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22 julho 2011

Refletindo sobre Ortografia

Primeiramente, gostaria de dizer que gostei muito da leitura do artigo "É Hora de Escrever Certo", pois me esclareceu algumas dúvidas que tinha na área ortográfica. Outro dia, pedi que uma turma de alunos com problemas de indisciplina escrevesse uma redação com o título: "Como melhorar meu comportamento em sala de aula". Ao ler os textos escritos por eles, percebi uma série de erros ortográficos. A leitura deste artigo permitiu entender como trabalhar esses problemas e orientar os professores de Língua Portuguesa a ajudar os alunos a superarem suas dificuldades.

Para a resolução desta atividade, escolhi a seguinte citação: "Assim como não se espera que um indivíduo descubra sozinho as leis de trânsito - outro tipo de convenção social -, não há por que esperar que os alunos descubram sozinhos a forma correta de grafar as palavras", de Artur Gomes de Morais, professor de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco e autor de livros didáticos

As dificuldades ortográficas acompanham o aluno por todo o período escolar e pelo resto de sua vida. É importante que os professores, desde o início da alfabetização, levem os alunos a refletirem sobre a forma correta de escrita, elaborando situações de aprendizagem onde o aluno possa "compreender as conexões entre a língua e a ortografia". Quando o aluno reflete sobre a forma ortográfica correta das palavras no momento em que ele está escrevendo, terá mais chances de ter sucesso em sua vida escritora. Desta forma, irão se sentir mais seguros no momento em que escrevem e perderão o medo de se expressar por escrito, voltando, assim toda sua atenção para a história que estão narrando e não para ficar verificando a ortografia. Assim como as leis de trânsito, os alunos não descobrem sozinhos a forma correta de grafar as palavras. Faz-se necessário que, literalmente, o professor ensine.

É preciso que o professor tenha uma base sólida a respeito das convenções ortográficas e escrita das palavras que estão divididas, segundo o texto, em: Regulares e Irregulares, sendo que as regulares são divididas em Diretas, Contextuais e Morfológico-Gramaticais. Para cada grupo ou subgrupo de palavras e normas gramaticais, o professor deverá escolher a melhor estratégia para ajudar os alunos a superarem suas dificuldades, reiterando que isto deve ser feito através de situações didáticas que levem o aluno a refletir sobre a ortografia e a escrita.

Voltando ao caso das redações de, percebi que naquela turma de 7º ano, muitos alunos possuem dificuldades com palavras Regulares do tipo Diretas. Através da leitura de algumas redações, ficou nítido que muitos alunos trocam a letra "p" pela letra "b", o "t" pelo "d" e o "f" pelo "v". Portanto pretendo sugerir que a professora de Língua Portuguesa trabalhe frases com palavras incompletas e peça que os alunos completem com essas letras que possuem dificuldade, fazendo tudo isto junto com o aluno e dando ênfase à pronuncia correta.

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Opinando 1

Realmente é muito importante a existência das regras ortográficas. As pessoas não podem sair por aí escrevendo da forma que bem entendem. As regras ortográficas criam uma padronização que é entendida em qualquer lugar onde se fala e escreve determinada língua, daí a "criação" da padronização da Língua Portuguesa no mundo.

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Opinando 2


Achei muito valiosa as idéias de situações de aprendizagem que o texto nos fornece. Servem não somente para os professores de Língua Portuguesa ou alfabetizadores, mas para todas as disciplinas que devem contribuir para a aprendizagem dos alunos.

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Opinando 3


O texto nos mostrou que quando se trata das palavras irregulares, somente um bom dicionário poderá esclarecer a dúvida sobre a forma correta de escrevê-las. Ou, então, é claro, devem-se memorizar as palavras e, para isto, é preciso que o aluno leia muito, sejam livros ou revistas.

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Opinando 4


Como o próprio texto diz, é preciso que o professor conheça as normas ortográficas e saiba aplicá-las com os alunos. Perceba as dificuldades e crie situações de aprendizagem que levem o aluno a refletir sobre a escrita das palavras.

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Opinando 5


Alunos chegam ao sexto ano do Ensino Fundamental cometendo erros que deveriam ter sido sanados no Ciclo I. A maior dificuldade é que muitos dos professores do Ciclo II não são alfabetizadores e, portanto, não conseguem ou tem dificuldade de solucionar o problema.

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Opinando 6


Realmente, quando a criança é estimulada desde bebê a escutar a pronuncia correta das palavras, ela terá maior facilidade quando atingir o estágio da escrita.

Gostei da idéia da psicogênese da ortografia nas crianças criada por Slomp, mas achei que no texto foi abordada de forma muito superficial.


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Opinando 7



É isso aí M. A.!

O conhecimento das regras gramaticais ajuda a criança a tirar algumas dúvidas. Daí a necessidade de um bom professor alfabetizador ou de Língua Portuguesa que saiba criar situações didáticas onde o aluno reflita sobre o processo da escrita no momento em que estiver escrevendo.

Como você disse na aula presencial, um bom professor "mata um leão por dia", literalmente. Pois, o trabalho é árduo e cansativo, mas quando os resultados aparecem, é só alegria!

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Opinando 8


Ola O. e E.!

Muito legal as idéias que vocês estão trocando.

Acrescento dizendo que em casa, os pais podem ler em voz alta um texto de historinha infantil com a finalidade de ajudar seu filho a diferenciar a pronuncia das palavras. Conhecendo a pronuncia correta das palavras, a criança terá maior facilidade na hora da escrita, sobretudo com as palavras do tipo regulares diretas.




