25 junho 2011

 A Relação entre Geografia e História e os Hábitos Alimentares

Os hábitos alimentares de uma pessoa estão intimamente ligados às condições históricas e geográficas das quais ela faz parte.

A geografia influencia na alimentação de uma pessoa, pois dependendo de onde ela mora, ela será abastecida por diferentes tipos de alimentos, tanto de produção local quanto dos importados. Diferentes tipos de alimentos são produzidos conforme o clima local, o desenvolvimento das técnicas de cultivo, a quantidade de indústrias e suas tecnologias. A oferta de pescado influencia a alimentação de populações ribeirinhas e litorâneas, assim como verduras e legumes frescos estão mais facilmente à disposição de quem mora próximo às áreas rurais. Por outro lado, os grandes centros urbanos possuem um sistema de distribuição muito desenvolvido, o que propicia uma variedade de alimentos tanto de origem orgânica quanto os industrializados.

Hábitos históricos também fazem variar o tipo de alimentação de um grupo. Tradições e costumes fazem variar o cardápio na hora da alimentação. Descendentes de japoneses costumam consumir peixe cru, muita verdura e legumes. Os italianos, massa. Alguns grupos indígenas, derivados da mandioca. Os europeus consomem a carne de porco. Os espanhóis estão habituados aos cozidos com frutos do mar diversificados. E assim sucessivamente. Os fatores históricos de determinados grupos acabam refletindo em sua forma de se alimentar. O brasileiro, por exemplo, tem a feijoada.

Há vinte anos meus hábitos alimentares eram um pouco diferentes dos atuais. Como morava na casa dos meus pais, costumava comer muita verdura e legumes e, na maioria das vezes almoçava e jantava em casa, com alimentos preparados pela minha mãe ou pela cozinheira. Eram refeições mais saudáveis.

Hoje, na maioria das vezes, almoço fora em restaurantes por quilo, onde procuro fazer refeições balanceadas, juntando verduras e legumes, carboidratos, além das carnes. A janta, porém, não é tão saudável assim, com a falta de tempo para o preparo, acabo buscando socorro nos "deliveries" e acabo consumindo muita pizza, sanduíches, esfihas. Em diversos momentos também acabo comendo os chamados fast foods, além de produtos industrializados.

Como moro em Santos, região litorânea do estado de São Paulo, meus hábitos alimentares são semelhantes àqueles ligados aos grandes centros urbanos. Grande variedade de produtos industrializados está à disposição em supermercados e aqueles de alto valor calórico em restaurantes fast food e "deliveries". Por outro lado, temos em Santos e região uma grande oferta de pescados. Recentemente foi eleito prato típico local a " Meca Santista" que tem como base um fruto do mar. No bairro da Ponta da Praia existe o tradicional Mercado de Peixes que existe há muitos anos e que já atendeu diversas gerações de moradores e turistas que vão em busca de uma enorme variedade de pescados. Portanto, a relação dos hábitos alimentares da comunidade santista possui uma estreita relação com a História e a Geografia local.

* * * * * *
Opinando 1

Concordo com a discussão de vocês, M. e B.!

Hoje existe uma praticidade em termos de fast foods e produtos industrializados. A questão principal é mesmo a falta de tempo. A gente trabalho o dia inteiro e, de noite e aos finais de semana, ainda estudamos aqui na Unimes Virtual. Não temos tempo para nos dedicar à compra e à preparação de alimentação saudável. Quando vamos almoçar ou jantar queremos algo que seja rápido e fácil de fazer. Acabamos consumindo alimentos com alto valor calórico.

Essa é a realidade de nossos tempos, o que tem aumentado os problemas de saúde como obesidade e ocorrência de diabetes.

* * * * * *

Opinando 2

Ola R., Ola M.!

Vendo a variedade existente na culinária brasileira me deu até fome (está próximo da hora do almoço). Muito legal, as citações feitas por você R.. Parece até aula de geografia culinária (risos).

O bom disto tudo é o que falou a M., as adaptações quando a gente viaja. Dependendo do lugar que a gente vai conhecer, um prato típico a gente vai encontrar. O que dizer do café colonial no Rio Grande do Sul ou o famoso Chiclete de Camarão em Alagoas? É muito bom saborear o acarajé baiano, o tutú paulista e a peixada capixaba.

Por outro lado nem tudo agrada a todos os paladares. Buchada de bode não é todo mundo que come, mesmo estando em pleno nordeste. Tucupi e Tacacá são pratos que agradam à população de Belém do Pará, mas nem sempre o turista gosta.

Felizmente (ou infelizmente?), com a globalização, os restaurantes nas diversas capitais brasileiras acabam oferecendo um "cardápio internacional", onde as refeições são muito parecidas em qualquer canto que o turista vai. De qualquer forma, sempre vale a pena sair do lugar comum e experimentar a culinária local, mas se não agradar, a gente sabe que vai encontrar o tradicional arroz com feijão em qualquer canto do Brasil que a gente estiver.

* * * * * *

Opinando 3

É verdade E. e M.! Quantas vezes almoçamos e jantamos no Mc Donald's?



Antigamente, ir comer no Mc Donald's era uma diversão de final de semana, um programa ou passatempo. Hoje em dia está cada vez mais se tornando regra. Agora com os deliveries, então, a gente pede e o Big Mac chega em casa.

* * * * * *
Opinando 4

Realmente B. e A.! Os hábitos alimentares do campo são na maioria das vezes mais saudáveis daqueles de quem vive nas cidades.

Também concordo que as pessoas no campo têm muito mais disposição.

Os produtos industrializados trazem facilidades, mas também geram prejuízos. Concordo com o B., muitos alimentos parecem que tem o mesmo gosto. Nuggests, batata chips, bolachas, lasanhas e biscoitos, todos com o mesmo gosto de caldo knorr, ora de carne, ora de galinha. O pior é que quando preparamos um arroz, um feijão ou o molho do macarrão, acabamos utilizando estes mesmos temperos industrializados.

Por outro lado, nada tão simples como fazer um miojo quando estamos cansados, com fome e sem tempo.

Fazer o que? São as facilidades e as limitações de nossa vida agitada nos centros urbanos.

* * * * * *

Opinando 5

Ola M.!

Além dos problemas elencados por você, também sabemos que no Brasil, apesar das terras férteis e dos enormes espaços para o plantio, existe a questão do agronegócio. Os produtores optam por plantar produtos como a soja e o trigo, voltados para a exportação e deixam de investir em produtos para a alimentação do mercado interno, como o feijão, os hortifrutigranjeiros, entre outros. Preferem investir na soja para engordar o gado europeu, do que em produtos para o próprio brasileiro se alimentar.

O resultado é que os produtos agrícolas acabam ficando mais caros devido a menor oferta. Por outro lado, os donos dos agronegócios vêem seus lucros expandirem graças às exportações. É um contra-senso, afinal, sabemos que existem muitas pessoas passando fome no Brasil.

* * * * * *

Opinando 6

Dei muitas risadas lendo seu comentário.

Não tem como resistir a um pastel acompanhado de caldo de cana. Nossa! Isto faz parte da nossa história. A história do paulista/paulistano e quem sabe de outras regiões e estados também. Por sinal, este é um hábito que nunca perdi. Desde muito novo quando acompanhava minha mãe na feira, sempre pedia um pastel de pizza e um copo de caldo de cana, às vezes com um pouco de limão.

Melhor combinação não há (risos).




08 abril 2011

Teoria e Prática nas aulas de Ciências

Trabalho em uma escola estadual de Santos e posso dizer que as aulas de Ciências mesclam tanto a parte teórica quanto aplicações práticas. Atualmente, com o novo currículo do Estado de São Paulo, muitas situações de aprendizagem práticas foram adicionadas ao conteúdo programático das diversas séries, o que tem resultado em experiências muito interessantes, apesar de que nem todas serem passíveis de realização. Algumas por falta de materiais, outras por falta de espaço adequado.

