07 junho 2009

Reflexões à partir de Maria Montessori

(Atividade) " A professora não pode só ensinar . Ela deve saber ver dentro da alma , para ajudar a criança no seu desenvolvimento . Ela deve formar a personalidade, não só pelo ensino, mas falando à sua alma ,ao seu espírito , à sua inteligência , com compreensão ,humildade e respeito. Esta compreensão não pode sair senão de um espírito eleito ,refinado , que saiba aprofundar os problemas da humanidade. " (Maria Montessori - Revista Memória da pedagogia- n.3)


Maria Montessori revolucionou a educação no mundo , trazendo um outro olhar para a criança. Também o papel do educador muda , pois ela o vê como uma referência, um modelo na educação da criança, o que exige dele uma auto-análise constante de sua atuação em sala de aula. Como você acha que seria possível fazer esse exercício diário ,levando em conta os prazos, horários e pressões da vida moderna? Como o professor pode buscar esse auto-conhecimento , tão importante para sua formação ?


(Opinando 1): Na minha opinião "amar a sua profissão" é um processo construído ao longo do tempo. Confesso que inicialmente eu não gostava muito de lecionar, lidar com crianças e adolescentes. Hoje, quando percebo alguns resultados positivos que foram sendo conquistados ao longo do tempo, vejo o quão prazerosa é a nossa profissão. Quanto mais vamos atuando, mais vamos sentindo o gostinho bom de gostar de educar, mais seguros vamos ficando, melhor vamos direcionando nossas ações e, conseqüêntemente, nossa auto-estima se eleva e, assim, passamos a amar o que fazemos.

(Opinando 2): Precisamos sempre abrir um espaço em nossas aulas para essa troca de afeto e experiências, corrigir posturas e orientar sobre boas maneiras. Acredito que, com a experiência, esta forma de agir se torna praticamente parte da aula.

Porém, em casos extremos, podemos parar completamente o assunto que estivermos trabalhando e dialogar sobre questões como indisciplina, problemas familiares, financeiros, entre outros. Nem sempre o conteúdo da aula é o mais importante em dado momento e abrindo esses espaços para discussão poderemos ganhar a confiança dos alunos que passarão a ser mais participativos.

Afinal, em tese, o aluno precisa confiar "cegamente" que o conteúdo que estamos passando é verdadeiro. Se tivermos de antemão a confiança dele, meio caminho estará andando.

(Opinando 3): Sabe que certa vez participei de uma atividade com vários coordenadores pedagógicos, sendo que em meu grupo ficou uma coordenadora que já trabalhava há anos com crianças excepcionais.

A atividade consistia em identificarmos uma criança em cada escola, que trazia algum problema grave, sobretudo de indisciplina e procurar caracterizá-la, sobre seus medos, seus anseios, suas necessidades. Ao comparamos as respostas sobre as crianças "normais" com as excepcionais, percebemos que as respostas eram sempre muito parecidas: os mesmos medos, os mesmos anseios, as mesmas necessidades. O que variava era a forma de cada uma demonstrar cada uma dessas características.

Fiquei surpreso com o resultado final. Nosso grupo concluiu que definitivamente somos todos iguais. Temos perspectivas e medos semelhantes. Talves apenas mude o ritmo de cada um. O ritmo cognitivo e de amadurecimento emocional podem ser desigual, porém, como seres humanos, percebemos que crianças excepcionais se igualando a todas as outras. Afinal, todos somos seres humanos.

(Opinando 4): Eu particularmente, penso da seguinte forma. Não é fácil cuidar da educação dessas crianças que chegam extremamente "chucras" em nossas mãos. E queiramos ou não a realidade é essa. Sobra para a gente educar mesmo. A gente pode cruzar os braços e reclamar, apontar os defeitos. Ou então, arregaçarmos as mangas e irmos em frente, ou seja, enfrentarmos o desafio de educar esses meninos e meninas que chegam até a gente todos os anos tão desamparadas, tão sofridas e tão rudes.

Não é fácil não. A briga é feia. Muitas vezes, nos casos extremos, temos que ser autoritários mesmo. Darmos broncas, sermões, "chacoalhar" essa molecada. Transformar água em vinho, literalmente. Depois do tratamento de "choque" é que podemos trabalhar a parte cognitiva, de entendimento sobre o que é educação.

Não sei como vocês costumam enfrentar tudo isso. Sei que é muito difícil. É uma luta inglória, mas que a médio e longo prazo dão resultados sim. Pois, com o tempo, você consegue se aproximar deles e, finalmente, chegar à sua alma. Entender os problemas e buscar minimizá-los.

Agora, definitivamente, muitos pais não estão nem aí mesmo. Sobra para a gente mesmo. Já escutei a seguinte fala: "Esses pais são todos uns folgados, eles não dão jeito em seus filhos e querem que a gente dê".

E vou ser sincero, em muitos casos a gente até consegue. Mas é uma luta muito difícil. Em outros momentos, a gente percebe que não tem jeito mesmo e deixa que a própria vida vai se encarregar do futuro deles.

(Opinando 5): Gostaria de responder essa atividade relatando um caso que aconteceu essa semana comigo.

A mãe de uma aluna de 5ª série (6º ano) veio conversar comigo preocupada com a filha que esteve faltando na escola nas duas últimas semanas. Ela chegava até a porta da escola, começava a chorar e ia embora para casa.

Conversando com a mãe, descobri que eles estavam passando por um momento delicado financeiramente e que já não pagavam o aluguel da casa por um bom tempo. A dona do imóvel, depois de insistentes cobranças, certo dia, invadiu a casa, quebrou os móveis e agrediu fisicamente a mãe dessa aluna.

Isso causou um trauma muito grande e insegurança na menina que passou a ter problemas emocionais e não querer mais vir à escola com medo que alguma coisa pudesse acontecer em casa, enquanto sua mãe estivesse por lá.

Conversei com a aluna, falando para ela de forma calma e verdadeira, citando exemplos que acontecem à toda hora com muitas pessoas. Todos têm problemas pessoais e nem por isso deixam de estudar, trabalhar, etc.

Pedi para ela que tentasse ficar naquele dia e fosse fazendo as coisas com calma e se ela se sentisse mal viria falar comigo que eu ligava para a casa da mãe e a mãe viria buscar. Falei para ela fazer as coisas aos pouquinhos, que se no dia seguinte não se sentisse bem, não viria para a escola, mas que tentasse no dia seguinte de novo. Orientei que fosse ganhando confiança aos poucos até o momento que conseguisse voltar de vez. Exatamente como fiz no meu serviço. Falei para ela que, se eu consegui voltar a dar aulas e agora até virei coordenador, ela também conseguiria voltar e terminar não só a 5ª, mas todas as séries subseqüêntes.

Resultado: a aluna a partir de terça-feira não mais faltou na escola e está se sentindo melhor. Semana que vem vou tentar conversar com ela, se sobrar algum tempo, pois tenho andado atarefadíssimo.

Acredito que não é fácil fazer um trabalho quase que individualizado, enxergando dentro da alma de cada criança e tendo paciência e compreensão com elas, sobretudo por serem muitas (na minha escola são quase 300 alunos do fundamental II) e os problemas de toda a ordem. Porém, sei também que o exemplo que dei a ela, será repassado para outros coleguinhas e outras mães e que em "cadeia" poderá atingir indiretamente outros alunos que estejam com problemas emocionais semelhantes.