08 abril 2011

Teoria e Prática nas aulas de Ciências

Trabalho em uma escola estadual de Santos e posso dizer que as aulas de Ciências mesclam tanto a parte teórica quanto aplicações práticas. Atualmente, com o novo currículo do Estado de São Paulo, muitas situações de aprendizagem práticas foram adicionadas ao conteúdo programático das diversas séries, o que tem resultado em experiências muito interessantes, apesar de que nem todas serem passíveis de realização. Algumas por falta de materiais, outras por falta de espaço adequado.

De qualquer forma, posso citar várias atividades que vem sendo realizadas com os alunos do Ensino Fundamental Ciclo II (que podem ser adaptadas para o Ciclo I), algumas propostas pelo próprio currículo estadual, outras criadas pelas professoras, algumas de vivência prática, outras de elaboração de cartazes para exposição, tais como: elaboração de máquina fotográfica, estetoscópio, bússolas, estudo do meio ambiente escolar, catalogação de plantas do jardim da escola, preparação de pães e bolinhos, maquete do sistema solar, repelente caseiro contra o mosquito da dengue, entre outros.

Dessa forma, professores e alunos vivenciam a Ciência tanto de forma prática quanto de forma teórica. Utilizam-se das apostilas do estado, dos livros didáticos e de diversas atividades como campanha contra a dengue, cartazes explicativos sobre prevenção de DST e gravidez precoce. As aulas são ministradas tanto em sala de aula quanto no laboratório de Ciências da escola, além de outras dependências como as quadras ou o jardim da escola.

Acredito que as atividades práticas levam os alunos a perceber que a Ciência está presente no nosso dia a dia, nas atividades cotidianas e ao mesmo tempo precisa da base científica presente em artigos, livros, jornais e revistas para se embasar. Para os professores, as aulas práticas são muito prazerosas porque possibilitam uma aprendizagem mais significativa e, portanto com melhores resultados.


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Refletindo 1


Na minha escola são realizadas diferentes experiências porque acompanho as aulas das professoras de Ciências. Claro que existem limitações. Como a escola é pública e boa parte dos alunos é de origem carente, muitos deles não têm recursos para comprar todos os materiais necessários. Outros encontram dificuldades até mesmo de pesquisarem e estudarem em casa, pois vivem em sub-habitações.

Por outro lado, existe muitos alunos que se esforçam e com o apoio da família conseguem realizar atividades muito criativas. O Estado, na medida do possível, também fornece parte dos recursos para as atividades. Por sinal, posso dizer que aos poucos a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo tem melhorado as condições de ensino não só de Ciências, mas como um todo, graças aos investimentos em estrutura, em apostilas, livros didáticos, entre outros.

Portanto, posso dizer que na prática, nas aulas de Ciências tem se utilizado de experimentos como apoio da aprendizagem.



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Refletindo 2


As escolas precisam de professores dedicados e compromissados. Ah, se todos os professores fossem assim! Sempre falo que ser professor é uma profissão e assim sendo é preciso ser profissional. Não acredito em professores "das horas vagas".

Quando um professor diz: "dou umas aulinhas de vez em quando para ajudar no orçamento", pode-se dizer que suas aulas estão fadadas ao fracasso.



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Refletindo 3


Felizmente, posso dizer que na escola que trabalho existem muitos professores compromissados, tanto em relação ao ensino-aprendizagem dos conteúdos programáticos, quanto em relação à disciplina, regras e combinados. Não são todos, mas boa parte deles o são. Acredito que isto também esteja ligado à forma de gerir a escola.

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Refletindo 4

Acredito que uma "aula agradável unindo a teoria e a prática" como você citou, deve partir da realidade do aluno. Se, como professor, vou dar uma aula sobre preservação ambiental, nada melhor do que começar falando sobre o próprio meio ambiente na qual o aluno mora/vive.

Muitos dos alunos da minha escola moram no Monte Serrat em Santos, portanto nada melhor do que falar sobre os problemas dos morros, as sub-habitações, os deslizamentos de terra. Assim como falar de coisas boas, como a vista privilegiada (porto, praias, centro histórico), o turismo e o Down Hill.

As tecnologias ajudam a tornar as aulas mais interessantes e agradáveis, sobretudo no campo audiovisual. Mas também ajudam como apoio na construção de conhecimento, através de montagem de mini jornais, apresentações, blogs, entre outros.

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Refletindo 5

Realmente, é super importante essa diversificação de atividades, seja em sala de aula, seja no laboratório. Legal saber que você diversifica suas aulas com pesquisas, rodas de debates, leituras e tem o apoio de uma professora específica de Laboratório. Torço para que o Estado invista em um profissional somente para o Laboratório, nem que seja um auxiliar, pois facilitaria a vida dos professores.

Concordo com você, a aprendizagem precisa ser significativa, pois nestes momentos o aluno leva o conhecimento para a vida toda.

Este semestre, apesar da grande quantidade de matérias aqui no curso de Pedagogia, posso dizer que estou adorando. Estamos podendo trocar idéias e experiências a respeito das metodologias de ensino nas diversas disciplinas. É sempre bom saber o que o colega está realizando. Coisas que deram certo, atividades que funcionam. Está valendo muito a pena esta troca de experiências e conhecimentos.

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Refletindo 6

Procure no site da Secretaria da Educação - no link "São Paulo Faz Escola" (www.educacao.sp.gov.br). Muitas das atividades dos "Cadernos do Aluno" estão lá e são fáceis de serem aplicadas/realizadas. Saem trabalhos muito interessantes. Os alunos adoram a máquina fotográfica e o periscópio (9º ano do Ensino Fundamental).

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Refletindo 7

Quando não temos recursos materiais o suficiente, temos que usar a criatividade. Bom conhecer um pouco mais de você e saber que você é uma professora dedicada. Acredito que mais vale um professor dedicado e compromissado do que qualquer parafernália tecnológica de última geração sem uso efetivo.