De qualquer forma, posso citar várias atividades que vem sendo realizadas com os alunos do Ensino Fundamental Ciclo II (que podem ser adaptadas para o Ciclo I), algumas propostas pelo próprio currículo estadual, outras criadas pelas professoras, algumas de vivência prática, outras de elaboração de cartazes para exposição, tais como: elaboração de máquina fotográfica, estetoscópio, bússolas, estudo do meio ambiente escolar, catalogação de plantas do jardim da escola, preparação de pães e bolinhos, maquete do sistema solar, repelente caseiro contra o mosquito da dengue, entre outros.

Dessa forma, professores e alunos vivenciam a Ciência tanto de forma prática quanto de forma teórica. Utilizam-se das apostilas do estado, dos livros didáticos e de diversas atividades como campanha contra a dengue, cartazes explicativos sobre prevenção de DST e gravidez precoce. As aulas são ministradas tanto em sala de aula quanto no laboratório de Ciências da escola, além de outras dependências como as quadras ou o jardim da escola.

Acredito que as atividades práticas levam os alunos a perceber que a Ciência está presente no nosso dia a dia, nas atividades cotidianas e ao mesmo tempo precisa da base científica presente em artigos, livros, jornais e revistas para se embasar. Para os professores, as aulas práticas são muito prazerosas porque possibilitam uma aprendizagem mais significativa e, portanto com melhores resultados.


* * * * * *
Refletindo 1


Na minha escola são realizadas diferentes experiências porque acompanho as aulas das professoras de Ciências. Claro que existem limitações. Como a escola é pública e boa parte dos alunos é de origem carente, muitos deles não têm recursos para comprar todos os materiais necessários. Outros encontram dificuldades até mesmo de pesquisarem e estudarem em casa, pois vivem em sub-habitações.

Por outro lado, existe muitos alunos que se esforçam e com o apoio da família conseguem realizar atividades muito criativas. O Estado, na medida do possível, também fornece parte dos recursos para as atividades. Por sinal, posso dizer que aos poucos a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo tem melhorado as condições de ensino não só de Ciências, mas como um todo, graças aos investimentos em estrutura, em apostilas, livros didáticos, entre outros.

Portanto, posso dizer que na prática, nas aulas de Ciências tem se utilizado de experimentos como apoio da aprendizagem.



* * * * * *
Refletindo 2


As escolas precisam de professores dedicados e compromissados. Ah, se todos os professores fossem assim! Sempre falo que ser professor é uma profissão e assim sendo é preciso ser profissional. Não acredito em professores "das horas vagas".

Quando um professor diz: "dou umas aulinhas de vez em quando para ajudar no orçamento", pode-se dizer que suas aulas estão fadadas ao fracasso.



* * * * * *
Refletindo 3


Felizmente, posso dizer que na escola que trabalho existem muitos professores compromissados, tanto em relação ao ensino-aprendizagem dos conteúdos programáticos, quanto em relação à disciplina, regras e combinados. Não são todos, mas boa parte deles o são. Acredito que isto também esteja ligado à forma de gerir a escola.

* * * * * *
Refletindo 4

Acredito que uma "aula agradável unindo a teoria e a prática" como você citou, deve partir da realidade do aluno. Se, como professor, vou dar uma aula sobre preservação ambiental, nada melhor do que começar falando sobre o próprio meio ambiente na qual o aluno mora/vive.

Muitos dos alunos da minha escola moram no Monte Serrat em Santos, portanto nada melhor do que falar sobre os problemas dos morros, as sub-habitações, os deslizamentos de terra. Assim como falar de coisas boas, como a vista privilegiada (porto, praias, centro histórico), o turismo e o Down Hill.

As tecnologias ajudam a tornar as aulas mais interessantes e agradáveis, sobretudo no campo audiovisual. Mas também ajudam como apoio na construção de conhecimento, através de montagem de mini jornais, apresentações, blogs, entre outros.

* * * * * *
Refletindo 5

Realmente, é super importante essa diversificação de atividades, seja em sala de aula, seja no laboratório. Legal saber que você diversifica suas aulas com pesquisas, rodas de debates, leituras e tem o apoio de uma professora específica de Laboratório. Torço para que o Estado invista em um profissional somente para o Laboratório, nem que seja um auxiliar, pois facilitaria a vida dos professores.

Concordo com você, a aprendizagem precisa ser significativa, pois nestes momentos o aluno leva o conhecimento para a vida toda.

Este semestre, apesar da grande quantidade de matérias aqui no curso de Pedagogia, posso dizer que estou adorando. Estamos podendo trocar idéias e experiências a respeito das metodologias de ensino nas diversas disciplinas. É sempre bom saber o que o colega está realizando. Coisas que deram certo, atividades que funcionam. Está valendo muito a pena esta troca de experiências e conhecimentos.

* * * * * *
Refletindo 6

Procure no site da Secretaria da Educação - no link "São Paulo Faz Escola" (www.educacao.sp.gov.br). Muitas das atividades dos "Cadernos do Aluno" estão lá e são fáceis de serem aplicadas/realizadas. Saem trabalhos muito interessantes. Os alunos adoram a máquina fotográfica e o periscópio (9º ano do Ensino Fundamental).

* * * * * *
Refletindo 7

Quando não temos recursos materiais o suficiente, temos que usar a criatividade. Bom conhecer um pouco mais de você e saber que você é uma professora dedicada. Acredito que mais vale um professor dedicado e compromissado do que qualquer parafernália tecnológica de última geração sem uso efetivo.

Por outro lado, posso afirmar que investimentos no setor da educação pública estadual estão sendo realizados. E muitos! Hoje em dia, os alunos recebem Kit de material escolar (cadernos, canetas, lápis de cor, tesoura, régua, mochila, etc.), apostilas das diversas disciplinas (os cadernos do aluno), livros didáticos renovados a cada três anos (tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio e escolhidos pelos próprios professores da casa), verbas para materiais didáticos (compra de papéis, colas, lápis de cor, etc.).

Muitas escolas do Estado já contam com laboratórios de informática, com 10 ou 15 computadores ligados à internet e monitores trabalhando e ganhando auxílio. Para os laboratórios de Ciências, o Estado tem mandado vidrarias e elementos químicos. Livros e mais livros chegam às bibliotecas das escolas, tanto paradidáticos quanto os de literatura, os clássicos e os atuais best-sellers. As escolas contam com retroprojetor, televisão, vídeos, aparelhos de DVDs, data-show e notebook.

Posso dizer que hoje em dia, as escolas do Estado são privilegiadas. Basta querer trabalhar. O grande problema está na existência de muitos funcionários acomodados. Isto existe e muito. Por isto, gosto sempre de frisar professores e funcionários dedicados e compromissados são o maior bem de uma escola.

* * * * * *
Refletindo 8

Acredito que tanto antigamente quanto nos dias de hoje, tudo vai depender da escola e dos professores envolvidos nas aulas de Ciências. Tem escolas que possuem recursos como laboratórios e materiais, outras não. Assim como existem professores bem preparados que trabalham muito bem as atividades práticas e outros, não. Cada caso é um caso.

O que posso dizer é que hoje em dia as escolas particulares e as públicas estão cada vez mais equipadas. Em ambas existe grande investimento. Porém, a qualidade de alguns professores precisa melhorar. Os baixos salários dificultam a formação continuada dos professores. Muitos não têm tempo nem dinheiro para investir em cursos de especialização e pós-graduação, sobretudo na rede pública de ensino.

Quanto a internet, ainda é preciso melhorar muito a formação de professores para que ela seja utilizada como instrumento de ensino-aprendizagem de forma adequada. Existe muita coisa ruim na internet, informações duvidosas. É preciso que o professor saiba orientar os alunos a separar o joio do trigo. Por outro lado, existem ótimas experiências de alunos que usam os instrumentais das novas tecnologias, criando blogs, sites, vídeos, apresentações muito ricas e interessantes.

* * * * * *
Refletindo 9

Realmente, mesmo com pouco recurso é possível elaborar aulas muito interessantes. Veja o caso das aulas de confecção de repelente caseiro para o mosquito da dengue. A professora dividiu a sala em grupos e cada aluno trouxe um ingrediente.

Os alunos aprenderam todo o problema gerado pelo Aedes Aegypti, pesquisaram as formas de transmissão, profilaxia, locais onde estão havendo mais casos de dengue e até a história de como o mosquitinho chegou aqui no Brasil. Elaboraram cartazes, gibis com atividades lúdicas, campanhas contra o mosquito e ainda, de quebra, aprenderam e ensinaram a produzir o repelente caseiro.