Na minha opinião, o ponto de partida é mesmo ser verdadeiro, ter calma ao falar com o aluno, respeito, compreensão e humildade. Outra coisa importante é rever o que foi feito antes em situações parecidas e perceber o que deu certo ou errado. Em alguns momentos, é vantajoso gastar um pouco do precioso tempo resolvendo uma questão como essa, pois se eu não fizesse isso agora, a coisa poderia se agravar e traria outros tipos de conseqüências.

As leituras que tenho feito durante esses quase dois meses de curso tem me ajudado muito. Aprender mais sobre educação, estudar, faz a gente refletir, repensar situações e ter posturas diferentes. Isso ajuda muito na busca do auto-conhecimento e corrige nosso comportamento durante a atuação profissional. Outra coisa que também acredito ser importante é participar dos fóruns aqui, falar as coisas que pensamos, sentimos, como agimos, pois no processo de relatar algo, estamos aprendendo e revendo conceitos também.

(Opinando 6): Realmente, é necessário muita sensibilidade e jogo de cintura. Sabe, esse é um exemplo dos diversos casos de problemas famíliares que a gente escuta todos os dias.

Mas tem o outro lado da moeda também. Existem muitos alunos danados, espertinhos, debochados e que precisam de limites muito bem impostos. Quando se juntam em sala de aula podem colocar a sala abaixo. Não é fácil não.

Agora, realmente, é muito bom quando a gente consegue chegar à alma da criança e descobrir que conseguimos realmente ajudá-la. Faz um bem muito maior do que se simplesmente eu a tivesse ignorado e continuasse fazendo alguma atividade burocrática.

06 junho 2009

A Criança não é um Adulto em Miniatura

De origem suíça, Jean Piaget estudou como ocorre o desenvolvimento cognitivo nas crianças. Através de observações e testes aplicados em escolas francesas, ele descobriu que as crianças possuem características próprias de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, não podendo ser consideradas como adultos em miniatura. As crianças possuem uma lógica própria de funcionamento mental.

Segundo Piaget, as crianças aprendem de forma ativa, interagindo com o meio, num processo cognitivo de assimilação e acomodação que resultam na equilibração de novos conhecimentos. Assim, Piaget dividiu em quatro as etapas de desenvolvimento cognitivo das crianças: Sensório-Motora (do nascimento aos dois anos de idade); Pré-Operatória (dos dois aos sete anos de idade); Operatório-Concreta (dos sete aos doze anos) e Operatório-Formal (após os doze anos de idade).

Particularmente na etapa pré-operatória é quando surge a linguagem oral e é também quando as crianças passam a usar símbolos, imagens ou palavras que representam coisas e pessoas que não estão presentes em dado momento. Algumas das principais características desta etapa são: O pensamento egocêntrico, onde tudo o que a criança pensa é a partir de seu ponto de vista; o animismo, onde a criança atribui consciência aos fenômenos da vida; o finalismo, onde ela acredita que tudo tem uma finalidade; o artificialismo, a criança acredita que todas as coisas são produtos da fabricação humana, incluindo montanhas e rios; e pensamento dependente da percepção imediata, não tendo noção de conservação, ao se mudar a aparência de determinada coisa, a criança acredita que mudou também a quantidade, a massa, o volume e o peso.

Segundo Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, a criança, na etapa pré-operatória, passa a poder agir por simulação. Na falta do objeto concreto, ela pode fazer representações do mesmo através de interações mediadas por “imagens, lembranças, imitações diferidas, jogos simbólicos, evocações verbais, desenhos, dramatizações” . Por outro lado, as representações realizadas pelas crianças são feitas de forma analógica e justapostas. A criança nessa etapa percebe tudo globalmente e tem dificuldades em fazer analogias sem que se façam análises bem detalhadas das coisas. Macedo explica que “um dos principais objetivos da educação pré-escolar (que engloba a faixa dos dois aos três anos) deveria ser o de ensinar a criança a observar os fatos cuidadosamente, em especial quando estes são contrários aos previstos por ela” . Ele também nos chama a atenção para a necessidade de realização de atividades em duplas e em grupo, sempre desenvolvendo as habilidades de comunicação, onde as crianças possam brincar entre si, falar, discutir, resolver problemas práticos. Segundo o professor da USP, “agora não basta mais à criança realizar as ações, é preciso que ela fale delas para outrem, que as reconstitua por via narrativa e que aprenda a descrevê-las em palavras, quadros, desenhos” .

Dessa forma, Lino de Macedo nos propõem uma série de atividades que podem ser realizadas com crianças na faixa dos dois aos três anos de idade, ou seja, que fazem parte da etapa denominada pré-operatória, segundo as idéias de Piaget. É sempre importante que os professores da pré-escola conheçam as características próprias dessa etapa do desenvolvimento cognitivo das crianças e, assim, possam realizar um trabalho com maior competência. Entender a lógica do funcionamento mental de cada etapa de desenvolvimento das crianças permite ao profissional da educação evitar possíveis erros e adequar suas ações para que o processo de ensino-aprendizagem se realize de forma mais eficaz.

28 maio 2009

Quando se Ensina, também se Aprende

Através da leitura da "Carta de Paulo Freire aos professores - Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra " podemos compreender a importância que a leitura crítica de textos e a leitura crítica do mundo têm para o dia a dia de quem tem como ofício a arte de ensinar.

Para Paulo Freire, o ato de ensinar não se desvincula do ato de aprender. Quando ensinamos estamos revendo conceitos já aprendidos e, portanto, reavaliando e reaprendendo. No diálogo que traçamos com quem aprende também reaprendemos, pois perpassamos caminhos inesperados, perguntas surpreendentes e, muitas vezes, quando realmente nos aprofundamos, percorremos linhas de raciocínio diferentes da nossa, portanto abertas ao novo.

O ato de ensinar, como diz Paulo Freire, requer “uma analise crítica de sua prática”. Além disso, o ensinante precisa, antes de tudo, estar capacitado para ensinar e, para tanto, precisa estar sempre se atualizando, aprendendo, estudando. O ato de estudar implica em refazer a leitura de mundo e das palavras, reavaliarmos conceitos e visões de mundo e, conseqüentemente, enriquecer nossos conhecimentos acrescentando novas leituras de conceitos já estabelecidos.

Nesse contexto, Freire acredita que prática e teoria devem caminhar sempre juntas e nunca desvinculadas uma da outra. Através dos conhecimentos que já temos e daqueles sistematizados pelo homem podemos fazer um confronto com o novo, refletirmos e assim remodelá-los de forma crítica, trazendo à tona novos conhecimentos e descobertas.

Paulo Freire é contra a transferência mecânica de conhecimentos, cujos conteúdos ficam desvinculados da realidade do aprendiz. Para ele é necessário que o aprender se realize de forma critica, levando-se em consideração a linguagem simples (conceitos criados na cotidianidade do aprendiz) e a “linguagem difícil” (conceitos abstratos, já sistematizados). Ao juntarmos o contexto (linguagem simples ) com o texto (linguagem difícil) possibilitaremos uma compreensão mais exata do objeto que estamos estudando e de sua relação com outros objetos. Freire ressalta que essa compreensão do objeto estudado não vem como milagre, mas ela “é trabalhada, é forjada” num “trabalho paciente, desafiador, persistente”. Ou seja, aprender requer muito esforço por parte de quem aprende.

Outro aspecto importante levantado por Paulo Freire está no equívoco que cometemos ao dicotomizar o ato de ler e o ato de escrever. Para ele, ler e escrever são “processos que não se podem separar” e deveriam ser aprendidos dessa forma inseparável desde a alfabetização para que, já na pós-graduação, o ato de escrever não fosse um martírio para muitos estudantes que redigem suas monografias. Ainda segundo o estudioso da Educação, “isso lamentavelmente revela o quanto nos achamos longe de uma compreensão crítica do que é estudar e do que é ensinar”.

