27 março 2010

Educação e EJA: O Problema é mais "em baixo"...

Acredito que toda tentativa de erradicar o analfabetismo e de dar oportunidade de continuidade de estudo é válida. Um país que não busca resolver seus problemas com a educação é uma país fadado à estagnação. Claro que estes problemas deveriam ser sanados já no Ensino Básico, preferencialmente quando o aluno está mais próximo da idade/série chamada ideal.

Se o número de analfabetos e de pessoas que não concluíram o Ensino Básico (até o Ensino Médio) é grande, isto significa que existem falhas no sistema educacional que precisam ser consertadas. O ideal seria que as próprias escolas de curso regular abraçassem as causas de tanta evasão escolar e contribuíssem para a sua minimização.

Por outro lado, a gente sabe que os problemas não estão apenas na escola. Como fazer uma criança ter interesse e dedicação pelos estudos se nem o básico para uma vida digna ela possuí? A gente sabe que a grande maioria das crianças evadidas sofre problemas sócio-econômicos terríveis: falta de moradia, desemprego, pais ausentes, fome, doenças físicas e mentais, marginalidade, prostituição infantil, uso de drogas e entorpecentes, entre outros. São dezenas de problemas a serem resolvidos e a educação passa a não ser mais prioridade na vida desses alunos.

As escolas lotadas, com salas de aula abarrotadas, não são capazes de administrar tantos problemas de indisciplina que tais alunos acabam causando. Por sinal, crianças e adolescentes que convivem com tantos problemas sociais e econômicos precisariam de dedicação mais exclusiva. Porém, o que ocorre é o contrário, 40 alunos numa sala de aula. Os professores não dão conta mesmo.

Neste ínterim, surgem as políticas de erradicação do analfabetismo e de retorno à escola por aqueles que pararam de estudar. Vemos casos muito bonitos de pessoas que conseguiram superar as dificuldades que a vida lhe proporcionou e passam, então, a poder usufruir de uma vida letrada. Pessoas que deixaram de estudar para ir trabalhar, que não tinham moradia, que passavam fome e que não puderam desfrutar da escola no momento certo. O retorno dessas pessoas aos estudos causa uma grande satisfação, pois elas voltam com mais vontade, com mais dedicação. Professores se sentem realizados quando encontram alunos-amadurecidos que retornam às carteiras das salas de aula.

Por outro lado, também vemos muitos casos que os problemas persistem, voltando à tona nas EJAs. Alunos que não se deram bem no Ensino Regular, que repetiram de ano inúmeras vezes e que buscam o "supletivo" somente para pegar o diploma. Continuam desinteressados, continuam com dificuldades de aprendizagem, continuam carregando seus problemas e causando dificuldades aos educadores. As EJAs para estes não são oportunidade, mas sim continuação de uma vida de "frustrações educacionais".

Em minha opinião, o ideal seria que os investimentos fossem feitos logo no Ensino Regular (idade/série ideal) e também na qualidade de vida da população mais carente. Ou seja, um ensino público de qualidade junto com ações que melhorassem as condições de moradia, de alimentação, de saúde dessa população mais necessitada. Somente investindo em todos esses aspectos, teríamos condições de evitar a evasão escolar e, assim, os casos de necessidade de EJA seriam menores. Temos excelentes professores que querem muito ensinar e fazer bem o seu serviço. Muitos destes se cansam e se acomodam porque o aluno que vem para a sala de aula traz tantas carências que fica impossível dar uma boa aula. Muitos professores precisam dar conta de educar, ensinar limites, ensinar boas maneiras, ensinar regras de convivência social, ensinar tudo e mais um pouco. Precisam também se responsabilizar pelas carências afetivas, econômicas, sociais e culturais de seu alunado. Além disto, são cobrados pela aprendizagem integral desses alunos com excesso de problemas. Como dar conta de tantos afazeres?

Não é à toa que muitas escolas não agüentam o tranco. Não é à toa que muitos professores ficam doentes. Não é à toa que o Sistema Educacional acaba falindo.

