ativa, interagindo com o meio, num processo cognitivo de assimilação e acomodação que resultam na equilibração de novos conhecimentos. Assim, Piaget dividiu em quatro as etapas de desenvolvimento cognitivo das crianças: Sensório-Motora (do nascimento aos dois anos de idade); Pré-Operatória (dos dois aos sete anos de idade); Operatório-Concreta (dos sete aos doze anos) e Operatório-Formal (após os doze anos de idade).

Particularmente na etapa pré-operatória é quando surge a linguagem oral e é também quando as crianças passam a usar símbolos, imagens ou palavras que representam coisas e pessoas que não estão presentes em dado momento. Algumas das principais características desta etapa são: O pensamento egocêntrico, onde tudo o que a criança pensa é a partir de seu ponto de vista; o animismo, onde a criança atribui consciência aos fenômenos da vida; o finalismo, onde ela acredita que tudo tem uma finalidade; o artificialismo, a criança acredita que todas as coisas são produtos da fabricação humana, incluindo montanhas e rios; e pensamento dependente da percepção imediata, não tendo noção de conservação, ao se mudar a aparência de determinada coisa, a criança acredita que mudou também a quantidade, a massa, o volume e o peso.

Segundo Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, a criança, na etapa pré-operatória, passa a poder agir por simulação. Na falta do objeto concreto, ela pode fazer representações do mesmo através de interações mediadas por “imagens, lembranças, imitações diferidas, jogos simbólicos, evocações verbais, desenhos, dramatizações” . Por outro lado, as representações realizadas pelas crianças são feitas de forma analógica e justapostas. A criança nessa etapa percebe tudo globalmente e tem dificuldades em fazer analogias sem que se façam análises bem detalhadas das coisas. Macedo explica que “um dos principais objetivos da educação pré-escolar (que engloba a faixa dos dois aos três anos) deveria ser o de ensinar a criança a observar os fatos cuidadosamente, em especial quando estes são contrários aos previstos por ela” . Ele também nos chama a atenção para a necessidade de realização de atividades em duplas e em grupo, sempre desenvolvendo as habilidades de comunicação, onde as crianças possam brincar entre si, falar, discutir, resolver problemas práticos. Segundo o professor da USP, “agora não basta mais à criança realizar as ações, é preciso que ela fale delas para outrem, que as reconstitua por via narrativa e que aprenda a descrevê-las em palavras, quadros, desenhos” .

Dessa forma, Lino de Macedo nos propõem uma série de atividades que podem ser realizadas com crianças na faixa dos dois aos três anos de idade, ou seja, que fazem parte da etapa denominada pré-operatória, segundo as idéias de Piaget. É sempre importante que os professores da pré-escola conheçam as características próprias dessa etapa do desenvolvimento cognitivo das crianças e, assim, possam realizar um trabalho com maior competência. Entender a lógica do funcionamento mental de cada etapa de desenvolvimento das crianças permite ao profissional da educação evitar possíveis erros e adequar suas ações para que o processo de ensino-aprendizagem se realize de forma mais eficaz.

17 maio 2009

Economia Solidária? Alternativa para o futuro?

No final do mês de abril tive a oportunidade de conversar com uma mestre em educação que, especificamente, fez sua dissertação de mestrado a respeito de gestão escolar e, particularmente, abordou, em certo momento, a forma que a escola onde trabalho é gerida.


Claro que fiquei com os neurônios literalmente queimando ao conversar com alguém como ela. Muito inteligente e culta. Mas certamente foi um momento de muita aprendizagem e prazer.

Em nossa conversa, acabamos entrando na questão do discurso utilizado por professores e gestores que serve como alavanca para o ensino e perspectiva de futuro para os estudantes. Ou seja: Por que estudar? Para que estudar? Que futuro nossos alunos esperam da vida?

A maioria de nós ainda utiliza como resposta o mesmo discurso: "É preciso estudar muito para ser alguém na vida. Somente com muito esforço e estudo você vai conseguir um bom emprego, ganhar bem e se destacar na sociedade. Somente estudando é que um dia você vai chegar lá."