Como sempre, Paulo Freire nos abre perspectivas que, mesmo na nossa frente, muitas vezes não conseguimos enxergar. No ato de ensinar o professor está sempre aprendendo e é importante que esteja sempre se atualizando, estudando, lendo para poder refletir criticamente sobre suas ações educativas e assim poder melhorar seu fazer docente. É importante também, que estejamos sempre levando em consideração o conhecimento informal do aluno como forma de facilitar a assimilação do conhecimento formal e assim, fazendo sua leitura de mundo junto com a leitura da palavra possa ter uma visão crítica da realidade que o cerca.

17 maio 2009

Economia Solidária? Alternativa para o futuro?

No final do mês de abril tive a oportunidade de conversar com uma mestre em educação que, especificamente, fez sua dissertação de mestrado a respeito de gestão escolar e, particularmente, abordou, em certo momento, a forma que a escola onde trabalho é gerida.


Claro que fiquei com os neurônios literalmente queimando ao conversar com alguém como ela. Muito inteligente e culta. Mas certamente foi um momento de muita aprendizagem e prazer.

Em nossa conversa, acabamos entrando na questão do discurso utilizado por professores e gestores que serve como alavanca para o ensino e perspectiva de futuro para os estudantes. Ou seja: Por que estudar? Para que estudar? Que futuro nossos alunos esperam da vida?

A maioria de nós ainda utiliza como resposta o mesmo discurso: "É preciso estudar muito para ser alguém na vida. Somente com muito esforço e estudo você vai conseguir um bom emprego, ganhar bem e se destacar na sociedade. Somente estudando é que um dia você vai chegar lá."

Mas será que esse discurso de fato serve para todo mundo? Dá certo com todos? Existe igualdade de condições tanto para o aluno da escola pública, quanto para o aluno da escola particular? Um grupo de alunos de baixa renda terá as mesmas chances e perspectivas de um grupo de alunos de alta renda se os esforços forem exatamente iguais nos dois grupos? Ou leva vantagem quem tem o poder econômico e faz parte de uma elite que abre as portas para empregos, relacionamentos, tempo para dedicação aos estudos, entre outros?

O tema que mais me chamou a atenção e que acredito ser um dos mais importantes em Sociologia da Educação foi mesmo a "Sociologia Crítica". Enxergar o mundo através dessa visão não é fácil. Porém, somente entendendo de forma crítica a realidade é poderemos propor mudanças e decidirmos o que pretendemos manter.

Não estou com tudo isso falando que não sou a favor do esforço e dedicação aos estudos para conseguir uma projeção econômica-social. O que quero deixar claro é que este modelo funciona somente para uma pequena parcela da população. Não existe igualdade de condições. E o pior, usar esse discurso em uma escola para alunos de baixa renda pode ser entendido, em muitos momentos, como um discurso vazio. Pois sabemos que a maioria, de fato, não chegará lá.

Neste momento é preciso parar para refletir. Pensar sobre a nossa relação com o mundo/sociedade e o que de fato queremos para o nosso futuro. Quais os nossos valores? O que entendemos por felicidade e bem estar? E, assim, poderemos, quem sabe, encontrar um modelo alternativo.

Acredito que as respostas para todas essas questões, dentro da escola pública, passam sim por continuar se esforçando e se aprofundando nos estudos. Porém, o que muda é o foco. O objetivo, agora, talvez seja encontrar esse modelo alternativo, menos desigual, onde a violência e a pobreza sejam menores. Onde se possa ter uma qualidade de vida boa, se não for para todos, mas pelo menos para a grande maioria.

Conversando com aquela mestra consegui organizar algumas idéias que ainda estavam embaralhadas. Ainda não sei exatamente que caminho e que discurso deveriam ser seguidos. A professora de Sociologia do curso de Pedagogia sugeriu leituras a respeito da Economia Solidária que me parece uma alternativa muito interessante.

Apenas uma certeza parece estar clara: somente continuando os estudos e se aprofundando é que poderemos encontrar respostas para todas essas questões.



14 maio 2009

Planejamento e Avaliação


Introdução

Planejar pode ser definido como uma série de ações que fazemos previamente, no campo das idéias, com o intuito de atingir um determinado objetivo. Quando realizamos uma viagem, por exemplo, planejamos em que lugar gostaríamos de ir, que pontos turísticos queremos visitar, onde vamos nos hospedar, quantos dias ficaremos ali, quanto dinheiro iremos gastar e assim por diante. O planejamento deve ser feito sempre com o máximo de detalhes possível, porém, existe certo momento em que é necessário colocá-lo em prática. Como nos ensina Amyr Klink, conhecido velejador brasileiro das águas frias desse planeta, “existe um tempo para melhorar, para preparar e planejar; igualmente existe um tempo para partir para a ação” [1] .

Além de conter detalhes importantes das formas que iremos executar determinadas ações para atingir determinados objetivos, o planejamento deve também estar aberto aos imprevistos. Muitas vezes, situações que não prevíamos aparecem no nosso caminho e, por outro lado, descobrimos que nem tudo que foi planejado poderá ser executado. Vejamos a curiosa forma de planejar viagens à bordo de uma Kombi que o casal de descendentes de japoneses, Mitsuoki e Yurico Suwabe, conhecidos como Casal Kombi, tem a nos exemplificar: “Costumamos calcular a distância entre as cidades para saber onde vamos parar. O roteiro nunca é seguido à risca: se há, por exemplo, uma cachoeira no caminho e ela não estava nos planos, fazemos uma pausa” [2] .


Desenvolvimento do Tema e Opinião

Esses exemplos de viagens nos ajudam a elucidar a importância que o ato de planejar tem para a boa realização de determinada atividade. Assim, podemos estender o assunto para os meandros da educação, buscando compreender como se dá o planejamento na escola, a sua importância, suas formas e também a relação que o planejamento tem com o ato de avaliar resultados.

No artigo “Ensinar bem... É saber planejar” , aprendemos que na escola “o planejamento é a etapa mais importante do projeto pedagógico, porque é nela que as metas são articuladas às estratégias e ambas são ajustadas às possibilidades reais” [3]. Segundo esse mesmo artigo existem, nas escolas, três tipos de planejamento: o plano da escola, o plano de ensino e o plano de aula. O primeiro, mais geral, articula os objetivos da escola com o sistema educacional mais amplo, no que podemos denominar de Projeto Político Pedagógico. O plano de ensino, que pode ser anual, trimestral ou bimestral, conforme o regimento interno de cada escola, determina as ações que cada disciplina executará por um período mais longo dentro do contexto escolar. Já o plano de aula nos mostra o que será feito dia-a-dia em sala de aula.

José Mário Pires Azanha, em artigo de Denise Pellegrini, afirma que no planejamento avaliamos “quais são os principais problemas e o que é possível fazer para resolvê-los” [4]. Ou seja, é necessário que, ao fazer o planejamento com a equipe escolar, estejamos cientes dos problemas e dificuldades que aflige os alunos e comunidade do entorno da escola e assim possamos propor ações de forma a solucioná-los. Para Jamil Cury, citado no mesmo artigo, “ao propor ações que dêem respostas às necessidades e aos anseios da comunidade escolar, define-se o perfil, o jeito, a marca. Um trabalho capaz de atender às exigências de todos – respeitando, obviamente, as responsabilidades de cada um”.