Por outro lado, posso afirmar que investimentos no setor da educação pública estadual estão sendo realizados. E muitos! Hoje em dia, os alunos recebem Kit de material escolar (cadernos, canetas, lápis de cor, tesoura, régua, mochila, etc.), apostilas das diversas disciplinas (os cadernos do aluno), livros didáticos renovados a cada três anos (tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio e escolhidos pelos próprios professores da casa), verbas para materiais didáticos (compra de papéis, colas, lápis de cor, etc.).

Muitas escolas do Estado já contam com laboratórios de informática, com 10 ou 15 computadores ligados à internet e monitores trabalhando e ganhando auxílio. Para os laboratórios de Ciências, o Estado tem mandado vidrarias e elementos químicos. Livros e mais livros chegam às bibliotecas das escolas, tanto paradidáticos quanto os de literatura, os clássicos e os atuais best-sellers. As escolas contam com retroprojetor, televisão, vídeos, aparelhos de DVDs, data-show e notebook.

Posso dizer que hoje em dia, as escolas do Estado são privilegiadas. Basta querer trabalhar. O grande problema está na existência de muitos funcionários acomodados. Isto existe e muito. Por isto, gosto sempre de frisar professores e funcionários dedicados e compromissados são o maior bem de uma escola.

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Refletindo 8

Acredito que tanto antigamente quanto nos dias de hoje, tudo vai depender da escola e dos professores envolvidos nas aulas de Ciências. Tem escolas que possuem recursos como laboratórios e materiais, outras não. Assim como existem professores bem preparados que trabalham muito bem as atividades práticas e outros, não. Cada caso é um caso.

O que posso dizer é que hoje em dia as escolas particulares e as públicas estão cada vez mais equipadas. Em ambas existe grande investimento. Porém, a qualidade de alguns professores precisa melhorar. Os baixos salários dificultam a formação continuada dos professores. Muitos não têm tempo nem dinheiro para investir em cursos de especialização e pós-graduação, sobretudo na rede pública de ensino.

Quanto a internet, ainda é preciso melhorar muito a formação de professores para que ela seja utilizada como instrumento de ensino-aprendizagem de forma adequada. Existe muita coisa ruim na internet, informações duvidosas. É preciso que o professor saiba orientar os alunos a separar o joio do trigo. Por outro lado, existem ótimas experiências de alunos que usam os instrumentais das novas tecnologias, criando blogs, sites, vídeos, apresentações muito ricas e interessantes.

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Refletindo 9

Realmente, mesmo com pouco recurso é possível elaborar aulas muito interessantes. Veja o caso das aulas de confecção de repelente caseiro para o mosquito da dengue. A professora dividiu a sala em grupos e cada aluno trouxe um ingrediente.

Os alunos aprenderam todo o problema gerado pelo Aedes Aegypti, pesquisaram as formas de transmissão, profilaxia, locais onde estão havendo mais casos de dengue e até a história de como o mosquitinho chegou aqui no Brasil. Elaboraram cartazes, gibis com atividades lúdicas, campanhas contra o mosquito e ainda, de quebra, aprenderam e ensinaram a produzir o repelente caseiro.

As aulas envolveram professores de Ciências, Biologia e Língua Portuguesa e foram muito produtivas.

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23 dezembro 2010

A GEOGRAFIA MUDA

Outro dia, numa reunião pedagógica, escutei alguém afirmar que a Geografia muda à toda hora. Naquele momento, concordei em parte. A Geografia muda aos poucos.

Já em casa, refletindo sobre o assunto, percebi que a Geografia está mesmo em constante mudança, porém, a  velocidade desta mudança se altera conforme a idade que a pessoa tem. Para um aluno de 10 anos de idade  que cursa o Ensino Fundamental pode-se dizer que a Geografia muda muito pouco. Na minha idade, já beirando os 40, definitivamente ela muda um pouco mais. Já posso, inclusive, começar a afirmar que ela muda quase que constantemente, como gostam de dizer quem já tem mais de 60.

60 e poucos anos são mais de meio século de vida. Por sinal, é quase uma vida inteira. Em 60 anos, definitivamente, as coisas mudaram, e muito. Países novos foram criados e outros tantos sumiram do mapa. A População brasileira quase que quadruplicou. A paisagem urbana, então, está muito diferente daquela que existia na década de 1950. Imensas áreas verdes foram dizimadas, milhões de pessoas migraram. Houve toda uma revolução tecnológica, sobretudo nas comunicações.

Definitivamente, sábias palavras. A Geografia muda.

Todas as outras disciplinas também parecem caminhar e se modificar com o tempo. Em Ciências, por exemplo, sempre tem uma novidade: reciclagem de lixo, espécies novas descobertas, mudanças climáticas. História incorpora novas informações a todo o momento e sempre refaz leituras de si mesma.  Arte é pura criatividade abarcando sons, movimentos, modos de ver e pensar o estético. Até mesmo a Língua Portuguesa se renovou, com o novo acordo ortográfico é preciso reaprender tanta coisa de gramática.

É, o tempo não para e a Geografia vai se renovando ao longo do tempo, conforme o ritmo das idades e das transformações das sociedades.

03 junho 2010

A Teoria de Henri Wallon sobre a Aprendizagem

Seguindo a Teoria de Wallon, existe uma série de atitudes que o professor deve tomar para auxiliar as crianças e oferecer condições favoráveis à aprendizagem. A primeira delas é pensar em sua formação integral, abrangendo os aspectos intelectuais, afetivo, motor e social que são os quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo no processo de formação do ser humano.

Henri Wallon da um enfoque interacionista ao desenvolvimento da criança tendo como base as predisposições genéticas e os fatores ambientais. Para ele “é a cultura que determina o que a criança precisa aprender e como, para se adaptar à sociedade”. O desenvolvimento do ser humano é um processo constante, contínuo de transformação, havendo sempre uma reorganização qualitativa do que se aprendeu.