As aulas envolveram professores de Ciências, Biologia e Língua Portuguesa e foram muito produtivas.

* * * * * *



26 março 2011

O Caminho a Seguir...

Nestes dois últimos dias, fugi um pouco da minha rotina na escola Barnabé. Fiquei, em parte do meu tempo de permanência na escola, no Laboratório de Ciências entregando os livros didáticos para os pais dos alunos das oitavas séries do período da manhã. É interessante esses momentos que fazemos algo diferente do que estamos acostumados a fazer. A gente observa coisas que até então não tínhamos parado para prestar atenção ou nos concentramos em entendê-las um pouquinho melhor. Conversei com alguns pais. Foi muito interessante, pois as informações vieram complementar minhas percepções destes três anos que estou no cargo de Professor Coordenador Pedagógico desta Unidade Escolar.


Para quem leciona ou trabalha na Escola Barnabé de Santos, sobretudo para os alunos do ensino fundamental, é normal saber que a primeira coisa que se faz necessário é impor limites, combinar regras e coibir a indisciplina. Temos alunos extremamente carentes, eles chegam às dezenas todos os anos. São alunos das mais diversas origens e que vivem, em alguns casos, à margem da inclusão social. Alguns moram em áreas de risco do tráfico de drogas, outros convivem com a prostituição. Muitos moram em quartinhos de cortiços, seis ou sete pessoas partilhando poucos metros quadrados. Outros tantos habitam casas em situações precárias nos morros. Junto a estes alunos, uma parcela possui boas condições de vida, tem celulares sofisticados e se vestem com roupas compradas em shoppings.


Conversando com algumas mães, fiquei contente em perceber que existe, agora, uma geração delas, que se preocupa e MUITO em acompanhar o rendimento de seus filhos na escola. Não apenas na questão disciplinar, mas também na aprendizagem. Mães preocupadas com a resolução das lições de casa e na elaboração dos trabalhos escolares de seus filhos. Ainda são poucas, mas esta parcela de mães está nitidamente aumentando.


Outra coisa que me chamou a atenção é o fato de alguns alunos virem de longe estudar no Barnabé, muitos que moram na cidade vizinha, São Vicente, estão matriculados em nossa escola. Inclusive um caso que me chamou muito a atenção, vem da Vila Margarida que fica quase na divisa entre São Vicente e Praia Grande, coisa não muito comum no Ensino Fundamental, mas que já estão aparecendo em maior número.


Fico contente em perceber que uma escola localizada no Centro Histórico de Santos, próximo aos morros e aos cortiços atraia tantos alunos de longe. Muitas famílias estão preocupadas hoje em dia com a a boa convivência na escola, com a existência de regras de conduta, buscando uma participação mais pacífica entre os alunos. Felizmente, a Escola Barnabé tem oferecido um pouco de tudo isto. A escola não é perfeita. Mas professores, funcionários e equipe gestora tem feito um bom trabalho neste sentido.


Uma das mães que atendi, que trouxe seu filho transferido de outra escola , elogiou muito o fato dos alunos fazerem fila na hora da entrada, de cantarem o hino e de existir o chamado mapa de sala de aula. São coisas ditas antiquadas por parte de alguns pesquisadores da área da Educação, mas que se fazem necessárias em escolas onde muitos alunos chegam sem limites e sem bases educacionais para a boa convivência entre seus pares. Se existe na última década interesse e investimentos do governo estadual para a popularização/massificação do ensino básico e se muitos dos alunos que antigamente não estariam freqüentando os bancos escolares, hoje o estão, isto significa que alguns métodos ditos tradicionais ainda precisam ser utilizados, pois tais alunos ainda precisam aprender a seguir regras e respeitar hierarquias.


Fico contente em saber que mesmo diante das inúmeras dificuldades do dia a dia, nossa escola continua sendo muito procurada, existem listas de espera e muitas mães confiam a guarda de seus filhos nas mãos de nossos profissionais. Sinal que, mesmo com nossos tropeços, normal em qualquer instituição, estamos realizando um trabalho que agrada muitos pais e responsáveis. Claro que ainda precisamos de muito investimento: capacitação de professores, equipe técnica e funcionários; contratação de mais profissionais; investimentos em algumas instalações como o laboratório de informática; melhorar o rendimento dos alunos com dificuldade de aprendizagem. De qualquer forma, existe um trabalho sério que vem sendo feito há mais de vinte anos e que se consolida no dia a dia da rotina escolar. Existe um caminho a seguir e objetivos traçados, coisas muito importantes para qualquer instituição que se leve à sério.

04 janeiro 2011

ALCKMIN VAI MUDAR A PROGRESSÃO CONTINUADA NA REDE DE ENSINO A PARTIR DE 2012

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu alterar a progressão continuada na rede estadual de ensino. A principal mudança deverá ocorrer no sistema de reprovação dos estudantes, segundo reportagem de Fábio Takahashi publicada na edição desta terça-feira da Folha (íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Hoje, o aluno do fundamental só pode repetir ao final do quinto e do nono ano. A ideia é que a retenção ocorra também no terceiro ano. Assim, o número de ciclos sobe de dois para três. A antecipação da reprovação permite que o aluno com sérias dificuldades seja recuperado mais rapidamente (em vez de demorar cinco anos para refazer uma série, passe a ser depois de três).

A Folha apurou que já está finalizado estudo com o novo desenho do programa. "Pessoalmente, acho que vamos ficar mesmo com três ciclos", afirmou o novo secretário-adjunto da Educação, João Cardoso Palma Filho, ao ser indagado pela reportagem. Ele ressaltou, porém, que o assunto ainda está em análise na secretaria.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/saber/854559-alckmin-vai-mudar-a-progressao-continuada-na-rede-de-ensino-a-partir-de-2012.shtml - Acesso em: 04/01/2011

23 dezembro 2010

A GEOGRAFIA MUDA

Outro dia, numa reunião pedagógica, escutei alguém afirmar que a Geografia muda à toda hora. Naquele momento, concordei em parte. A Geografia muda aos poucos.

Já em casa, refletindo sobre o assunto, percebi que a Geografia está mesmo em constante mudança, porém, a  velocidade desta mudança se altera conforme a idade que a pessoa tem. Para um aluno de 10 anos de idade  que cursa o Ensino Fundamental pode-se dizer que a Geografia muda muito pouco. Na minha idade, já beirando os 40, definitivamente ela muda um pouco mais. Já posso, inclusive, começar a afirmar que ela muda quase que constantemente, como gostam de dizer quem já tem mais de 60.

60 e poucos anos são mais de meio século de vida. Por sinal, é quase uma vida inteira. Em 60 anos, definitivamente, as coisas mudaram, e muito. Países novos foram criados e outros tantos sumiram do mapa. A População brasileira quase que quadruplicou. A paisagem urbana, então, está muito diferente daquela que existia na década de 1950. Imensas áreas verdes foram dizimadas, milhões de pessoas migraram. Houve toda uma revolução tecnológica, sobretudo nas comunicações.

Definitivamente, sábias palavras. A Geografia muda.

Todas as outras disciplinas também parecem caminhar e se modificar com o tempo. Em Ciências, por exemplo, sempre tem uma novidade: reciclagem de lixo, espécies novas descobertas, mudanças climáticas. História incorpora novas informações a todo o momento e sempre refaz leituras de si mesma.  Arte é pura criatividade abarcando sons, movimentos, modos de ver e pensar o estético. Até mesmo a Língua Portuguesa se renovou, com o novo acordo ortográfico é preciso reaprender tanta coisa de gramática.

É, o tempo não para e a Geografia vai se renovando ao longo do tempo, conforme o ritmo das idades e das transformações das sociedades.

07 dezembro 2010

LDB E EDUCAÇÃO INFANTIL

1.    Quais os níveis escolares que compõem a educação básica no Brasil?
 
A educação básica no Brasil é composta por três níveis: Educação Infantil, Ensino Fundamental (Ciclo I e Ciclo II) e Ensino Médio.