Após o fim de um ano letivo e a execução dos planos idealizados, chega o momento de se avaliar os resultados, buscando entender o que deu certo ou não, quais os objetivos alcançados e o que precisa ser melhorado. A avaliação deve ser um ato tanto individual, em cada disciplina, mas, sobretudo, um ato coletivo. Portanto, o ato de planejar é também um ato de re-planejar, pois sempre leva - ou deveria levar - em conta situações que ocorreram anteriormente, experiências prévias. Dessa forma José Cerchi Fusari, professor da Universidade de São Paulo, explica que “a principal função do planejamento é construir, desestruturar e reconstruir o projeto político-pedagógico da escola” [5] .

Percebemos, portanto, que o planejamento é um processo dinâmico, que vai se alterando conforme o tempo e conforme as necessidades da comunidade escolar e do seu entorno. Nem tudo que é planejado é possível de ser executado e nem todas as metas são plenamente atingidas. Daí a necessidade de se avaliar o que foi feito e re-planejar as ações para o ano seguinte. Para Cipriano Carlos Luckesi, doutor em Filosofia da Educação, “a avaliação poderia ser compreendida como uma crítica de percurso de uma ação, seja ela curta, seja ela prolongada. Enquanto o planejamento dimensiona o que se vai construir, a avaliação subsidia essa construção, porque fundamenta novas decisões” [6] .

Outro aspecto importante da avaliação, dessa vez de ordem prática no percurso de ensino-aprendizagem, está centrado na idéia de que os alunos possuem ritmos diferentes de aprendizagem, enquanto alguns estão em estágios mais avançados, outros ainda precisam recuperar conteúdos e competências que ainda não alcançaram. Dessa forma, muitos estudiosos da educação nos alertam sobre o perigo de se avaliar nossos alunos de forma tradicional, dando notas boas para aqueles que foram bem nas provas e punindo aqueles que não conseguiram atingir médias razoáveis. Neste momento é necessário que o professor leve em consideração não apenas o quanto os alunos conseguem responder corretamente as questões de uma prova. O professor deve se questionar o “quanto” deve saber cada criança e isso depende de uma série de fatores, como nos mostra Paola Gentile: tudo isso depende “de sua história, dos conhecimentos prévios, da relação com o saber” [7] . Classificar alunos como “bons” ou “maus” conforme suas notas faz um estrago enorme para a auto-estima deles. Para Antoni Zabala, citado por Gentile, “o professor precisa selecionar conteúdos e atividades adequadas para cada turma, conforme suas necessidades particulares” . Deve estar sempre medindo o desempenho dos mesmos e aperfeiçoar as deficiências daquele grupo para, no fim do processo, avaliar de forma qualitativa a evolução daquele grupo e não apenas comparar o desempenho dele com outros ou com as metas, às vezes, arbitrarias e fechadas do plano de ensino. O importante não é que um grupo atinja todos os objetivos propostos em uma dada disciplina, mas sim que se perceba a sua melhoria de acordo com o que já sabiam previamente e assim incentivá-los a enfrentar desafios e comprometê-los com a sua melhoria particular. Nesta visão de processo de ensino-aprendizagem não é justo querer que todos consigam atingir as mesmas metas, que consigam aprender as mesmas competências e conteúdos, se partiram de momentos de aprendizagem diferentes. Alguns, mais adiantados conseguirão se sair melhor, outros ainda atrasados não terão o mesmo êxito. Daí a importância de se levar em consideração o ponto de partida de cada aluno.


Estudo de Caso

Para apresentar um modelo de planejamento, conforme proposição para a realização desta pesquisa, vamos considerar o Projeto Político Pedagógico da Escola Estadual Barnabé, onde o autor deste trabalho atua desde o ano de 2001 e centralizar a análise nos planos de ensino e avaliações que a professora de Inglês, desta mesma unidade escolar, realizou durante o ano de 2008 para a 5ª série do ensino fundamental.

É importante ressaltar que o Projeto Político Pedagógico da escola – que aqui consideramos como sendo o Plano da Escola, conforme classificação citada anteriormente - é norteado pela Prosposta Curricular desenvolvida pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e que, por sua vez, é fundamentada na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) do governo federal.

A partir da proposta curricular do Estado de São Paulo, especifica da disciplina de inglês, e levando-se em consideração o Projeto Político Pedagógico da Escola Barnabé, foram montados os planos de ensino para cada um dos quatro bimestres da disciplina de Inglês para as quintas-séries da escola. Cada plano de ensino está dividido em cinco partes:

1. Objetivo: Competências e habilidades a serem desenvolvidas;
2. Conteúdos: Assuntos a serem trabalhados;
3. Procedimentos Metodológicos: Formas que os conteúdos serão executados para se atingir os objetivos;
4. Recursos Pedagógicos: Recursos utilizados durante as aulas;
5. Avaliação: Formas de avaliação para se analisar o desempenho dos alunos.

Ao analisar os planos de ensino bimestrais e as cadernetas de registro de classe da referida professora, podemos entender como funciona a dinâmica entre o que deve ser aprendido e como se leciona. Nos Planos de Ensino são colocados os objetivos a serem alcançados em determinado bimestre, que por sua vez são baseados no Caderno do professor – outro instrumento orientador das ações de aprendizagem na sala de aula, editado pelo governo estadual de São Paulo. Exemplificando, no primeiro bimestre, uma das competências a serem desenvolvidas nos alunos, constante do Plano de Ensino da professora, era a de “engajar-se em pequenos diálogos de trocas de cumprimentos e despedidas: formais e informais”. No dia 11 de março, a professora registrou na caderneta de classe, da 5ª série B, ter realizado a seguinte atividade: “Saudações de acordo com as partes do dia. Atividades orais e escritas”. No Caderno do Professor, a primeira Situação de Aprendizagem – plano de aula – intitulava-se: “Greetings and Leave-taking”, referindo-se exatamente aos cumprimentos e despedidas e mostrando as estratégias de ensino e os recursos necessários para os mesmo. Dentro do Projeto Político Pedagógico da Escola, intitulado de Proposta Pedagógica, encontramos a seguinte fala: “o professor, além da preparação do aluno, direta e intencionalmente, será um estimulador do processo de descobrimento da realidade, propiciando-lhe a construção do seu próprio conhecimento, estabelecendo relações com o já construído através dos tempos, pela sociedade”.

Podemos perceber assim, a existência de um diálogo importante no planejamento das atividades da disciplina de inglês para quinta série do ensino fundamental da Escola Estadual Barnabé, que engloba as diversas escalas desse processo de planejamento. Indo desde o Projeto Político Pedagógico que se articula aos Planos de Ensino e aos Planos de Aula e chegando às situações de aprendizagem aplicadas pela professora em sala de aula. Essa articulação parece conseguir bons resultados, pois no primeiro bimestre de 2008 houve apenas duas “notas vermelhas” – resultados negativos - em trinta alunos matriculados na turma de 5ª série B.

Analisando o Plano de Ensino do primeiro bimestre de Inglês, percebemos também que os procedimentos metodológicos, utilizados pela professora, deixam as aulas mais dinâmicas. Ao se observar suas aulas, confirmamos que a mesma faz uso, na prática, de tais procedimentos. São eles: práticas orais em grupo, leitura dirigida, diálogos e apresentação de vocabulário e funções comunicativas. Os procedimentos metodológicos propostos pela professora vão ao encontro das Estratégias de Ensino propostas no caderno do professor que incluem: jogos de sensibilização; práticas orais em grupo; leitura dirigida; música (opcional).