No meu município existem escolas estaduais e municipais que realizam o trabalho de EJA. Existem investimentos sendo feitos. Como em todo o Sistema Educacional no Brasil, muita coisa boa é feita quase por milagre, mas muita coisa ainda precisa melhorar nesta modalidade de ensino. Particularmente, no sistema estadual, da qual faço parte, sei que este ano o governo estadual está investindo em materiais específicos para os alunos e professores de EJA. São os cadernos do aluno e cadernos do professor para cada uma das disciplinas. Os cadernos do professor possuem seqüências didáticas, as chamadas "Situações de Aprendizagem", voltadas para este público específico. Os cadernos do aluno possuem atividades, figuras, textos, exercícios visando estimular e facilitar o processo de aprendizagem dos alunos. Particularmente, acredito que estes materiais vieram contribuir para que os alunos realmente aprendam.

Finalizando, acredito que as EJAs são reflexo de um Sistema Educacional cheio de problemas e que faz parte de um sistema maior que não dá oportunidade de boa qualidade de vida para a maioria. O ideal seria que todos tivessem condições de estudar e aprender no momento mais apropriado, quando não houvesse muita distorção idade/série. Porém, não vai ser de uma hora para outra que todos os problemas econômico-sociais serão resolvidos. Quando bem administrado, um curso de EJA pode cumprir o seu papel educacional de forma satisfatória e certamente, dar um gás a mais na vida de inúmeras pessoas que não tiveram oportunidade anteriormente. Mas a gente sabe que o problema não é somente de educação.

O problema é mais "em baixo".


20 março 2010

O Professor como Agente Desequilibrador

Concordo com a afirmação de que o professor pode ser uma agente desequilibrador que favorece novas adaptações e novas aprendizagens. Para isto, o professor deve partir do conhecimento prévio que os alunos possuem sobre determinado assunto. Uma avaliação diagnóstica ou mesmo sondagens e conversas com os alunos permitem que o professor identifique o estágio atual de conhecimento que os alunos possuem.

A partir desse ponto, o professor pode acrescentar idéias novas, pontos de vistas diferentes, aumentar o grau de dificuldade de um exercício ou mesmo acrescentar um dado novo sobre determinado assunto. Quando isto acontece, o aluno passará por um momento de desequilíbrio, uma vez que algo, até então desconhecido, foi acrescido em seu repertório de informações e conhecimentos. Por conta própria e com o apoio do professor, o aluno poderá então encaixar a nova informação dentro do que já sabe, buscando entender como se da a relação entre o novo e o já conhecido. Neste momento, o professor fará o papel de mediador, facilitando o processo de aquisição do novo conhecimento.

Quando finalmente, o aluno entende o significado da nova informação e, sobretudo, quando é capaz de relacioná-los com os conhecimentos que já possui, a nova informação será transformada em novo conhecimento.

Podemos citar um leque enorme de exemplos a serem utilizados em sala de aula por professores de todas as disciplinas. Em matemática, pode-se ir aumentando as casas decimais nos processos operatórios das contas de divisão. Ou então, em geografia, aumentar a quantidade de dados a serem analisados sobre determinado assunto. Ou ainda, em Ciências, confrontar novos dados obtidos sobre o aquecimento global. Em história, pode-se pedir aos alunos que pensem a colonização no Brasil sob o ponto de vista dos indígenas. Dentro dos ensinamentos da Língua Inglesa, o professor pode ir acrescentando novos vocabulários. E assim por diante.

Em todos os exemplos citados acima, novas informações são colocadas de forma gradual, permitindo que o aluno compare o que já conhece com o que é novidade e assim seja capaz de processar as novas informações, transformando-as em conhecimento. Ou seja, o professor vai acrescentando novos agentes desequilibradores, para que o aluno possa se adaptar ao novo até formar um novo conhecimento.

Seguindo as idéias de Piaget, mediadas pelo texto de Maria Judith Lins, quando o aluno fica em contato com o novo, ele passa a ter a necessidade de compreender essa novidade. No processo de satisfação desta necessidade, o aluno acaba adquirindo o novo conhecimento. Quando a satisfação desta necessidade é realizada de forma plena, pode-se dizer que houve a equilibração na estrutura cognitiva e portanto, o aluno de fato aprendeu algo novo.

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Opinando 1:

Acredito que o amigo B. tocou num ponto importantíssimo. O desvio do foco do que está sendo aprendido. Quando a aula está muito participativa, em alguns casos, novos assuntos são colocados e se o professor deixar correr solto, corre-se o risco de terminar a aula sem concluir o objetivo inicial proposto para a mesma.