2.    Expliquem, com suas próprias palavras, a finalidade da educação infantil conforme define a LDB.
 
Segundo a LDB, é nos primeiros anos de vida que a criança começa a ser educada e, portanto, há o reconhecimento da necessidade de sua educação visando seu desenvolvimento integral, tanto nos aspectos físicos quanto intelectual e social. A função do profissional da educação infantil é educar, cuidar e brincar.
A Educação Infantil é o começo da relação aluno/escola, devendo-se respeitar o lado lúdico dessa interação. É também, o inicio do processo de sociabilização da criança e deve-se sempre preservar o brincar. A formação da criança visa sempre contribuir para sua autonomia e identidade.
 
3.    A educação infantil é oferecida em duas modalidades. Quais são elas e a que idades se destinam?
 
A Educação Infantil é separada em duas modalidades: creches com crianças de 0 a 3 anos e pré escola com crianças de 4 a 5 anos e onzes meses de idade.

4.    Por que atualmente falamos na educação infantil voltada para as crianças de 0 a 5 anos e 11 meses?
 
A partir da Lei 11.274/2006, que alterou a LDB (Lei 9394/96), a duração do ensino fundamental passa de oito para nove anos, transformando o último ano da educação infantil em primeiro ano do ensino fundamental. Na prática, o que ocorreu foi que o chamado “Pré” da Educação Infantil passou a fazer parte do Ensino Fundamental, sendo agora o 1º ano deste ciclo.
O desenvolvimento da criança constituiu-se num excepcional processo de assimilação do que “vê, ouve e vive”, mas é necessário que ela esteja madura para iniciar seu processo de aprendizagem escolar.

5.    Expliquem com suas palavras: “Na educação infantil a avaliação far-se-á [...] sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental”.
 
Na Educação Infantil a avaliação deverá ser feita através da observação e compreensão do dinamismo presente no desenvolvimento infantil. Essa compreensão influenciará diretamente na qualidade da interação dos professores com a infância. O conhecimento de uma criança é construído em movimento de idas e vindas, portanto, é fundamental que os professores assumam seu papel de mediadores na ação educativa; mediadores que realizam intervenções pedagógicas no acompanhamento da ação e do pensamento individualizado infantil.

28 novembro 2010

QUAL A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL?

Podemos afirmar que a literatura infantil ajuda a criança a entender melhor seus próprios sentimentos e sua relação com o mundo, pois trabalha questões próprias da infância como sentimentos de inveja e carinho, medos, dores e perdas. Além de trabalhar com o desenvolvimento emocional da criança, a leitura melhora a capacidade de expressar melhor suas idéias.

Devido aos exemplos citado acima, a Literatura Infantil deve ou deveria ser mais difundida e estimulada tanto nas escolas quanto em casa. Mas o que se percebe é que as crianças costumem ler muito mais por obrigação do que por interesse próprio. As causas para isto se devem tanto pela falta de exemplo em casa quanto pela falta de preparo de muitos professores.

A literatura infantil é importante também porque a criança passa a interagir com as histórias. Ao realizar a leitura com seu filho, muitas coisas que passam despercebidas pelo leitor, fixam-se na memória de quem escuta, como detalhes de personagens e passagens das narrativas permitindo um diálogo e questionamentos, melhorando, inclusive, as relações familiares. Ouvir histórias aperfeiçoa a capacidade imaginativa das crianças, pois estimula ações como pensar, desenhar, inventar e reinventar.

Portanto, podemos concluir que a literatura infantil é primordial para o desenvolvimento das crianças, tanto cognitivo quanto emocional, estimula a imaginação, a criatividade e a interação com as pessoas. Deveria, portanto, ser cada vez mais estimulada tanto em casa quanto nas escolas.

30 outubro 2010

Alfabetização e Letramento: finalidades do processo educativo

No decorrer da História da educação e, particularmente da História da Educação Infantil, houve uma evolução muito grande na forma de se educar, de se ensinar e de se lidar com as crianças. Se antigamente a criança era vista apenas como um adulto em miniatura, atualmente as coisas são bem diferentes.

Dentro do processo de alfabetização, inúmeras descobertas ocorreram no mundo todo. Hoje se sabe, inclusive, como as crianças aprendem e quais os métodos que facilitam a sua aprendizagem. Não basta que as crianças sejam alfabetizadas, ou seja, que aprendam a decodificar um sistema de signos para a leitura e a escrita, é necessário que haja também o letramento, ou seja, que a criança saiba como aplicar funcionalmente em sociedade estes conhecimentos de leitura e escrita.

Pesquisas demonstram que quando se alia alfabetização e letramento, a criança quando adulta tem maiores chances de se tornar realmente atuante em sociedade e podemos afirmar que esta é uma das finalidades principais, senão a principal, da Educação.

09 outubro 2010

Pato Fu - Música de Brinquedo

O universo experimental do Pato Fu nunca me chamou a atenção. Porém, seu último trabalho, onde literalmente o grupo brinca com músicas que fizeram enorme sucesso, o grupo ganhou a minha simpatia. Uma enorme diversão.


22 setembro 2010

A CONCEPÇÃO ATUAL DO PROFISSIONAL PARA ATUAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O profissional que lida com a Educação Infantil vem enfrentando várias mudanças no processo de como educar os alunos. Se na Idade Média, a criança era vista como um adulto em miniatura e logo que possível passava a fazer parte do mundo do trabalho, hoje as coisas não são mais assim. Atualmente a criança é muito valorizada na nossa sociedade e existem políticas e práticas pedagógicas voltadas para o seu pleno desenvolvimento. Em outras palavras, a criança ocupa um lugar importante em nossa sociedade, levando em consideração suas características e fases de desenvolvimento.

Dessa forma, a formação inicial do profissional que vai atuar na Educação Infantil é muito importante. É necessário que ele conheça e aprenda sobre as fases de desenvolvimento da criança, buscando entender as características psicológicas, motoras e cognitivas delas. Deve Saber quais os tipos de atividades devem ser aplicadas em cada faixa etária, buscando um desenvolvimento pleno e sadio de cada criança.

As sociedades estão em constante evolução. Aspectos que eram importantes para as sociedades antigas, hoje podem ser considerados irrelevantes. As sociedades mudam e com isso existe a necessidade de que o profissional da Educação Infantil esteja em constante aperfeiçoamento e atualização para melhor responder às expectativas da sociedade moderna. A sociedade atual é diferente da sociedade de 50 anos atrás. Hoje o consumismo e a mídia estão ao alcance da maioria da população, as crianças tem a influência da televisão desde muito pequenas e chegam às escolas com uma bagagem enorme de conhecimentos. Tudo isto deve ser levado em consideração no momento que o professor aplica suas situações de aprendizagens, visando resultados mais positivos.

Para atuar na Educação Infantil não basta o profissional gostar de crianças. É necessário que ele conheça a fundo os estágios de desenvolvimento das mesmas e, sobretudo, conheça as diversas atividades, brincadeiras, jogos que podem ser aplicadas em cada momento da vida de uma criança. É necessário que o profissional tenha a sensibilidade de entender que as crianças mesmo estando na mesma faixa etária podem ter desenvolvimento desigual e, portanto, podem precisar de um trabalho diferenciado. É necessário que o futuro profissional entenda que as crianças desenvolvem tanto os aspectos cognitivos e motores quanto os aspectos sociais, emocionais e psicológicos, necessitando também de uma ação conjunto entre familiares, gestores e educadores.

O comprometimento profissional se faz muito importante neste período tão importante da vida de uma pessoa. Desde a creche até as escolas de educação infantil é necessário ter profissionais dedicados e comprometidos para que a crianças cresça e se desenvolva de maneira equilibrada e feliz, alcançando todas as suas potencialidades de forma plena para que se tornem adultos produtivos e ajustados socialmente.

08 setembro 2010

Um encontro com a nossa Infância para entendermos o “Ser Criança”

1-Do que você gostava de brincar quando era criança?

Eu gostava de brincar de tanta coisa: queimada, vendia de doces, passeio ao Simba Safari, médico, carrinhos, bicicleta, trenzinho, zoológico. Porém, uma das coisas que eu mais gostava de brincar era com os carrinhos na areia que eram transportados por balsa.

2- Como era realizada essa brincadeira?