Em relação à avaliação, percebemos que existe uma consonância entre o que a professora executa e o que é proposto pelas diretrizes governamentais, bem como o que a professora prioriza nos Planos de Ensino. Observando a caderneta de classe, podemos perceber que em várias atividades, a professora fez uso de dinâmicas orais e escritas que resultaram em uma nota denominada de “desempenho” onde todos os alunos conseguiram obter “notas azuis”, ou seja, resultados positivos. Por sinal, esses “registros de participação dos alunos” contribuem para que se consiga ter uma visão geral e continua do desempenho individual de cada aluno. Outro detalhe que vale ressaltar foi que a professora, ao longo do bimestre, retomou os assuntos abordados naquela primeira situação de aprendizagem, através de atividades diversificadas: ora trabalhando com folhas de atividade para “preencher balões”, ora através de “atividades orais usando o vocabulário e a estrutura frásica já aprendida”. Comprovando, assim, que a avaliação/recuperação continua é uma forma eficaz de se obter bons resultados com os alunos, vide o bom desempenho em suas notas finais.


Conclusões

O planejamento é um instrumento importante para guiar as ações da equipe escolar durante o ano letivo. Com ele podemos determinar os objetivos que queremos atingir, assim como as formas que iremos utilizar para alcançar esses objetivos. Todo planejamento deve levar em consideração os anseios de alunos e comunidade do entorno da escola e deve estar articulado ao Sistema de Ensino ao qual a escola faz parte.

O ato de planejar é também um ato de avaliar. Quando planejamos, levamos em consideração conhecimentos prévios, coisas que deram certo ou errado em anos anteriores e, portanto, que devem ser revistos na aplicação do ano corrente. Esses pressupostos se estendem também para o ritmo de cada disciplina em cada bimestre do ano letivo. É necessário que o professor esteja sempre avaliando a aprendizagem dos alunos, suas dificuldades e, assim propor mudanças de ações se os resultados não estiverem sendo satisfatórios.

Ao analisar os planos de ensino e as ações, em sala de aula, de uma professora em particular, foi possível entender como se articula o planejamento e o processo de ensino-aprendizagem em uma sala de aula.

No caso específico estudado, pode-se perceber que o processo de ensino-aprendizagem realizado por uma professora de inglês em uma escola da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo, garantiu bons resultados de aprendizagem a seus alunos, graças à dinâmica realizada pela professora no cotidiano da sala de aula. Os “registros de desempenho dos alunos”, realizados por essa professora, durante o período de todo um bimestre comprovam a importância de se acompanhar todo o processo do desenvolvimento de aprendizagem dos alunos. Pois, possibilita verificar a defasagem que possa estar acontecendo com alguns deles. Por outro lado, a revisão de conteúdos com aplicações de atividades diversificadas nos mostrou que os alunos aprendem melhor, uma vez que o desempenho dos mesmos foi considerado bom.

Assim sendo, os processos de planejar e avaliar devem ser constantes e estar presentes em todas as instâncias de uma escola, desde o Projeto Político Pedagógico até o dia a dia da sala de aula. Somente com o planejamento, muita reflexão e avaliações críticas é que poderemos melhorar a qualidade de ensino das escolas.

[1] Gestão de Sonhos: riscos e oportunidades: Entrevista de Amyr Klink a Sérgio Almeida. Salvador, BA: Casa da Qualidade, 2000. pg 15.

[2] Se essa Kombi falasse. Revista Viagem e Turismo. Edição 93. Editora Abril, julho de 2003. Disponível em: http://www.geocities.com/casalkombi . Seção Imprensa. Acesso em 09/05/2009.

[3] http://novaescola.abril.com.br

[4] Que escola queremos? Denise Pellegrini. http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/158_dez02/html/proposta_pedagogica.

[5] Idem.

[6] Planejamento e Avaliação na Escola: articulação e necessária determinação ideológica. Disponível na Plataforma do Curso de Pedagogia da Unimes Virtual.

[7] Avaliar para crescer. Texto disponível na Plataforma do Curso de Pedagogia da Unimes Virtual.

[8] Idem.

26 abril 2009

Educação Formal e Conhecimento Popular

Acredito que a escola e a comunidade se relacionam através da educação formal e do conhecimento popular. Na escola, de forma geral, aprendemos, através das diversas disciplinas, os conteúdos com base científica. Por outro lado, os alunos trazem através de suas vivências um rico conhecimento do dia a dia, o que chamo aqui de conhecimento popular.



Quando um professor consegue conciliar a bagagem cultural que o aluno trás de casa com o conhecimento formal representado pelo conteúdo de sua disciplina, transformando informação em conhecimento, acredito que a relação entre a escola e a comunidade é verdadeiramente produtiva. As vivências cotidianas são enriquecidas pelo conhecimento científico e este passa a dar sustentação para aquelas.


O conhecimento da Sociologia tem uma grande importância no dia a dia do professor, pois nos ajuda a entender a diversidade humana e a forma como nos relacionamos com a sociedade e com o meio em que vivemos. Refletindo e conhecendo esta relação, poderemos propor e incorporar mudanças para tornar o convívio em sociedade mais saudável.


A educação é fundamental não somente para adquirirmos mais conhecimento, mas para que possamos contribuir na construção de um ambiente e uma sociedade mais agradável para se viver. Conhecendo como fomos e entendendo como somos, poderemos ajudar na construção de uma sociedade mais feliz.

23 abril 2009

Tecnologias Digitais e Educação

Outro dia eu estava pensando: como as novas tecnologias digitais atraem a atenção da molecada. Eles são experts em usar aparelhos de MP3, celulares com Bluetooth, jogos digitais, internet, MSN, blogs, orkut e assim por diante.

O interessante é perceber que aprendem essas coisas com muita facilidade. Porém, o que mais impressiona mesmo é ver que muitas vezes aprendem de forma autônoma, pesquisam, vão atras das informações, querem se apronfundar, aprendem de forma não linear, além disso, ensinam uns aos outros, ou seja multiplicam conhecimento.

Falando objetivamente, para essas tecnologias digitais, de uma forma geral, eles são os estudantes que pedimos a Deus: autônomos, concetrados, interessados, esforçados, sempre ampliando seus limites.

Por que será que não fazem isso nas aulas de história, geografia, matemática, ciências etc.?

Acredito que existe uma série de atividades que podem ser conduzidas aliando tecnologias digitais e conteúdos das disciplinas: Montar vídeos com comerciais, entrevistas; Apresentações em power point; Exposições fotográficas analógicas e digitais; Montagem de sites com determinado assunto; Jogos interativos; Criação de blogs; Uso de paródias. Enfim, existe sim uma infinidade de processos educativos que podem aliar o interesse pelas tecnologias digitais dos alunos e os conteúdos curridulares.

O professor, em primeiro lugar, precisa conhecer um pouco dessas tecnologias. Não digo necessariamente saber montar um blog na internet, por exemplo, mas deve saber o que é um blog e suas potencialidades. Deve ter noções de vídeo, de fotografia, de internet etc. Tendo essa base do conhecimento, ele poderá orientar os alunos no uso dessas tecnologias, ajudando-os a sistematizar as informações dos conteúdos de sua disciplina.

Acredito que, a partir de então, existe um mundo de opções pela frente, onde os alunos poderão transformar informações em conhecimento, assimilar conceitos, trabalhar habilidades e competências. Hoje em dia, as tecnologias digitas são essenciais no processo de ensino-aprendizagem.

20 abril 2009

Emília Ferreiro: Educação e Mudanças

Emilia Ferreiro pode ser considerada uma revolucionária da alfabetização. Psicolingüista de origem argentina vem estudando o processo de aquisição da leitura e da escrita. Há cerca de vinte anos, causou polêmica ao explicar como as crianças aprendem, propondo a substituição das cartilhas pela utilização de textos variados, como livros, revistas, jornais, calendários e agendas.