Mas será que esse discurso de fato serve para todo mundo? Dá certo com todos? Existe igualdade de condições tanto para o aluno da escola pública, quanto para o aluno da escola particular? Um grupo de alunos de baixa renda terá as mesmas chances e perspectivas de um grupo de alunos de alta renda se os esforços forem exatamente iguais nos dois grupos? Ou leva vantagem quem tem o poder econômico e faz parte de uma elite que abre as portas para empregos, relacionamentos, tempo para dedicação aos estudos, entre outros?

O tema que mais me chamou a atenção e que acredito ser um dos mais importantes em Sociologia da Educação foi mesmo a "Sociologia Crítica". Enxergar o mundo através dessa visão não é fácil. Porém, somente entendendo de forma crítica a realidade é poderemos propor mudanças e decidirmos o que pretendemos manter.

Não estou com tudo isso falando que não sou a favor do esforço e dedicação aos estudos para conseguir uma projeção econômica-social. O que quero deixar claro é que este modelo funciona somente para uma pequena parcela da população. Não existe igualdade de condições. E o pior, usar esse discurso em uma escola para alunos de baixa renda pode ser entendido, em muitos momentos, como um discurso vazio. Pois sabemos que a maioria, de fato, não chegará lá.

Neste momento é preciso parar para refletir. Pensar sobre a nossa relação com o mundo/sociedade e o que de fato queremos para o nosso futuro. Quais os nossos valores? O que entendemos por felicidade e bem estar? E, assim, poderemos, quem sabe, encontrar um modelo alternativo.

Acredito que as respostas para todas essas questões, dentro da escola pública, passam sim por continuar se esforçando e se aprofundando nos estudos. Porém, o que muda é o foco. O objetivo, agora, talvez seja encontrar esse modelo alternativo, menos desigual, onde a violência e a pobreza sejam menores. Onde se possa ter uma qualidade de vida boa, se não for para todos, mas pelo menos para a grande maioria.

Conversando com aquela mestra consegui organizar algumas idéias que ainda estavam embaralhadas. Ainda não sei exatamente que caminho e que discurso deveriam ser seguidos. A professora de Sociologia do curso de Pedagogia sugeriu leituras a respeito da Economia Solidária que me parece uma alternativa muito interessante.

Apenas uma certeza parece estar clara: somente continuando os estudos e se aprofundando é que poderemos encontrar respostas para todas essas questões.



11 abril 2009

Refletindo sobre a Desigualdade Social

Às vezes fugimos de um lugar, mas acabamos encontrando as mesmas respostas em lugares diferentes.


08 abril 2009

Práticas Pedagógicas e Realidade Social

Há alguns anos, trabalhando com o tema da cultura indígena, propus a um grupo de alunos da 5ª série que fizesse uma pequena pesquisa. Eles deveriam perguntar, em casa, qual o local de nascimento, profissão e a ascendência de seus pais e avós, anotando tudo no caderno.

A proposição da atividade foi extremamente formal e na semana seguinte poucos trouxeram as respostas. Fiquei decepcionado uma vez que se tratava de uma coisa simples de se fazer. Porém, senti que os alunos não queriam expor seu passado e sua vida familiar. A grande maioria era descendente de negros, indígenas e nordestinos e carregava o peso do preconceito em seu dia-a-dia. Conversei com a turma a respeito desta questão, buscando mostrar a importância que todas as culturas possuem para a formação do povo brasileiro. Procurei levantar a auto-estima de cada um e mostrar que não é vergonha ser descendente de uma ou de outra “raça” (1).

(1) Morin vê a sala de aula como um fenômeno complexo que abriga uma diversidade de ânimos, culturas, classes sociais e econômicas, sentimentos... Um espaço heterogêneo e, por isso, o lugar ideal para iniciar essa reforma da mentalidade que ele prega. Cristiane MARANGON, Eduardo LIMA. Os novos pensadores da educação.HTTP://revistaescola.abril.com.br. Acesso em 23/02/2009.

Quase ao final da aula, uma aluna trouxe uma foto de sua família para eu ver. Havia a mistura de negros e índios, todos nascidos no nordeste em um clima gostoso de festa. A foto despertou tanto interesse nos outros alunos, que propus, dessa vez, que fizessem um trabalho escrito, onde responderiam as questões da atividade inicial, porém, que colocassem fotos de seus parentes. Solicitei também que fizessem pesquisas em jornais e revistas, que conversassem com parentes e vizinhos, sempre buscando encontrar o lado positivo que cada “grupo racial” possui (2). Eles deveriam fazer um relato de todas as informações que conseguissem e me entregar.