A aprendizagem na criança se da inicialmente através de atividades naturais e espontâneas que são os primeiros recursos de interação com o mundo. Outros recursos são desenvolvidos para responder às exigências da cultura e serão mais bem sucedidas se respeitadas as características motoras, afetivas e cognitivas naturais de cada criança. A presença do outro é primordial para se humanizar e se transformar. Para Wallon, “aprender é diferenciar, portanto o ensino deve oferecer pontos de referência”.

Wallon elabora com esses pressupostos, a sua Teoria do Desenvolvimento que está dividida nos seguintes estágios: Estágio impulsivo-emocional (de 0 a 1 ano de idade), quando a aprendizagem se sobrer o próprio corpo; Estágio sesório-motor e projetivo (de 1 a 3 anos de idade), quando a aprendizagem se da através da manipulação dos objetos; Estágio Personalismo ( de 3 aos 6 anos de idade), a criança aprende pela oposição ao outro; Estágio Categorial (dos 6 aos 11 anos de idade), onde a aprendizagem se da através da descoberta de diferenças e semelhanças entre objetos, imagens, idéias e representações e Estágio da adolescência (a partir dos 11 anos de idade), quando o recurso principal da aprendizagem volta a ser a oposição ao outro, aprofundando-se idéias, sentimentos e valores.

Para a organização das atividades escolares, Wallon chama a atenção para três aspectos importantes: a Solidariedade, valor que visa o bem-estar de todos e é, essencial para a convivência e sobrevivência humana. A dimensão temporal das atividades, onde a aprendizagem de cada criança segue sempre em direção ao futuro, porém em ritmos diferentes, conforme as condições orgânicas e sociais de cada uma delas em cada momento. E finalmente, a dimensão espacial, onde é preciso que a criança tenha espaço suficiente que permita liberdade de movimentação de forma confortável.

Para Wallon é preciso lembrar sempre que “a aprendizagem e o ensino, juntos, formam um processo único que se caracteriza por movimentos de fluxo e refluxo, de idas e voltas, de certezas e incertezas, de decisão e indecisões”. Cabe ao professor acolher as manifestações motoras e afetivas dos alunos e desenvolver a auto-estima dos alunos como um sentimento de ser capaz de realizar as atividades propostas. Para Wallon, trabalhar a auto-estima significa fazer com que o aluno “aprenda, perceba que aprendeu, sinta orgulho de ter aprendido e, a partir daí, sinta-se capaz de aprender mais”.

25 abril 2010

Pedagogia da Autonomia - Paulo Freire

Paulo Freire inicia seu livro "Pedagogia da Autonomia" com algumas reflexões sobre a questão da educação. Retoma assuntos já tratados em outros momentos, repensa alguns tópicos que já escreveu anteriormente. Um deles é o fato de acreditar que o ser humano é um ser inconcluso, que está em constante movimento e este é um dos eixos que perpassa em vários momentos nesta importante obra. No primeiro capítulo do livro, intitulado "Não há docência sem discência", Freire afirma que o professor no ato de ensinar também aprende e o aluno no ato de aprender também ensina. Educandos e educadores precisam ser "criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes". O educando precisa ser o sujeito da construção e da reconstrução do conhecimento.

Em "Ensinar não é transferir conhecimento", segundo capítulo do livro, Paulo Freire reflete sobre algumas questões importantes: O respeito à autonomia do educando, o fato do professor não poder ser autoritário demais e nem licencioso demais; A necessidade do uso do bom senso em sala de aula, respeitando a autonomia, a dignidade e a identidade do educando; E a importância do respeito à curiosidade de quem aprende, pois é ela que faz as coisas se movimentarem. A inquietação que leva o educando a buscar respostas e, portanto, aprender.

Finalmente, no último capítulo do livro, "Ensinar é uma especificidade humana", Freire levanta as questões da competência profissional, da segurança no ato de ensinar e da necessidade de se ter generosidade para com o aprendiz. A especificidade do ato de ensinar, como particularidade do ser humano, aparece no momento que a educação é vista como uma forma de "intervenção no mundo". Através da educação podem-se questionar os valores dos grupos dominantes da sociedade e dizer não aos "fatalismos quiestistas". Ao término da leitura do livro de Paulo Freire, pode-se chegar à conclusão de que, por ser inconcluso, o ser humano está em constante movimento. Este movimento se dá através da educação que é estimulada pelo educador, que coloca o educando como ser autônomo, instigando sua curiosidade em busca de aprender com a própria prática e intervindo em sua realidade. O ato de poder intervir em sua realidade que faz o ser humano se tornar ser humano.

20 março 2010

O Professor como Agente Desequilibrador

Concordo com a afirmação de que o professor pode ser uma agente desequilibrador que favorece novas adaptações e novas aprendizagens. Para isto, o professor deve partir do conhecimento prévio que os alunos possuem sobre determinado assunto. Uma avaliação diagnóstica ou mesmo sondagens e conversas com os alunos permitem que o professor identifique o estágio atual de conhecimento que os alunos possuem.

A partir desse ponto, o professor pode acrescentar idéias novas, pontos de vistas diferentes, aumentar o grau de dificuldade de um exercício ou mesmo acrescentar um dado novo sobre determinado assunto. Quando isto acontece, o aluno passará por um momento de desequilíbrio, uma vez que algo, até então desconhecido, foi acrescido em seu repertório de informações e conhecimentos. Por conta própria e com o apoio do professor, o aluno poderá então encaixar a nova informação dentro do que já sabe, buscando entender como se da a relação entre o novo e o já conhecido. Neste momento, o professor fará o papel de mediador, facilitando o processo de aquisição do novo conhecimento.