Como meu pai estava construíndo nossa casa, sempre tinha um canteiro de areia. Eu adorava construir caminhos e estradas pela areia por onde os carros passavam, até que chegavam a um rio, onde eu mesmo colocava água (imitando). Meu pai era dono de um mercado de bairro, então eu pegava uma caixa de refrigerante feita de madeira e virava de cabeça para baixo, transformando-a em uma balsa. Fazia uma fila imensa de carrinhos para entrar na balsa. Colocava um a um bem alinhados e enfileirados e assim a balsa os levava até a outra margem, onde eram descarregados.

3- Com que brinquedos você brincava?

Muitos carrinhos e caminhões cegonhas. Eram carrinhos pequenos, de plástico, bem simples, o mais importante era a quantidade tinha que ser grande senão não tinha graça. O canteiro de areia não deixava de ser outro brinquedo, assim como as caixas de refrigerante feitas de madeira, a imaginação e a muitas coisas e objetos se transformem em brinquedos.

4-Com quem você brincava?

Geralmente brincava com meu irmão e quando meus primos vinham em casa, brincava com eles também. A gente trocava informações, com um primo mais velho aprendi a colocar água, construir morros e usar galhos e gravetos como pequenas árvores. Às vezes, meus primos ou meu irmão enjoavam e, como eu adorava, brincava sozinho também.

5- Por que gostava “daquela” brincadeira?

Porque eu imaginava as viagens que fazia com minha família. Íamos muito para Bertioga e sempre atravessávamos a balsa que sai do Guarujá. Naquela época, 30 anos atrás, havia sempre muita fila, pois era o único caminho para chegar até lá. A fila contornava morros e florestas, mas o que me encantava mesmo era a organização dos carros na balsa, sempre enfileirados e organizados. Aquele monte de carro em cima de uma balsa atravessando um rio, sem nunca ter acontecido um acidente, era reconstruído nas minhas brincadeiras, sentia quase que a mesma sensação de medo que algo de errado viesse a acontecer. Nas minhas brincadeiras, algumas pequenas tragédias sempre ocorriam (risos).

6- Em sua opinião, qual a importância da brincadeira nos espaços das escolas de Educação Infantil?

Através das brincadeiras, as crianças liberam a imaginação. Podem criar situações novas, diferentes ou muito próximas da realidade que vive, portanto desenvolve o raciocínio lógico. Inventam estórias e participam ativamente delas. Vivenciam situações imaginárias como se fossem verdadeiras, com a vantagem de estarem sob controle. Além disso, permite que a criança interaja com outras crianças, trocando informações, aprendendo e ensinando coisas novas, trabalhando a interação e a afetividade. Nas brincadeiras, coisas e objetos podem se transformar em alegorias, basta usar a criatividade. O uso do corpo trabalha a coordenação motora e a rapidez de reações. Em outras palavras, a brincadeira é muito importante nos espaços da Escola Infantil porque desenvolve a criança como um todo, tanto nos aspectos cognitivos, quanto motoras e emocionais.

29 agosto 2010

O poder da mídia na infância de hoje

Para a realização desta pesquisa/atividade, estarei me baseando no artigo “Descortinando o conceito de infância na História: do passado a contemporaneidade” escrito por Sandro da Silva Cordeiro e Maria das Graças Pinto Coelho, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Particularmente, escolhi este artigo por dois motivos básicos. O primeiro, devido a sua forma direta e didática em abordar o assunto dividindo em dois momentos principais “Falando sobre a Infância de ontem...” e “A infância de hoje: espaço de inúmeras acepções”. O segundo motivo deve-se à sua visão bem atual da infância ligada à mídia e ao mundo do consumo, que acaba esclarecendo muitas questões que já foram desenvolvidas ao longo do fórum pelos meus colegas de curso.

Procurei selecionar apenas os itens mais importantes e mesmo assim acabou ficando um pouco longo, visto que o próprio artigo chegava a quase dez páginas.


A Infância de Ontem

“É bem verdade que a infância sempre existiu desde os primórdios da humanidade, mas a sua percepção enquanto construção e categoria social, dotada de uma representação é sentida a partir dos séculos XVII e XVIII (...).

Recorrendo-se a definição da palavra infância, oriunda do latim infantia, significa “incapacidade de falar”. Considerava-se que a criança, antes dos 7 anos de idade, não teria condições de falar, de expressar seus pensamentos, seus sentimentos. Desde a sua gênese, a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade, da incompletude perante os mais experientes, relegando-lhes uma condição
subalterna diante dos membros adultos. Era um ser anônimo, sem um espaço determinado socialmente (...).

Ao serem representadas, principalmente através de pinturas, geralmente aparecia numa versão miniatura do adulto (...). Até este período, seguindo uma forma de organização social da família tradicional, a fase da “infância” tinha uma curta duração, restringindo-se apenas a sua etapa de fragilidade física. Ao adquirir uma certa independência, era imediatamente conduzida ao convívio adulto, compartilhando de seus trabalhos e jogos, sem estar plenamente preparada física e psicologicamente para tanto (...).

Com o estabelecimento de uma nova ordem social, em fins do século XVII, são notadas algumas mudanças consideráveis alterando a estrutura até então em vigência. Com isso, sentiu-se a necessidade da criação de escolas, (...), a fim de
dominarem a leitura, a escrita e a aritmética, como mais um dos artifícios de preparação para a vida adulta. A escola passou a substituir a aprendizagem obtida empiricamente pela observação dos mais experientes, deixando de aprender a vida diretamente. O advento da escola moderna está atrelado ao surgimento de um
novo sentimento do adulto para com as crianças, implicando em cuidados especiais (...).

Com o apogeu da Revolução Industrial, ocorrido entre os séculos XVIII e XIX, foi direcionado um novo olhar sobre a infância. Estas passaram a ser vista como tendo um valor econômico a ser explorado. A urgência por mão-de-obra provoca o não cumprimento dos direitos infantis de acesso à escola, levando as crianças novamente ao mercado de trabalho, submetidas às explorações em nome dos ditames econômicos (...).

Delimitamos entre os anos de 1850 a 1950 como o momento do ápice da infância tradicional. Com o desenvolvimento das ciências humanas (...), as crianças passaram a ser retiradas das fábricas e novamente inseridas em contextos promotores
de aprendizagens sistematizadas (...). Com a consolidação do protótipo de família em fins do século XIX, a responsabilidade dos genitores passou a assegurar mais responsabilidades com o bem-estar das crianças, garantindo os direitos
que lhes assistem e maiores cuidados físicos. A noção de infância, agora, passa pelo crivo dos conceitos técnicos e científicos (...).


A infância de hoje

Segundo estudos realizados por Pfromm Netto, as crianças têm interesse pela televisão a partir dos seis meses de vida, passando a assistir com maior regularidade a programação por volta dos dois ou três anos de idade (...). Quando uma criança inicia o seu processo formativo na escola, leva consigo uma bagagem de conhecimentos inestimável, adquirida através das várias horas passadas em frente ao televisor (...). A escola, muitas vezes, despreza esses conhecimentos prévios, trabalhando com informações totalmente descontextualizadas dessa realidade. Isso provoca um distanciamento entre as práticas educativas e as vivências infantis concentrando, em parte, a aversão dos alunos à escola (...).

Além disso, convém ressaltar um outro agravante, uma característica tipicamente desenvolvida pela sociedade contemporânea: a individualização dos sujeitos. Aprisionados pelas suas rotinas profissionais, os pais acabam enclausurando as crianças em casa, de modo a permanecerem sozinhas. A televisão, estruturada com seus poderosos apelos comerciais, acabam invadindo a vida das crianças e se
agregando na própria constituição, ditando valores, regras, modismos, formas de encarar e atuar no mundo. Todo esse movimento é desenrolado e incorporado, sem a devida filtragem, pois as crianças não dispõem do contato com pessoas mais experientes (...).

Nesta perspectiva, (...) a infância deixa de ser uma fase natural da vida humana sendo, agora, um artefato construído, autorizado e ditado pela mídia. Esta, por sua vez, recria esta imagem da criança livre, protegida, feliz, deturpando e camuflando a verdadeira face da realidade. O que temos, na verdade, não passa de um simulacro da infância (...).