(2) O ato de educar, a ação educativa, transcende às ações dos professores e extrapola os limites físicos da sala de aula. Jorge Carlos Felz FERREIRA. Reflexões sobre o ser professor: a construção de um professor intelectual, p. 3.

Na semana seguinte houve uma profusão de trabalhos. Cada um trouxe um pouquinho de si e de sua família. Estavam ansiosos para contar o que conseguiram descobrir. Muitos relataram a presença de índios e afro-descendentes em seu meio familiar. Alguns encontraram reportagens que valorizavam a cultura quilombola e de tribos indígenas.

Confesso que foi uma atividade que me marcou muito e passou a ser um norteador de caminhos a serem percorridos durante a minha prática docente. Passei a diversificar o formato de minhas aulas, aproximar-me mais dos alunos, trabalhar com a questão da valorização da identidade de cada um. Por outro lado, percebi o quanto é importante a busca de informações através de meios diversificados: família, vizinhos, jornais, televisão, entre outros. Todos nós aprendemos que a educação não formal complementa a educação formal. Os alunos passaram a ser mais participativos, mesmo porque, eu também passei a ser mais receptivo em aulas mais dialogadas (3).

(3) Segundo Donald Schön, citado por Isabel Alarcão, quem age em situações instáveis e indeterminadas, como é o caso de quem leciona, tem de ter muita flexibilidade e um saber fazer inteligente, uma mistura disso tudo. A experiência conta muito, mas tem de ser amadurecida. Denise Pellegrini. Refletir na prática. http://revistaescola.abril.com.br Acesso em 23/02/2009.

05 abril 2009

Pluralidade Cultural: Identidade Brasileira

Segundo Marco Antonio Bettine de Almeida, podemos definir cultura como sendo “o conjunto das tradições, técnicas, instituições que caracterizam um grupo humano” (1). Sabendo que mundialmente existe uma grande diversidade de grupos humanos, podemos dizer que existe também uma grande pluralidade cultural. Particularmente, no Brasil, essa miscelânea de culturas se faz presente, tanto pela miscigenação, num primeiro momento, entre o índio, o negro e o homem branco (particularmente de origem portuguesa), quanto, posteriormente, pelo grande contingente étnico imigratório que este pais recebeu, dentre eles os japoneses, os italianos e os espanhóis. Tudo isto sem contar as diferenças culturais regionais com suas variantes de norte a sul e de leste a oeste do Brasil.

(1) Subsídios Teóricos do Conceito Cultura para entender o lazer e suas políticas públicas. Faculdade de Educação Física/UNICAMP. In: HTTP://polaris.br.unicamp.br. Acesso em 28/03/2009.

Assim sendo, nossos professores precisam estar atentos à forma como conciliar culturas tão diferentes num mesmo ambiente de interação: a escola. Como trabalhar os laços interculturais, buscando o respeito mútuo e a tolerância. O grande desafio é integrar grupos tão diversos de forma harmônica culminando para a consolidação de uma identidade nacional: A cultura brasileira.


Acredito que essa integração já exista e ela está atrelada ao esforço educativo realizado nas escolas. As culturas se misturaram e hoje podemos dizer que temos algumas características ímpares do povo brasileiro como a feijoada, o futebol e o samba. (2) Estes elementos se disseminaram tão fortemente pelos quatro cantos do Brasil que se tornaram símbolos típicos de nossa cultura. Além disso, existem outros tantos exemplos de como a mistura de culturas fez do brasileiro um povo diferenciado: Os paulistas adoram comer sushi; a música sertaneja faz sucesso nas grandes capitais litorâneas; os ritmos nordestinos estão presentes no sul e sudeste brasileiro.

(2) O samba carioca recebeu a titulação de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. In: http://www.cultura.gov.br/site/2007/11/30/aviso-de-pauta-8/. Acesso em 28/03/2009.


Mesmo que ainda existam pontualmente formas de preconceito e discriminação que precisam ser superadas através da educação, podemos afirmar que o respeito e a aceitação da pluralidade cultural são muito bem trabalhados em nossas escolas, possibilitando uma convivência mais pacífica entre as diversas culturas presentes em nosso território.