Quando finalmente, o aluno entende o significado da nova informação e, sobretudo, quando é capaz de relacioná-los com os conhecimentos que já possui, a nova informação será transformada em novo conhecimento.

Podemos citar um leque enorme de exemplos a serem utilizados em sala de aula por professores de todas as disciplinas. Em matemática, pode-se ir aumentando as casas decimais nos processos operatórios das contas de divisão. Ou então, em geografia, aumentar a quantidade de dados a serem analisados sobre determinado assunto. Ou ainda, em Ciências, confrontar novos dados obtidos sobre o aquecimento global. Em história, pode-se pedir aos alunos que pensem a colonização no Brasil sob o ponto de vista dos indígenas. Dentro dos ensinamentos da Língua Inglesa, o professor pode ir acrescentando novos vocabulários. E assim por diante.

Em todos os exemplos citados acima, novas informações são colocadas de forma gradual, permitindo que o aluno compare o que já conhece com o que é novidade e assim seja capaz de processar as novas informações, transformando-as em conhecimento. Ou seja, o professor vai acrescentando novos agentes desequilibradores, para que o aluno possa se adaptar ao novo até formar um novo conhecimento.

Seguindo as idéias de Piaget, mediadas pelo texto de Maria Judith Lins, quando o aluno fica em contato com o novo, ele passa a ter a necessidade de compreender essa novidade. No processo de satisfação desta necessidade, o aluno acaba adquirindo o novo conhecimento. Quando a satisfação desta necessidade é realizada de forma plena, pode-se dizer que houve a equilibração na estrutura cognitiva e portanto, o aluno de fato aprendeu algo novo.

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Opinando 1:

Acredito que o amigo B. tocou num ponto importantíssimo. O desvio do foco do que está sendo aprendido. Quando a aula está muito participativa, em alguns casos, novos assuntos são colocados e se o professor deixar correr solto, corre-se o risco de terminar a aula sem concluir o objetivo inicial proposto para a mesma.

Daí a importância do professor ser o orientador das ações de aprendizagem. Ele precisa sempre estar atento para esses momentos em que o objetivo da aula pode fugir do controle e não permitir que isto aconteça. Afinal, se isto acontecer, as aulas deste professor pode se tornar anti-pedagógicas e os alunos que estavam de fato aprendendo se sentirem frustrados.

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Opinando 2:

É verdade C.!

Tive uma professora na faculdade que fazia isto o tempo todo.

Muitas vezes acabava até esquecendo do que estava falando. Pode? (risos).

Ela era uma boa professora porque conseguia despertar o interesse inicial em todos nós. Mas, deixava a desejar no desenrolar da aula porque fugia do foco. Então, a gente começava a se cansar porque queria saber mais sobre o assunto inicial, mas quase nunca conseguiamos chegar às vias de fato.

Depois da aula, a gente procurava as respostas nos textos ou estudando em grupo.

Esta professora era muito querida de todos. Muito simpática. Ela sabia como causar o desequílibrio no início da aula, mas depois, parecia que não nos ajudava a nos equilibrar de novo.
Apesar de que, agora refletindo sobre isto, vejo que poderia até ser uma coisa proposital. Afinal, a gente acabava indo pesquisar o tema e acabava aprendendo de forma, inclusive, autonôma.

Porém, é sempre bom ressaltar que isto acontecia em nível universitário. Quando tratamos do ensino básico, acredito que temos que ser mais cuidadosos.

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Opinando 3:

É isso aí amiguinha R.!

Se deixar o aluno viaja e vai embora. Precisamos mesmo sempre estar trazendo-os de volta ao tema inicial.

Essa viagem, fiquei pensando agora, talvez ocorra porque o aluno começa a comparar o agente desequilibrador (dado novo) com o que já está equilibrado (com o que já conhece). Então ele encontra uma conexão e acaba se esvaindo nas próprias idéias e pensamentos, que podem não ser exatamente o objetivo da aula.

Cabe ao professor perceber isto e dar um susto do tipo Ana Maria Braga: "Acorda menina!!!".
Ou, por outro lado, de repente, um aluno coloca um caminho inesperado que vai de encontro aos objetivos da aula, só que passando por outras idéias, outras situações e, inclusive, mais fácil dos alunos entenderem. Neste caso, o professor segue a voz do Zeca Pagodinho: "Deixa a vida me levar. Vida leva eu". (risos).

Pessoal, hoje é sábado, final de semana, acabei me empolgando.

De qualquer forma, nos dois exemplos acima, percebemos o papel que nós professores continuamos tendo em sala de aula. Somos capazes de perceber quando acontece uma situação ou outra (Ana Maria ou Zeca) e somos capazes de redirecionar a aula.
Somos mesmo imprescindíveis. Vocês não acham?

Abraços ao som do Zeca.

Kkkkkkkk

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Opinando 4:

As colocações do A. e da M. fizeram-me refletir sobre outro dado importante. Em muitos casos e em todas as disciplinas, é sempre preciso retomar conhecimentos já ensinados em momentos anteriores ou até mesmo em anos anteriores.

Quando os alunos relembram alguns conceitos, eles refrescam a sua memória e assim, facilita a compreensão das novas informações. Isto acontece em todas as disciplinas. Muitos professores reclamam que volta e meia precisam retomar alguns conceitos e informações, mas isto faz parte do próprio trabalho docente.

Apesar de que muitas vezes acabo ficando em dúvida. Será que o aluno não aprendeu ou simplesmente esqueceu? Existe tempo suficiente para ficar retomando e retornando a conteúdos antigos? É normal isto acontecer? Afinal, se ele entendeu tão bem um assunto no ano passado, por que será que ele esqueceu? Será que de fato ele não aprendeu?

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Opinando 5:

Adorei as colocações feitas pelo B.