A criança contemporânea amadurece precocemente, dada as estimulações ofertadas no meio circundante. De notável inteligência e criatividade, precisam ser ouvidas e consideradas como parte integrante da sociedade. Mesmo tendo adquirido uma certa independência desde cedo, é inestimável o apoio, a proteção e o contato do adulto, auxiliando-a nas suas escolhas, na constituição dos princípios e valores baseados na justiça e na solidariedade, proporcionando a construção de um olhar crítico frente o
mundo que nos envolve (...).

Desse modo, cabe ao educador compreender a trajetória de desenvolvimento do conceito de infância e as suas atuais determinações em nossos dias, que encontra suas influências nos elementos da cultura e nos aportes midiáticos. Essa medida auxilia no oferecimento de uma educação imbuída de criticidade e capaz de trazer às crianças todas as oportunidades disponíveis para o seu crescimento, seja
físico, social e intelectual. Somente assim, estaremos preparando nossas crianças para viverem esses novos tempos que se anunciam, carregados de novas necessidades, novas aspirações, novos desejos e novos desafios (...)”.


Minha Opinião

Já foi muito bem debatida a questão da infância de ontem neste fórum. Os diversos textos pesquisados pelos meus colegas de curso revelam o que também encontrei no artigo que estudei. Antigamente a criança era vista como um adulto em miniatura e logo que possível era conduzida ao convívio adulto, inclusive no mundo do trabalho. Perdendo assim, a sua “real” infância.

Na pesquisa que realizei, os autores Cordeiro e Coelho estudaram a influencia da mídia e da sociedade de consumo na vida das crianças atualmente e descobriram que hoje a criança é produto da mídia. A falta de tempo dos pais para educar seus filhos, acabou criando crianças com valores, regras, modismos e formas de ver a vida ditadas pela televisão.

As crianças já chegam à escola com uma bagagem enorme de conhecimentos obtidos através da televisão. A escola não consegue competir com esta mídia e acaba se tornando desinteressante. As crianças chegam à escola como mini-consumidores.

É preciso rever conceitos, é preciso rever a forma com grande influencia da mídia que nossas crianças estão sendo criadas. É necessário desenvolver uma criança mais crítica que não aceite apenas a visão da televisão. Esse trabalho é muito difícil, pois nossos jovens não querem mais refletir e pensar. Eles querem as coisas já prontas, como se tudo viesse embalado para consumo e com um toque no botão liga/desliga as coisas passassem a funcionar.

Aprender requer concentração, (muito) tempo de estudo para leituras, discussões e realização de atividades e exercícios e isso não se faz apenas com o toque de um botão, nem se pode comprar num shopping ou supermercado. Muitas de nossas crianças só querem o que é dinâmico e de consumo rápido e nem tudo é assim. É preciso rever nossas formas de criá-los para que percebam que existe também um tempo mais lento, um tempo de reflexão, de dedicação aos estudos, o tempo para a aprendizagem nem sempre é dinâmico e exige paciência. Porém, o mundo moderno parece ter aversão à paciência, o que tem feito nossos jovens ficarem doentes quando buscam o refugio no mundo das drogas.

Professores e educadores sabem da existência e necessidade desse tempo mais lendo para a aprendizagem e reflexão e tentam colocá-lo em pratica nas salas de aula nas situações de aprendizagem. Porém, esta prática parece tão distante da realidade da criança de hoje e o conflito se torna inevitável, sobretudo, quando esta criança passa a ter voz ativa e poder de decidir diante de pais que não conseguem mais impor limites.

Este é certamente um dos grandes dilemas do mundo atual: como conciliar tempos tão dispares? Como conciliar o mundo tecnológico e dinâmico com o mundo da paciência e da concentração? Sabemos que a concepção de infância hoje é diferente da de antigamente, assim sendo, as crianças devem se adaptar à escola ou a escola que deve se adaptar á realidade de infância que temos hoje?


Fonte: http://www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/76SandroSilvaCordeiro_MariaPintoCoelho.pdf

06 julho 2010

Um exemplo de PLANO DE AULA
O plano de aula é um instrumento muito importante para que se consiga dar uma boa aula. Através dele o professor planeja todas as etapas de uma aula: Início, meio e fim. O plano de aula é um norteador dos caminhos a serem seguidos para que se consiga atingir o objetivo final que é a real aprendizagem do aluno.


1. NÍVEL DE ENSINO: 4ª série do Ensino Fundamental (crianças entre 8 e 10 anos de idade).
2. CONTEÚDO:a. Conceitual: Trabalhar com os alunos, o conceito de Perímetro (Matemática). Análise do que vem a ser Perímetro, identificação de suas idéias principais, relação com conceitos matemáticos já conhecidos. Sistematização e elaboração de informações sobre o conceito de perímetro.b. Procedimental: Ações para o entendimento e fixação do conceito de perímetro, através de leituras, desenhos e pinturas, observações e cálculos.c. Atitudinal: Realização das atividades de forma independente e com esforço próprio; Cooperação com o grupo, ajudando os colegas com dificuldades; Participação das tarefas escolares e de casa.
3. OBJETIVOS:a. Objetivo Conceitual: O aluno deverá ser capaz de entender o conceito de perímetro, identificando suas idéias centrais e relacionando com outros conceitos já conhecidos. Dessa forma saberá explicar de forma objetiva o conceito, dando exemplos e realizando exercícios.b. Objetivo Procedimental: O aluno deverá ser capaz de definir, de forma oral e/ou escrita, o conceito de perímetro a partir de explicações dadas pelo professor e leituras realizadas no livro didático. Fará observações de diversas figuras geométricas e desenhará em seu caderno, entendendo as diversas formas que os perímetros se apresentam. Fará exercícios de fixação através de cálculos de perímetro.c. Objetivo Atitudinal: O aluno deverá aprender o conceito de perímetro com esforço próprio, prestando atenção nas aulas e realizando atividades e exercícios propostos pelo professor. Se estiver com dificuldades deverá pedir ajuda ao professor ou mesmo aos colegas de classe. Quando um colega solicitar ajuda, deverá tentar explicar o conteúdo de forma clara, tentando sanar a dúvida do mesmo, porém deixando que o mesmo se esforce para conseguir completar por conta própria uma atividade ou exercício.
4. DESENVOLVIMENTO/METODOLOGIA:a. Atividades: Inicialmente os alunos deverão pintar uma cópia em preto e branco de uma tela da artista Tarsila do Amaral. Posteriormente o professor levará uma cópia colorida da tela original e irá explicar a importância desta importante artista plástica brasileira. Em seguida, o professor irá analisar a tela junto com os alunos e pedirá aos mesmos que identifiquem as figuras geométricas existentes (círculos, retângulos, quadrados, etc.) enquanto anota na lousa. Posteriormente, o professor vai pedir para os alunos compararem as figuras geométricas e questionar a existência de diferentes tamanhos para uma mesma figura. Então perguntar aos alunos o porquê da diferença de tamanhos, o que faz um triângulo, por exemplo, ser maior que o outro. Dessa forma, o professor introduz o conceito de perímetro possibilitando aos alunos entenderem que ele se aplica a qualquer figura geométrica. O professor, então, irá medir com uma fita métrica o perímetro de algumas figuras e ensinar como se faz o cálculo do perímetro e realizar alguns exercícios de fixação.b. Recursos: Cópias de telas da artista plástica Tarsila do Amaral, cópias de telas em preto e branco a serem pintadas, giz, lousa, lápis de cor, caderno e lápis, fita métrica.
5. AVALIAÇÃO: Os alunos serão acompanhados sistematicamente através de fichas de observação, provas/testes/exercícios e elaboração de um porta-fólio.
6. BIBLIOGRAFIA: Livros didáticos de matemática referentes ao assunto abordado específico para a 4ª série do Ensino Fundamental; Livros de arte com obras da artista plástica Tarsila do Amaral; Sites da internet com conteúdo complementar sobre o conceito abordado.

19 junho 2010

Alunos da E. E. Barnabé vão ao teatro

No dia 8 de junho de 2010, cerca de 200 alunos da Escola Barnabé foram ao Teatro do Sesc Santos para assistir a peça "Contos de Mulheres Sábias". O espetáculo faz parte do Projeto "Cultura é Currículo" promovido pela Secretaria Estadual da Educação.