Estudiosa dos sistemas e das tecnologias de escrita, Ferreiro acredita que o significado de saber ler e escrever muda conforme o tempo e as transformações na sociedade. Desde a Grécia clássica até os dias de hoje o seu significado vem se modificando, pois o que se espera do leitor são determinados socialmente. Atualmente, com o advento da internet muitas coisas mudaram. Segundo a pesquisadora, “o trabalho na internet exige rapidez na leitura e muita seletividade, porque não se pode ler tudo o que está na tela”.


Além disso, com a globalização, ela acredita que, ao mesmo tempo em que a cultura global tende para uma homogeneização atrelada sobretudo à utilização da língua inglesa, existe também o movimento inverso, pois as pessoas manifestam o desejo de manter a sua cultura, a sua identidade. Por outro lado, outra questão é posta, as crianças e adolescentes aprendem com muito mais facilidade essa nova tecnologia e hoje ensinam muitos professores a melhor maneira de utilizá-las. Para Ferreiro, atualmente “a possibilidade de uma relação educativa realmente dialógica é fantástica”.


Sobre a educação no Brasil, Ferreiro acredita que houve transformações, sobretudo àquelas ligadas à montagem de turmas homogêneas, uma antiga obsessão das escolas brasileiras. Para ela é preciso entender que os estudantes mudam constantemente e que uma turma agora homogênea pode estar completamente diferente em pouco tempo. É necessário levar em conta os ritmos individuais e as etapas de desenvolvimento de cada criança. Particularmente na alfabetização, os ritmos individuais permitem que se classifiquem as crianças como pré-silábicas, silábicas e alfabéticas. Este enfoque possibilita a visualização do progresso individual na aprendizagem de cada uma. Segundo a psicolinguista, “a idéia de que eu, adulto, determino a idade com que alguém vai aprender a escrever é parte da onipotência do sistema escolar que decide em que dia e a que horas algo vai começar. Isso não existe. As crianças têm o mau costume de não pedir permissão para começar a aprender”.


As idéias propostas por Emilia Ferreiro realmente vieram mudar e continuam mudando a forma de pensar a educação e a alfabetização de nossas crianças. Os enfoques dados por ela nos provam que o processo de ensino-aprendizagem é dinâmico, muda conforme o tempo e conforme as necessidades das sociedades. Novas descobertas apareceram e com certeza outras aparecerão graças aos pesquisadores da educação e ao desenvolvimento tecnológico. No Brasil de 1985, quem poderia afirmar que as cartilhas eram modelos fracos de alfabetização? E por outro lado, naquela mesma época quem iria dizer que futuramente um bate papo ou troca de cartas poderiam acontecer de forma virtual? É necessário estarmos sempre revendo nossos conceitos sobre educação e, muitas vezes, aprendendo tudo de novo.

11 abril 2009

Refletindo sobre a Desigualdade Social

Às vezes fugimos de um lugar, mas acabamos encontrando as mesmas respostas em lugares diferentes.


08 abril 2009

Práticas Pedagógicas e Realidade Social

Há alguns anos, trabalhando com o tema da cultura indígena, propus a um grupo de alunos da 5ª série que fizesse uma pequena pesquisa. Eles deveriam perguntar, em casa, qual o local de nascimento, profissão e a ascendência de seus pais e avós, anotando tudo no caderno.

A proposição da atividade foi extremamente formal e na semana seguinte poucos trouxeram as respostas. Fiquei decepcionado uma vez que se tratava de uma coisa simples de se fazer. Porém, senti que os alunos não queriam expor seu passado e sua vida familiar. A grande maioria era descendente de negros, indígenas e nordestinos e carregava o peso do preconceito em seu dia-a-dia. Conversei com a turma a respeito desta questão, buscando mostrar a importância que todas as culturas possuem para a formação do povo brasileiro. Procurei levantar a auto-estima de cada um e mostrar que não é vergonha ser descendente de uma ou de outra “raça” (1).

(1) Morin vê a sala de aula como um fenômeno complexo que abriga uma diversidade de ânimos, culturas, classes sociais e econômicas, sentimentos... Um espaço heterogêneo e, por isso, o lugar ideal para iniciar essa reforma da mentalidade que ele prega. Cristiane MARANGON, Eduardo LIMA. Os novos pensadores da educação.HTTP://revistaescola.abril.com.br. Acesso em 23/02/2009.

Quase ao final da aula, uma aluna trouxe uma foto de sua família para eu ver. Havia a mistura de negros e índios, todos nascidos no nordeste em um clima gostoso de festa. A foto despertou tanto interesse nos outros alunos, que propus, dessa vez, que fizessem um trabalho escrito, onde responderiam as questões da atividade inicial, porém, que colocassem fotos de seus parentes. Solicitei também que fizessem pesquisas em jornais e revistas, que conversassem com parentes e vizinhos, sempre buscando encontrar o lado positivo que cada “grupo racial” possui (2). Eles deveriam fazer um relato de todas as informações que conseguissem e me entregar.

(2) O ato de educar, a ação educativa, transcende às ações dos professores e extrapola os limites físicos da sala de aula. Jorge Carlos Felz FERREIRA. Reflexões sobre o ser professor: a construção de um professor intelectual, p. 3.

Na semana seguinte houve uma profusão de trabalhos. Cada um trouxe um pouquinho de si e de sua família. Estavam ansiosos para contar o que conseguiram descobrir. Muitos relataram a presença de índios e afro-descendentes em seu meio familiar. Alguns encontraram reportagens que valorizavam a cultura quilombola e de tribos indígenas.

Confesso que foi uma atividade que me marcou muito e passou a ser um norteador de caminhos a serem percorridos durante a minha prática docente. Passei a diversificar o formato de minhas aulas, aproximar-me mais dos alunos, trabalhar com a questão da valorização da identidade de cada um. Por outro lado, percebi o quanto é importante a busca de informações através de meios diversificados: família, vizinhos, jornais, televisão, entre outros. Todos nós aprendemos que a educação não formal complementa a educação formal. Os alunos passaram a ser mais participativos, mesmo porque, eu também passei a ser mais receptivo em aulas mais dialogadas (3).

(3) Segundo Donald Schön, citado por Isabel Alarcão, quem age em situações instáveis e indeterminadas, como é o caso de quem leciona, tem de ter muita flexibilidade e um saber fazer inteligente, uma mistura disso tudo. A experiência conta muito, mas tem de ser amadurecida. Denise Pellegrini. Refletir na prática. http://revistaescola.abril.com.br Acesso em 23/02/2009.

05 abril 2009

Pluralidade Cultural: Identidade Brasileira

Segundo Marco Antonio Bettine de Almeida, podemos definir cultura como sendo “o conjunto das tradições, técnicas, instituições que caracterizam um grupo humano” (1). Sabendo que mundialmente existe uma grande diversidade de grupos humanos, podemos dizer que existe também uma grande pluralidade cultural. Particularmente, no Brasil, essa miscelânea de culturas se faz presente, tanto pela miscigenação, num primeiro momento, entre o índio, o negro e o homem branco (particularmente de origem portuguesa), quanto, posteriormente, pelo grande contingente étnico imigratório que este pais recebeu, dentre eles os japoneses, os italianos e os espanhóis. Tudo isto sem contar as diferenças culturais regionais com suas variantes de norte a sul e de leste a oeste do Brasil.

(1) Subsídios Teóricos do Conceito Cultura para entender o lazer e suas políticas públicas. Faculdade de Educação Física/UNICAMP. In: HTTP://polaris.br.unicamp.br. Acesso em 28/03/2009.