De fato, nós professores, temos o dom de explicar uma mesma coisa de várias maneiras e nem reparamos (MESMO) nisso. Sempre somos capazes de colocar diversos exemplos para garantir que a turma toda realmente entenda o que estamos explicando, para que todos consigam voltar à equilibração diante de um fato novo.

Tenho um amigo que às vezes fala: "Pode parar de explicar!!! Já entendi!!! Não precisa explicar de novo!!! Não precisa dar mais DEZ exemplos porque já entendi desde o primeiro exemplo!!!

Kkkkkkkkk

Eu caio na gargalhada, porque mesmo sem querer a gente acaba explicando, explicando e explicando de novo.

Esse é o "mal" do professor (risos).

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Opinando 6:

Concordo plenamente com vocês duas, A. e M.

Realmente, é muito importante que o aluno seja capaz de "refletir , analisar, reestruturar, modificar", como muito bem disse a A. Melhor ainda quando, eles mesmos são capazes de identificar e propor novas dúvidas e questões, ou seja, "venha até nós com perguntas , com debates, discutindo o porquê, o que é, como faz, se esta certo", como muito bem elencou a M.

Todas essas colocações refletem muito bem as idéias de Piaget sobre a teoria Genética, ajudando-nos a entender o processo de aquisição de novos conhecimentos.

Parabéns pela bela explicação das duas.

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06 junho 2009

A Criança não é um Adulto em Miniatura

De origem suíça, Jean Piaget estudou como ocorre o desenvolvimento cognitivo nas crianças. Através de observações e testes aplicados em escolas francesas, ele descobriu que as crianças possuem características próprias de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, não podendo ser consideradas como adultos em miniatura. As crianças possuem uma lógica própria de funcionamento mental.

Segundo Piaget, as crianças aprendem de forma ativa, interagindo com o meio, num processo cognitivo de assimilação e acomodação que resultam na equilibração de novos conhecimentos. Assim, Piaget dividiu em quatro as etapas de desenvolvimento cognitivo das crianças: Sensório-Motora (do nascimento aos dois anos de idade); Pré-Operatória (dos dois aos sete anos de idade); Operatório-Concreta (dos sete aos doze anos) e Operatório-Formal (após os doze anos de idade).

Particularmente na etapa pré-operatória é quando surge a linguagem oral e é também quando as crianças passam a usar símbolos, imagens ou palavras que representam coisas e pessoas que não estão presentes em dado momento. Algumas das principais características desta etapa são: O pensamento egocêntrico, onde tudo o que a criança pensa é a partir de seu ponto de vista; o animismo, onde a criança atribui consciência aos fenômenos da vida; o finalismo, onde ela acredita que tudo tem uma finalidade; o artificialismo, a criança acredita que todas as coisas são produtos da fabricação humana, incluindo montanhas e rios; e pensamento dependente da percepção imediata, não tendo noção de conservação, ao se mudar a aparência de determinada coisa, a criança acredita que mudou também a quantidade, a massa, o volume e o peso.

Segundo Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, a criança, na etapa pré-operatória, passa a poder agir por simulação. Na falta do objeto concreto, ela pode fazer representações do mesmo através de interações mediadas por “imagens, lembranças, imitações diferidas, jogos simbólicos, evocações verbais, desenhos, dramatizações” . Por outro lado, as representações realizadas pelas crianças são feitas de forma analógica e justapostas. A criança nessa etapa percebe tudo globalmente e tem dificuldades em fazer analogias sem que se façam análises bem detalhadas das coisas. Macedo explica que “um dos principais objetivos da educação pré-escolar (que engloba a faixa dos dois aos três anos) deveria ser o de ensinar a criança a observar os fatos cuidadosamente, em especial quando estes são contrários aos previstos por ela” . Ele também nos chama a atenção para a necessidade de realização de atividades em duplas e em grupo, sempre desenvolvendo as habilidades de comunicação, onde as crianças possam brincar entre si, falar, discutir, resolver problemas práticos. Segundo o professor da USP, “agora não basta mais à criança realizar as ações, é preciso que ela fale delas para outrem, que as reconstitua por via narrativa e que aprenda a descrevê-las em palavras, quadros, desenhos” .

Dessa forma, Lino de Macedo nos propõem uma série de atividades que podem ser realizadas com crianças na faixa dos dois aos três anos de idade, ou seja, que fazem parte da etapa denominada pré-operatória, segundo as idéias de Piaget. É sempre importante que os professores da pré-escola conheçam as características próprias dessa etapa do desenvolvimento cognitivo das crianças e, assim, possam realizar um trabalho com maior competência. Entender a lógica do funcionamento mental de cada etapa de desenvolvimento das crianças permite ao profissional da educação evitar possíveis erros e adequar suas ações para que o processo de ensino-aprendizagem se realize de forma mais eficaz.

28 maio 2009

Quando se Ensina, também se Aprende

Através da leitura da "Carta de Paulo Freire aos professores - Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra " podemos compreender a importância que a leitura crítica de textos e a leitura crítica do mundo têm para o dia a dia de quem tem como ofício a arte de ensinar.

Para Paulo Freire, o ato de ensinar não se desvincula do ato de aprender. Quando ensinamos estamos revendo conceitos já aprendidos e, portanto, reavaliando e reaprendendo. No diálogo que traçamos com quem aprende também reaprendemos, pois perpassamos caminhos inesperados, perguntas surpreendentes e, muitas vezes, quando realmente nos aprofundamos, percorremos linhas de raciocínio diferentes da nossa, portanto abertas ao novo.

O ato de ensinar, como diz Paulo Freire, requer “uma analise crítica de sua prática”. Além disso, o ensinante precisa, antes de tudo, estar capacitado para ensinar e, para tanto, precisa estar sempre se atualizando, aprendendo, estudando. O ato de estudar implica em refazer a leitura de mundo e das palavras, reavaliarmos conceitos e visões de mundo e, conseqüentemente, enriquecer nossos conhecimentos acrescentando novas leituras de conceitos já estabelecidos.