Os alunos foram acompanhados pelas professoras: Marta (Língua Portuguesa), Hilda (Ciências), Mônica (Matemática), Maria do Céu (Língua Portuguesa), Maria Alice (Inglês), Lucíola (História), Neide (Arte), Maria Lina (Geografia) e Dayane (História), além da servente Doralice, mais conhecida como Dora. O passeio foi organizado pelo Coordenador Marcelo Suwabe da E. E. Barnabé.


Agradecimentos especiais:

-> Ao PCOP de Arte, Eduardo, da Diretoria de Ensino;
-> À diretora da E. E. Barnabé, Dona Irani Romano;
-> À vice-diretora, Dona Sandra Verrillo.


Parabéns a todos os alunos que participaram do Projeto e foram ao Teatro. Continuem se esforçando e se empenhando sempre.



.

03 junho 2010

A Teoria de Henri Wallon sobre a Aprendizagem

Seguindo a Teoria de Wallon, existe uma série de atitudes que o professor deve tomar para auxiliar as crianças e oferecer condições favoráveis à aprendizagem. A primeira delas é pensar em sua formação integral, abrangendo os aspectos intelectuais, afetivo, motor e social que são os quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo no processo de formação do ser humano.

Henri Wallon da um enfoque interacionista ao desenvolvimento da criança tendo como base as predisposições genéticas e os fatores ambientais. Para ele “é a cultura que determina o que a criança precisa aprender e como, para se adaptar à sociedade”. O desenvolvimento do ser humano é um processo constante, contínuo de transformação, havendo sempre uma reorganização qualitativa do que se aprendeu.

A aprendizagem na criança se da inicialmente através de atividades naturais e espontâneas que são os primeiros recursos de interação com o mundo. Outros recursos são desenvolvidos para responder às exigências da cultura e serão mais bem sucedidas se respeitadas as características motoras, afetivas e cognitivas naturais de cada criança. A presença do outro é primordial para se humanizar e se transformar. Para Wallon, “aprender é diferenciar, portanto o ensino deve oferecer pontos de referência”.

Wallon elabora com esses pressupostos, a sua Teoria do Desenvolvimento que está dividida nos seguintes estágios: Estágio impulsivo-emocional (de 0 a 1 ano de idade), quando a aprendizagem se sobrer o próprio corpo; Estágio sesório-motor e projetivo (de 1 a 3 anos de idade), quando a aprendizagem se da através da manipulação dos objetos; Estágio Personalismo ( de 3 aos 6 anos de idade), a criança aprende pela oposição ao outro; Estágio Categorial (dos 6 aos 11 anos de idade), onde a aprendizagem se da através da descoberta de diferenças e semelhanças entre objetos, imagens, idéias e representações e Estágio da adolescência (a partir dos 11 anos de idade), quando o recurso principal da aprendizagem volta a ser a oposição ao outro, aprofundando-se idéias, sentimentos e valores.

Para a organização das atividades escolares, Wallon chama a atenção para três aspectos importantes: a Solidariedade, valor que visa o bem-estar de todos e é, essencial para a convivência e sobrevivência humana. A dimensão temporal das atividades, onde a aprendizagem de cada criança segue sempre em direção ao futuro, porém em ritmos diferentes, conforme as condições orgânicas e sociais de cada uma delas em cada momento. E finalmente, a dimensão espacial, onde é preciso que a criança tenha espaço suficiente que permita liberdade de movimentação de forma confortável.

Para Wallon é preciso lembrar sempre que “a aprendizagem e o ensino, juntos, formam um processo único que se caracteriza por movimentos de fluxo e refluxo, de idas e voltas, de certezas e incertezas, de decisão e indecisões”. Cabe ao professor acolher as manifestações motoras e afetivas dos alunos e desenvolver a auto-estima dos alunos como um sentimento de ser capaz de realizar as atividades propostas. Para Wallon, trabalhar a auto-estima significa fazer com que o aluno “aprenda, perceba que aprendeu, sinta orgulho de ter aprendido e, a partir daí, sinta-se capaz de aprender mais”.

10 maio 2010

Direito Autoral

1) O que é direito autoral?

Direito Autoral é o direito de autor e os que lhes são conexos.


2) Qual o nº da lei que regulamenta o direito autoral no Brasil?

A lei que regulamenta o direito autoral no Brasil é a Lei Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.


3) O que é necessário para reproduzir trechos ou a obra de outra pessoa?

Para se reproduzir trechos ou a obra de outra pessoa é necessária a autorização prévia e expressa do autor.


4) Explique o conceito de Pirataria Intelectual?

Trata-se de Pirataria Intelectual, a utilização e reprodução não autorizadas de obras intelectuais (marcas, patentes e obras literárias, artísticas e científicas) com finalidade de lucro, podendo gerar bilhões de prejuízos aos titulares dos direitos e aos mercados estabelecidos.


5) Quais punições são previstas para quem reproduz ilegalmente uma obra?

No Brasil, além da pena de reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, e da apreensão da totalidade dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos, existe também a possibilidade de apreensão dos equipamentos, suportes e materiais que possibilitaram a sua existência, desde que se destinem à prática do delito.

Na esfera cível, o infrator estará sujeito ao pagamento de indenização que pode chegar até ao valor de 3.000 (três mil) exemplares por título reproduzido ilegalmente, além dos apreendidos.


6) Um livro com edição esgotada pode ser reproduzido independente de autorização?

Reprodução é a cópia de um ou mais exemplares de uma obra literária, artística ou científica. Contrafação é a cópia não autorizada de uma obra. Sendo assim, toda reprodução é uma cópia. E cópia sem autorização do titular dos direitos autorais e/ou detentor dos direitos de reprodução constitui contrafação, ato ilícito civil e penal.

Fonte (Questões 1, 2 e 3): http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm
Fonte (Questões 4, 5 e 6): http://www.abdr.org.br/faq.html

2) Resuma em até 500 palavras o artigo “Direitos autorais na Internet” de autoria de Plínio Martins Filho, disponível no site Scielo, no seguinte endereço eletrônico:

Em seu artigo “Direitos autorais na internet”, Plínio Martins Filho explica que os direitos autorais se referem ao patrimônio imaterial que é a principal característica da propriedade intelectual, estando presentes nas produções artísticas, culturais, científicas, entre outras. Como as obras intelectuais se difundiram pelos meios de comunicação mundo afora nasceu a necessidade de se proteger os direitos autorais.

No Brasil, a Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 alterou, atualizou e consolidou a legislação sobre os direitos autorais, que se refere aos direitos de autor e os que lhes são conexos (artistas, intérpretes, produtores fonográficos, executantes etc.).

Martins Filho afirma que a grande expansão da internet gerou grandes debates a cerca da regulamentação dos materiais que circulam por ela, uma vez que qualquer pessoa pode acessá-las. De qualquer forma, as obras intelectuais, sejam livros, vídeos, filmes, fotos, ente outros não perdem seus direitos à proteção mesmo quando digitalizadas.

Todo material na internet que apresente originalidade e criatividade não pode ser utilizado ou reproduzido sem prévia autorização. Porém, assim como a cópia xerográfica é utilizada ilegalmente em instituições educacionais, muito material digitalizado é manipulado na internet sem conhecimento de seus autores, burlando-se a lei dos direitos autorais.

Faz-se assim necessário a criação de legislação especifica para a internet, um código universal que seja plenamente funcional.


Explique os seguintes tipos de citações:

a) Citação Direta ou Textual:

“Quando há uma cópia literal, é uma citação textual ou direta, isto é, uma transcrição de textos de outros autores. Reproduzimos literalmente a palavra do autor, respeitando todas as características de redação, ortografia e pontuação do texto original. E, quando a citação for no corpo do texto, devemos transcrever a palavra do(a) autor(a) utilizando "aspas"” .

b) Citação Indireta ou Conceitual:

“Esta forma ocorre quando o autor do texto (quem está escrevendo) reproduz as idéias e as informações de um determinado documento sem transcrever as palavras do autor do texto original. Isto é, ocorre quando lemos um determinado texto, entendemos e escrevemos com as nossas palavras, dando a referência do autor utilizado. Ou quando fazemos paráfrase”.