Assim sendo, nossos professores precisam estar atentos à forma como conciliar culturas tão diferentes num mesmo ambiente de interação: a escola. Como trabalhar os laços interculturais, buscando o respeito mútuo e a tolerância. O grande desafio é integrar grupos tão diversos de forma harmônica culminando para a consolidação de uma identidade nacional: A cultura brasileira.


Acredito que essa integração já exista e ela está atrelada ao esforço educativo realizado nas escolas. As culturas se misturaram e hoje podemos dizer que temos algumas características ímpares do povo brasileiro como a feijoada, o futebol e o samba. (2) Estes elementos se disseminaram tão fortemente pelos quatro cantos do Brasil que se tornaram símbolos típicos de nossa cultura. Além disso, existem outros tantos exemplos de como a mistura de culturas fez do brasileiro um povo diferenciado: Os paulistas adoram comer sushi; a música sertaneja faz sucesso nas grandes capitais litorâneas; os ritmos nordestinos estão presentes no sul e sudeste brasileiro.

(2) O samba carioca recebeu a titulação de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. In: http://www.cultura.gov.br/site/2007/11/30/aviso-de-pauta-8/. Acesso em 28/03/2009.


Mesmo que ainda existam pontualmente formas de preconceito e discriminação que precisam ser superadas através da educação, podemos afirmar que o respeito e a aceitação da pluralidade cultural são muito bem trabalhados em nossas escolas, possibilitando uma convivência mais pacífica entre as diversas culturas presentes em nosso território.

03 abril 2009

Semana Cheia de Emoções

Qual seria a nossa reação se, no dia primeiro de abril, um aluno viesse correndo dizer que estava pegando fogo na escola. Certamente, que iríamos dar risadas e mandar o aluno voltar para o seu lugar. Pois foi exatamente isso que aconteceu. Mas não era mentira. Realmente, estava pegando fogo na caixa de luz do andar de cima da escola.



Rapidamente, começamos a evacuar o prédio no andar de baixo. No andar de cima, as professoras fizeram o mesmo. Pedi ao porteiro que desligasse a chave geral. Ainda subi para verificar se tinha mais alguém e surpresa, havia uma turma em plena aula de matemática. Solicitei aos alunos que deixassem todo o material em sala e que saíssem calmamente, se é que isto era possível, e descessem todos para o pátio. Enquanto isso, a moça da secretaria, que faz parte da brigada de incêndio, já estava empunhando o extintor para fogo em equipamente elétrico e com alguns esguichos eliminou o foco de incêndio.



O corpo de bombeiros já havia sido chamado e chegou alguns minutos depois. Como o fogo já fora apagado e o prédio da escola evacuado, não precisaria de pressa para chegar. Os bombeiros foram recebidos aos brados pelos alunos. Alguns, realmente felizes por vê-los, outros literalmente cairam na gandaia. O prédio foi vistoriado e, não apresentando mais risco de fogo, voltamos à rotina normal.



Definitivamente, prevenção é sempre o melhor remédio. Em 2007, parte da equipe de professores e funcionários do Barnabé passou por um treinamento feito pelo corpo de bombeiros. Aprenderam a agir em caso de incêndio e passaram a fazer parte da nossa brigada.



Nós que trabalhamos na área da educação sabemos que alguns dos objetivos mais importantes de nosso trabalho são desenvolver habilidades e competências em nossos alunos. Durante o princípio de incêndio na escola, fiquei contente em constatar que nossa equipe possui literalmente a habilidade de apagar fogo e a competência de colocar a criançada em segurança.

21 março 2009

Nunca Desistir

No começo do ano letivo, coversando sobre o meu blog "Ok Marcelo" , com uma professora, escutei um conselho que não passa de um velho ditado, manjado e batido: "Nunca desistir".



Apesar de lugar comum, o conjunto dessas duas palavras parece possuir uma força enorme. Todos os dias milhares de pessoas as usam incessantemente. E mesmo diante de tantas dificuldades e excesso de fazeres e compromissos, essas palavras têm o poder de mudar nossa postura. Soam quase como um mantra. Hipnotizam. Como se fossem um divisor de águas, elas nos dizem: "de agora em diante, tudo que era cansaço e dificuldade já passou. Utilize suas forças para continuar fazendo o que estava fazendo e para o que deve ser feito".



Meu blog parece sorrir para as palavras dessa professora, pois resolvi retomá-lo. Sei que não será trabalho fácil, pois o acúmulo de afazeres quase que me impedem de ter de novo esse contato íntimo com o "Ok Marcelo". De qualquer forma, vou me dar uma segunda chance. Afinal de contas foi com ele que dividi todas as boas conquistas desses últimos quatro anos.



Em nome do meu Blog, agradeço a essa professora que de forma tão simples parece conseguir coisas incríveis. As dificuldades aparecem sob o ponto de vista de quem vê um fato como dificuldade. O "Ok Marcelo" é e sempre será prazer. Desabafo, de vez em quando. Mas, sobretudo, força e estímulo.


Obrigado professora e vou tocar o blog seguindo seu conselho: NUNCA DESISTIR.


Ok! Marcelo (2.009 versison).

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03 março 2008

Trabalhando com Jornais


Logo no primeiro dia de aula, em fevereiro, os alunos notaram a diferença. Havia algo de estranho. O que eram aqueles jornais? Por que deveriam trabalhar com eles? Onde estavam os livros didáticos? Por que a escola toda estava estudando daquele jeito?

Mas as coisas não pararam por aí. Professor de geografia ensinando matemática? Professora de educação artística trabalhando com leitura e interpretação de textos? Aulas de educação física em sala-de-aula? Tudo muito esquisito, não?

De ínicio, os alunos pareciam desconfiados, confusos. Alguns queriam o método antigo, outros adoraram a novidade. Alguns exclamavam: Que coisa chata!

Com o tempo, os alunos foram se acostumando e percebendo que, com os jornais, passaram a melhorar suas habilidades com cálculos e desenvolver a sua leitura e entendimento de textos. Os bons alunos tiraram tudo de letra. Muitos alunos que sempre tiveram maiores dificuldades perceberam que não estavam mais sendo deixados para trás e, aos poucos, começaram a acompanhar as aulas, coisas que não conseguiam fazer antes.

É cedo para dizer se vai dar certo ou não, mas é nítido que as mudanças estão sendo feitas. Coisas novas estão sendo testadas. Isso é muito importante na tentativa de melhorar o desempenho dos alunos.

É só o começo, mas estou otimista. Acho que, finalmente, o governo passou a olhar a educação de uma outra forma. Diferente, inovadora. Os jornais são o primeiro passo de dias diferentes na educação paulista. E, pelo que tudo indica, essa mudança está vindo para melhor.

Um ótimo ano letivo para todos!

Ok! Marcelo.
3 de março de 2008.

21 dezembro 2007

2007: Uma ano de grande aprendizagem


Ontem foi a festa de confraternização dos professores da Escola Barnabé. Como não poderia deixar de ser, a tarde foi regada por um farto almoço, com direito a chester, carne assada, farofa e, de sobremesa, um delicioso bolo com sorvete. O momento divertido do almoço ficou por conta do Karaokê e, claro, a entrega do presente de amigo secreto.

Comidas e presentes à parte, final de ano é também momento de reflexão, quando avaliamos como foi o nosso ano e relembramos o que de bom e ruim aconteceram, para já ir planejando como será o ano que está por vir.

Particularmente na Escola Barnabé, podemos dizer que foi um ano difícil. As aulas começaram com muita poeira, barulho e uma grande movimentação de engenheiros e pedreiros, ou seja, pessoas alheias ao ritmo de ensino e aprendizado. A escola passou por um grande restauro em pleno período letivo. Muitos alunos ficaram sem sala-de-aula. Enquanto alguns deles foram remanejados para o laboratório de ciências, outro grupo assistiu aula no pátio. Até os corredores, em certo momento, serviram como local do aprender e do saber.