Nesse contexto, Freire acredita que prática e teoria devem caminhar sempre juntas e nunca desvinculadas uma da outra. Através dos conhecimentos que já temos e daqueles sistematizados pelo homem podemos fazer um confronto com o novo, refletirmos e assim remodelá-los de forma crítica, trazendo à tona novos conhecimentos e descobertas.

Paulo Freire é contra a transferência mecânica de conhecimentos, cujos conteúdos ficam desvinculados da realidade do aprendiz. Para ele é necessário que o aprender se realize de forma critica, levando-se em consideração a linguagem simples (conceitos criados na cotidianidade do aprendiz) e a “linguagem difícil” (conceitos abstratos, já sistematizados). Ao juntarmos o contexto (linguagem simples ) com o texto (linguagem difícil) possibilitaremos uma compreensão mais exata do objeto que estamos estudando e de sua relação com outros objetos. Freire ressalta que essa compreensão do objeto estudado não vem como milagre, mas ela “é trabalhada, é forjada” num “trabalho paciente, desafiador, persistente”. Ou seja, aprender requer muito esforço por parte de quem aprende.

Outro aspecto importante levantado por Paulo Freire está no equívoco que cometemos ao dicotomizar o ato de ler e o ato de escrever. Para ele, ler e escrever são “processos que não se podem separar” e deveriam ser aprendidos dessa forma inseparável desde a alfabetização para que, já na pós-graduação, o ato de escrever não fosse um martírio para muitos estudantes que redigem suas monografias. Ainda segundo o estudioso da Educação, “isso lamentavelmente revela o quanto nos achamos longe de uma compreensão crítica do que é estudar e do que é ensinar”.

Como sempre, Paulo Freire nos abre perspectivas que, mesmo na nossa frente, muitas vezes não conseguimos enxergar. No ato de ensinar o professor está sempre aprendendo e é importante que esteja sempre se atualizando, estudando, lendo para poder refletir criticamente sobre suas ações educativas e assim poder melhorar seu fazer docente. É importante também, que estejamos sempre levando em consideração o conhecimento informal do aluno como forma de facilitar a assimilação do conhecimento formal e assim, fazendo sua leitura de mundo junto com a leitura da palavra possa ter uma visão crítica da realidade que o cerca.

26 abril 2009

Educação Formal e Conhecimento Popular

Acredito que a escola e a comunidade se relacionam através da educação formal e do conhecimento popular. Na escola, de forma geral, aprendemos, através das diversas disciplinas, os conteúdos com base científica. Por outro lado, os alunos trazem através de suas vivências um rico conhecimento do dia a dia, o que chamo aqui de conhecimento popular.



Quando um professor consegue conciliar a bagagem cultural que o aluno trás de casa com o conhecimento formal representado pelo conteúdo de sua disciplina, transformando informação em conhecimento, acredito que a relação entre a escola e a comunidade é verdadeiramente produtiva. As vivências cotidianas são enriquecidas pelo conhecimento científico e este passa a dar sustentação para aquelas.


O conhecimento da Sociologia tem uma grande importância no dia a dia do professor, pois nos ajuda a entender a diversidade humana e a forma como nos relacionamos com a sociedade e com o meio em que vivemos. Refletindo e conhecendo esta relação, poderemos propor e incorporar mudanças para tornar o convívio em sociedade mais saudável.


A educação é fundamental não somente para adquirirmos mais conhecimento, mas para que possamos contribuir na construção de um ambiente e uma sociedade mais agradável para se viver. Conhecendo como fomos e entendendo como somos, poderemos ajudar na construção de uma sociedade mais feliz.

08 abril 2009

Práticas Pedagógicas e Realidade Social

Há alguns anos, trabalhando com o tema da cultura indígena, propus a um grupo de alunos da 5ª série que fizesse uma pequena pesquisa. Eles deveriam perguntar, em casa, qual o local de nascimento, profissão e a ascendência de seus pais e avós, anotando tudo no caderno.

A proposição da atividade foi extremamente formal e na semana seguinte poucos trouxeram as respostas. Fiquei decepcionado uma vez que se tratava de uma coisa simples de se fazer. Porém, senti que os alunos não queriam expor seu passado e sua vida familiar. A grande maioria era descendente de negros, indígenas e nordestinos e carregava o peso do preconceito em seu dia-a-dia. Conversei com a turma a respeito desta questão, buscando mostrar a importância que todas as culturas possuem para a formação do povo brasileiro. Procurei levantar a auto-estima de cada um e mostrar que não é vergonha ser descendente de uma ou de outra “raça” (1).

(1) Morin vê a sala de aula como um fenômeno complexo que abriga uma diversidade de ânimos, culturas, classes sociais e econômicas, sentimentos... Um espaço heterogêneo e, por isso, o lugar ideal para iniciar essa reforma da mentalidade que ele prega. Cristiane MARANGON, Eduardo LIMA. Os novos pensadores da educação.HTTP://revistaescola.abril.com.br. Acesso em 23/02/2009.

Quase ao final da aula, uma aluna trouxe uma foto de sua família para eu ver. Havia a mistura de negros e índios, todos nascidos no nordeste em um clima gostoso de festa. A foto despertou tanto interesse nos outros alunos, que propus, dessa vez, que fizessem um trabalho escrito, onde responderiam as questões da atividade inicial, porém, que colocassem fotos de seus parentes. Solicitei também que fizessem pesquisas em jornais e revistas, que conversassem com parentes e vizinhos, sempre buscando encontrar o lado positivo que cada “grupo racial” possui (2). Eles deveriam fazer um relato de todas as informações que conseguissem e me entregar.