Fonte: www.unimep.br/~gmarques/referenciabibliocitacoes.doc

25 abril 2010

Pedagogia da Autonomia - Paulo Freire

Paulo Freire inicia seu livro "Pedagogia da Autonomia" com algumas reflexões sobre a questão da educação. Retoma assuntos já tratados em outros momentos, repensa alguns tópicos que já escreveu anteriormente. Um deles é o fato de acreditar que o ser humano é um ser inconcluso, que está em constante movimento e este é um dos eixos que perpassa em vários momentos nesta importante obra. No primeiro capítulo do livro, intitulado "Não há docência sem discência", Freire afirma que o professor no ato de ensinar também aprende e o aluno no ato de aprender também ensina. Educandos e educadores precisam ser "criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes". O educando precisa ser o sujeito da construção e da reconstrução do conhecimento.

Em "Ensinar não é transferir conhecimento", segundo capítulo do livro, Paulo Freire reflete sobre algumas questões importantes: O respeito à autonomia do educando, o fato do professor não poder ser autoritário demais e nem licencioso demais; A necessidade do uso do bom senso em sala de aula, respeitando a autonomia, a dignidade e a identidade do educando; E a importância do respeito à curiosidade de quem aprende, pois é ela que faz as coisas se movimentarem. A inquietação que leva o educando a buscar respostas e, portanto, aprender.

Finalmente, no último capítulo do livro, "Ensinar é uma especificidade humana", Freire levanta as questões da competência profissional, da segurança no ato de ensinar e da necessidade de se ter generosidade para com o aprendiz. A especificidade do ato de ensinar, como particularidade do ser humano, aparece no momento que a educação é vista como uma forma de "intervenção no mundo". Através da educação podem-se questionar os valores dos grupos dominantes da sociedade e dizer não aos "fatalismos quiestistas". Ao término da leitura do livro de Paulo Freire, pode-se chegar à conclusão de que, por ser inconcluso, o ser humano está em constante movimento. Este movimento se dá através da educação que é estimulada pelo educador, que coloca o educando como ser autônomo, instigando sua curiosidade em busca de aprender com a própria prática e intervindo em sua realidade. O ato de poder intervir em sua realidade que faz o ser humano se tornar ser humano.

11 abril 2010

Análise Crítica sobre Legislação para Alunos com Necessidades Especiais



1- Quais são as diferenças entre o professor capacitado e o professor especializado?

Segundo a Resolução CNE/CEB Nº 2, São considerados professores capacitados para atuar em classes comuns com alunos que apresentam necessidades educacionais especiais aqueles que comprovem que, em sua formação, de nível médio ou superior, foram incluídos conteúdos sobre educação especial adequados ao desenvolvimento de competências e valores para:
I – perceber as necessidades educacionais especiais dos alunos e valorizar a educação inclusiva;
II - flexibilizar a ação pedagógica nas diferentes áreas de conhecimento de modo adequado às necessidades especiais de aprendizagem;
III - avaliar continuamente a eficácia do processo educativo para o atendimento de necessidades educacionais especiais;
IV - atuar em equipe, inclusive com professores especializados em educação especial.

São considerados professores especializados em educação especial aqueles que desenvolveram competências para identificar as necessidades educacionais especiais para definir, implementar, liderar e apoiar a implementação de estratégias de flexibilização, adaptação curricular, procedimentos didáticos pedagógicos e práticas alternativas, adequados ao atendimentos das mesmas, bem como trabalhar em equipe, assistindo o professor de classe comum nas práticas que são necessárias para promover a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais.
Os professores especializados em educação especial deverão comprovar:
I - formação em cursos de licenciatura em educação especial ou em uma de suas áreas, preferencialmente de modo concomitante e associado à licenciatura para educação infantil ou para os anos iniciais do ensino fundamental;
II - complementação de estudos ou pós-graduação em áreas específicas da educação especial, posterior à licenciatura nas diferentes áreas de conhecimento, para atuação nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio;



2- Como a Libras é tratada nos documentos?

A Resolução CNE/CEB Nº 2, de 11 de setembro de 2001, institui diretrizes para o atendimento escolar de alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, dentro da Educação Básica. Dentre os vários grupos que são citados como educandos com necessidades educacionais especiais, encontram-se aqueles que possuem dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicáveis.Desta forma, deve ser assegurada, no processo educativo, a acessibilidade aos conteúdos curriculares, mediante a utilização de linguagens e códigos aplicáveis, como o sistema Braille e a língua de sinais. Tudo em consonância com os princípios da educação inclusiva.

Em 22 de abril de 2002, a Lei Nº 10.436 dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais, Libras, reconhecendo-a como meio legal de comunicação e expressão, entendendo-a como um sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria e constituindo-se como um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas no Brasil. O poder público em geral e as empresas concessionárias de serviços públicos devem garantir formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Libras, que passa a fazer parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).

O Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais orientando sobre: a sua inclusão como disciplina curricular; a formação de professores e instrutores de Libras; o uso e a difusão da Libras e da Língua Portuguesa para o acesso das pessoas surdas à educação; a formação de tradutores e intérpretes de Libras-Língua Portuguesa; a garantia do direito à educação e à saúde das pessoas surdas ou com deficiência auditiva.



3 - Existe garantia do uso da LIBRAS para o aluno surdo?

A partir do Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, a Libras passa a ser disciplina obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior. Os sistemas e as instituições de ensino da educação básica e superior devem incluir o professor de Libras em seu quadro de magistério. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva em escolas e classes de educação bilíngüe, na educação infantil e em escolas bilíngües ou escolas comuns para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio e ensino profissional. Devem também proporcionar, aos mesmos, serviços de tradutor e interprete de Libras-Língua Portuguesa em sala de aula e outros espaços educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à comunicação, à informação e à educação.



4 - Qual o papel do tradutor e do intérprete de LIBRAS?

Exerce a função de tradutor e interprete de Libras-Língua Portuguesa que é distinta da função de professor docente. Pode ser um profissional ouvinte, de nível superior, com competência e fluência em Libras e realiza a interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva, e com a provação em exame de proficiência, promovido pelo Ministério da Educação, atuando em instituições de ensino fundamental, ensino médio e de educação superior. Pode também ser um profissional surdo, com competências para realizar a interpretação de línguas de sinais de outros países para a Libras, para atuação em cursos e eventos.



5- Os professores das salas regulares conhecem a LIBRAS?

Pelo que acompanho na rede estadual de ensino, a grande maioria do professores das salas regulares sabem da existência da Libras, mas não conhecem ou tem proficiência em seu uso. Na verdade, conheci apenas uma professora que fez o curso de Libras, através da Secretaria Estadual de Educação. Porém, pelo que percebo, a maioria dos professores não tem interesse em fazer o curso. Muitos não sabem que o curso de Libras é institucionalizado por lei.


6- Fazem uso da LIBRAS com os alunos surdos?

Na escola que trabalho não temos casos de alunos com surdez ou deficiência auditiva. Como a maioria dos professores da rede estadual não está aptos a utilizar a Libras, acredito que muitos dos alunos surdos acabam tendo seu aprendizado comprometido pela dificuldade da comunicação.


7- Nas escolas que têm alunos surdos, as leis estão, de fato, sendo cumpridas?

Não tenho este dado. Fica difícil opinar. Porém, pela pouca divulgação de casos de alunos com surdez e escolas que os acolhem, acredito que as leis estejam sendo cumpridas de forma precária.


8 - Nessas salas existem intérpretes?

Nunca ouvi falar sobre a existência de tradutores de Libras-Língua Portuguesa trabalhando nas salas de aula.


9 – Qual é a situação do aluno com surdez na sala de aula regular?

Acredito que a situação do aluno com surdez nas salas de aula regulares deva ser critica. As escolas públicas carregam uma série de problemas, como salas de aula super lotadas, falta de professores e falta de equipamentos e materiais didáticos. A coisa não deve ser diferente quando se fala em investimentos para os alunos surdos. Por outro lado, sei que o governo do estado de São Paulo investe em material didático com letras ampliadas ou com o uso de Braille, além de cursos de capacitação em Libras para docentes.