As dificuldades foram imensas, tanto por parte dos alunos, quanto por parte dos professores. A direção, então, ficou entre a cruz e a espada. Apesar dos percalços, o restauro não deixou de ser feito e, aos poucos, a escola foi ganhando novas cores, novos pisos e até o telhado foi totalmente trocado. As portas velhas deram lugar às novas e as janelas ganharam nova pintura. Uma antiga sala-de-aula se transformou em Centro de Memória e com uma novidade, o antigo brasão da escola foi encontrado e hoje aparece como destaque nesse amplo salão.

A escola ganhou também iluminação externa. É muito bonito passar pela Avenida São Francisco durante a noite e observar o Barnabé. Atendendo à modernidade, rampas para pessoas com necessidades especiais foram colocadas. Daquele caos que parecia a escola no começo do ano, tudo se transformou. O Barnabé tem recebido frequentes visitas de pessoas que querem conhecer a escola depois do restauro. Tudo isso enche de orgulho quem fez parte da equipe de 2007. Depois da tempestade vem a bonança e, agora, estamos começando a colher os frutos.

Definitivamente, o ano de 2007 foi de grande aprendizado. Sobretudo esse, de que, muitas vezes, precisamos passar por momentos de grande dificuldades para que algo melhor aconteça. Pó, barulho e pedreiros já foram embora. E o que restou foi um ambiente de trabalho muito mais agradavel do que era antes da reforma.

06 dezembro 2007

Tarde do Sushi (Parte - II): O Preparo do Sushi


O Sushiman (profissional que prepara o suhi) Marcel explicou aos alunos que o sushi surgiu meio que por acaso. Os japoneses de antigamente tinham o costume de conservar o peixe cru entre camadas de arroz, pois na época não existia geladeira. Nesse processo, o arroz em contato com o peixe acabava fermentando. Ao se experimentar o arroz fermentado com o peixe crú, descobriu-se que era muito saboroso e assim surgiu o sushi. Na foto abaixo, alguns exemplos de sushis encontrados nos melhores restaurantes do ramo.




No decorrer dos tempos o sushi foi se transformando, incorporando novos ingredientes, como as algas marinhas, e se sofisticando. Hoje existem muitas variedades de sushis, entre elas podemos destacar o Sake Sushi (feito de salmão), o Ebi Sushi (feito de camarão), o Tekka-Maki (mini sushi recheado com pepino ou peixe), Tamago Sushi (feito de ovo de galinha), Temaki ("canudo" de sushi) e Maguro Sushi (feito de atum). Em festas de descendentes de japoneses no Brasil, podemos inclusive encontrar sushis recheados com salsicha para agradar ao paladar da criançada. Na foto abaixo, o sushiman Marcel mostra parte da grande variedade de sushis existente.




O processo de preparo do sushi passa pelas seguintes etapas básicas: Molha-se as mãos numa vasilha com água. Coloca-se a alga em cima da esteira. Molha-se a alga. Pega-se um punhado de arroz cozido e coloca-se sobre a alga, espalhando sem apertar muito. Posteriormente, coloca-se o recheio, que pode ser peixe, kani ou pepino, no centro do arroz. Depois enrola-se com cuidado a esteira, apertando-se algumas extremidades para dar um formato arredondado ao sushi. Abre-se a esteira e corta-se o sushi em vários pedaços com o uso de uma faca especial para sushi.



Depois disso é só saborear! Parece simples, não? Mas não é! Para se tornar um bom sushiman é necessário muito estudo e muita prática. Existem cursos específicos para a pessoa se formar Sushiman. Durante a apresentação do sushiman Marcel, percebemos que a técnica de preparo do sushi requer muita habilidade e leveza de movimentos, pois se fizer muita pressão, o sushi pode sair muito duro.




Outro item importante está no capricho na disposição dos sushis que vão ser servidos. Não é somente o sabor que interessa, é necessário ter cuidado com a sua apresentação. Um bom sushiman, além de preparar um sushi delicioso, precisa saber dispor o sushi com elegância, seja numa enorme bandeja em forma de barco, seja num kit-sushi, simples, mas que já atrai o interesse através do simples olhar. Abaixo, disposição dos kits-sushis feitos pelo sushiman Marcel.



Fala sério! Olhando as bandejinhas assim, dá muito mais vontade de experimentar o sushi! Você não achaa mamãe?


Tarde do Sushi (Parte I): Apresentação


No ano de 2008 será comemorado os 100 anos de imigração japonesa no Brasil. Dentro deste cenário, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo lançou o Projeto "Viva Japão", que busca desenvolver, nas escolas de todo o estado, projetos que venham divulgar o centenário da presença da cultura japonesa em terras brasileiras. Abaixo, logotipo do Projeto Viva Japão.




Na Escola Barnabé, localizada no Centro Histórico de Santos, os professores Marcelo Suwabe (Geografia) e Mônica Penha (Matemática) desenvolveram o Projeto "Tarde do Sushi". Este projeto teve o objetivo de levar, aos alunos do Ensino Fundamental, o contato com um pouco da rica culinária japonesa. Através das técnicas de preparo, dos ingredientes diferenciados, dos modos e costumes de saborear e manusear o sushi, os alunos puderam se familiarizar com parte da vasta cultura nipônica. Tal cultura que passa a se tornar presente no Brasil graças à vinda dos primeiros imigrantes japoneses e ganha contornos verde-amarelos, graças ao sincretismo que os descentes fizeram com a própria cultura brasileira. Na foto abaixo, Prof. Marcelo, Profª Mônica e Sushiman Marcel.




Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil no dia 18 de junho de 1908 em um navio chamado Kasato Marú. Vindos inicialmente para trabalhar na lavoura do café, sobretudo no interior do estado de São Paulo, os imigrantes japoneses e seus descendentes começaram a se espalhar pelos vários cantos do Brasil, ocupando espaço nas diversas camadas socioeconômicas brasileiras. Os descentes dos imigrantes japoneses continuam participando até os dias de hoje ativamente do desenvolvimento brasileiro, contribuindo, através das artes, da política, da educação e tantas outras atividades, para enriquecer a cultura desse imenso Brasil. Na foto abaixo, o navio Kasato Maru.



Uma imigrante japonesa que se tornou destaque não somente no Brasill, mas no mundo todo, foi a artista plástica Tomie Ohtake, cujas obras são apreciadas em exposições dos principais museus nacionais e internacionais. Os alunos do Ensino Fundamental puderam, a partir de pesquisas na internet, entrar em contato com algumas obras dessa artísta. A partir de então criaram seus próprios desenhos que foram expostos durante a Tarde do Sushi. Foto abaixo, Tomie Ohtake, artista plástica.



Para ensinar o preparo do sushi, a professora Mônica Penha convidou o sushiman Marcel do Restaurante Sea House de São Paulo. Marcel explicou para os alunos um pouco da História do sushi, seus ingredientes, técnicas de preparo e curiosidades sobre esta iguaria tão típica japonesa.

Abaixo seguem fotos e mais textos explicativos de todas as etapas que fizeram da Tarde do Sushi, uma tarde muito agradável, onde informação e experimentação se somaram para se transformar em conhecimento e aprendizado.

Ok! Marcelo (06/12/07)



A Tarde do Sushi (Parte - IV): Vídeo - Preparando o Sushi

O vídeo abaixo apresenta parte da performance do sushiman Marcel durante a Tarde do Sushi.