(2) O ato de educar, a ação educativa, transcende às ações dos professores e extrapola os limites físicos da sala de aula. Jorge Carlos Felz FERREIRA. Reflexões sobre o ser professor: a construção de um professor intelectual, p. 3.

Na semana seguinte houve uma profusão de trabalhos. Cada um trouxe um pouquinho de si e de sua família. Estavam ansiosos para contar o que conseguiram descobrir. Muitos relataram a presença de índios e afro-descendentes em seu meio familiar. Alguns encontraram reportagens que valorizavam a cultura quilombola e de tribos indígenas.

Confesso que foi uma atividade que me marcou muito e passou a ser um norteador de caminhos a serem percorridos durante a minha prática docente. Passei a diversificar o formato de minhas aulas, aproximar-me mais dos alunos, trabalhar com a questão da valorização da identidade de cada um. Por outro lado, percebi o quanto é importante a busca de informações através de meios diversificados: família, vizinhos, jornais, televisão, entre outros. Todos nós aprendemos que a educação não formal complementa a educação formal. Os alunos passaram a ser mais participativos, mesmo porque, eu também passei a ser mais receptivo em aulas mais dialogadas (3).

(3) Segundo Donald Schön, citado por Isabel Alarcão, quem age em situações instáveis e indeterminadas, como é o caso de quem leciona, tem de ter muita flexibilidade e um saber fazer inteligente, uma mistura disso tudo. A experiência conta muito, mas tem de ser amadurecida. Denise Pellegrini. Refletir na prática. http://revistaescola.abril.com.br Acesso em 23/02/2009.

05 abril 2009

Pluralidade Cultural: Identidade Brasileira

Segundo Marco Antonio Bettine de Almeida, podemos definir cultura como sendo “o conjunto das tradições, técnicas, instituições que caracterizam um grupo humano” (1). Sabendo que mundialmente existe uma grande diversidade de grupos humanos, podemos dizer que existe também uma grande pluralidade cultural. Particularmente, no Brasil, essa miscelânea de culturas se faz presente, tanto pela miscigenação, num primeiro momento, entre o índio, o negro e o homem branco (particularmente de origem portuguesa), quanto, posteriormente, pelo grande contingente étnico imigratório que este pais recebeu, dentre eles os japoneses, os italianos e os espanhóis. Tudo isto sem contar as diferenças culturais regionais com suas variantes de norte a sul e de leste a oeste do Brasil.

(1) Subsídios Teóricos do Conceito Cultura para entender o lazer e suas políticas públicas. Faculdade de Educação Física/UNICAMP. In: HTTP://polaris.br.unicamp.br. Acesso em 28/03/2009.

Assim sendo, nossos professores precisam estar atentos à forma como conciliar culturas tão diferentes num mesmo ambiente de interação: a escola. Como trabalhar os laços interculturais, buscando o respeito mútuo e a tolerância. O grande desafio é integrar grupos tão diversos de forma harmônica culminando para a consolidação de uma identidade nacional: A cultura brasileira.


Acredito que essa integração já exista e ela está atrelada ao esforço educativo realizado nas escolas. As culturas se misturaram e hoje podemos dizer que temos algumas características ímpares do povo brasileiro como a feijoada, o futebol e o samba. (2) Estes elementos se disseminaram tão fortemente pelos quatro cantos do Brasil que se tornaram símbolos típicos de nossa cultura. Além disso, existem outros tantos exemplos de como a mistura de culturas fez do brasileiro um povo diferenciado: Os paulistas adoram comer sushi; a música sertaneja faz sucesso nas grandes capitais litorâneas; os ritmos nordestinos estão presentes no sul e sudeste brasileiro.

(2) O samba carioca recebeu a titulação de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. In: http://www.cultura.gov.br/site/2007/11/30/aviso-de-pauta-8/. Acesso em 28/03/2009.


Mesmo que ainda existam pontualmente formas de preconceito e discriminação que precisam ser superadas através da educação, podemos afirmar que o respeito e a aceitação da pluralidade cultural são muito bem trabalhados em nossas escolas, possibilitando uma convivência mais pacífica entre as diversas culturas presentes em nosso território.

03 março 2008

Trabalhando com Jornais


Logo no primeiro dia de aula, em fevereiro, os alunos notaram a diferença. Havia algo de estranho. O que eram aqueles jornais? Por que deveriam trabalhar com eles? Onde estavam os livros didáticos? Por que a escola toda estava estudando daquele jeito?

Mas as coisas não pararam por aí. Professor de geografia ensinando matemática? Professora de educação artística trabalhando com leitura e interpretação de textos? Aulas de educação física em sala-de-aula? Tudo muito esquisito, não?

De ínicio, os alunos pareciam desconfiados, confusos. Alguns queriam o método antigo, outros adoraram a novidade. Alguns exclamavam: Que coisa chata!

Com o tempo, os alunos foram se acostumando e percebendo que, com os jornais, passaram a melhorar suas habilidades com cálculos e desenvolver a sua leitura e entendimento de textos. Os bons alunos tiraram tudo de letra. Muitos alunos que sempre tiveram maiores dificuldades perceberam que não estavam mais sendo deixados para trás e, aos poucos, começaram a acompanhar as aulas, coisas que não conseguiam fazer antes.

É cedo para dizer se vai dar certo ou não, mas é nítido que as mudanças estão sendo feitas. Coisas novas estão sendo testadas. Isso é muito importante na tentativa de melhorar o desempenho dos alunos.

É só o começo, mas estou otimista. Acho que, finalmente, o governo passou a olhar a educação de uma outra forma. Diferente, inovadora. Os jornais são o primeiro passo de dias diferentes na educação paulista. E, pelo que tudo indica, essa mudança está vindo para melhor.

Um ótimo ano letivo para todos!

Ok! Marcelo.
3 de março de 2008.