Daí a importância do professor ser o orientador das ações de aprendizagem. Ele precisa sempre estar atento para esses momentos em que o objetivo da aula pode fugir do controle e não permitir que isto aconteça. Afinal, se isto acontecer, as aulas deste professor pode se tornar anti-pedagógicas e os alunos que estavam de fato aprendendo se sentirem frustrados.

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Opinando 2:

É verdade C.!

Tive uma professora na faculdade que fazia isto o tempo todo.

Muitas vezes acabava até esquecendo do que estava falando. Pode? (risos).

Ela era uma boa professora porque conseguia despertar o interesse inicial em todos nós. Mas, deixava a desejar no desenrolar da aula porque fugia do foco. Então, a gente começava a se cansar porque queria saber mais sobre o assunto inicial, mas quase nunca conseguiamos chegar às vias de fato.

Depois da aula, a gente procurava as respostas nos textos ou estudando em grupo.

Esta professora era muito querida de todos. Muito simpática. Ela sabia como causar o desequílibrio no início da aula, mas depois, parecia que não nos ajudava a nos equilibrar de novo.
Apesar de que, agora refletindo sobre isto, vejo que poderia até ser uma coisa proposital. Afinal, a gente acabava indo pesquisar o tema e acabava aprendendo de forma, inclusive, autonôma.

Porém, é sempre bom ressaltar que isto acontecia em nível universitário. Quando tratamos do ensino básico, acredito que temos que ser mais cuidadosos.

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Opinando 3:

É isso aí amiguinha R.!

Se deixar o aluno viaja e vai embora. Precisamos mesmo sempre estar trazendo-os de volta ao tema inicial.

Essa viagem, fiquei pensando agora, talvez ocorra porque o aluno começa a comparar o agente desequilibrador (dado novo) com o que já está equilibrado (com o que já conhece). Então ele encontra uma conexão e acaba se esvaindo nas próprias idéias e pensamentos, que podem não ser exatamente o objetivo da aula.

Cabe ao professor perceber isto e dar um susto do tipo Ana Maria Braga: "Acorda menina!!!".
Ou, por outro lado, de repente, um aluno coloca um caminho inesperado que vai de encontro aos objetivos da aula, só que passando por outras idéias, outras situações e, inclusive, mais fácil dos alunos entenderem. Neste caso, o professor segue a voz do Zeca Pagodinho: "Deixa a vida me levar. Vida leva eu". (risos).

Pessoal, hoje é sábado, final de semana, acabei me empolgando.

De qualquer forma, nos dois exemplos acima, percebemos o papel que nós professores continuamos tendo em sala de aula. Somos capazes de perceber quando acontece uma situação ou outra (Ana Maria ou Zeca) e somos capazes de redirecionar a aula.
Somos mesmo imprescindíveis. Vocês não acham?

Abraços ao som do Zeca.

Kkkkkkkk

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Opinando 4:

As colocações do A. e da M. fizeram-me refletir sobre outro dado importante. Em muitos casos e em todas as disciplinas, é sempre preciso retomar conhecimentos já ensinados em momentos anteriores ou até mesmo em anos anteriores.

Quando os alunos relembram alguns conceitos, eles refrescam a sua memória e assim, facilita a compreensão das novas informações. Isto acontece em todas as disciplinas. Muitos professores reclamam que volta e meia precisam retomar alguns conceitos e informações, mas isto faz parte do próprio trabalho docente.

Apesar de que muitas vezes acabo ficando em dúvida. Será que o aluno não aprendeu ou simplesmente esqueceu? Existe tempo suficiente para ficar retomando e retornando a conteúdos antigos? É normal isto acontecer? Afinal, se ele entendeu tão bem um assunto no ano passado, por que será que ele esqueceu? Será que de fato ele não aprendeu?

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Opinando 5:

Adorei as colocações feitas pelo B.

De fato, nós professores, temos o dom de explicar uma mesma coisa de várias maneiras e nem reparamos (MESMO) nisso. Sempre somos capazes de colocar diversos exemplos para garantir que a turma toda realmente entenda o que estamos explicando, para que todos consigam voltar à equilibração diante de um fato novo.

Tenho um amigo que às vezes fala: "Pode parar de explicar!!! Já entendi!!! Não precisa explicar de novo!!! Não precisa dar mais DEZ exemplos porque já entendi desde o primeiro exemplo!!!

Kkkkkkkkk

Eu caio na gargalhada, porque mesmo sem querer a gente acaba explicando, explicando e explicando de novo.

Esse é o "mal" do professor (risos).

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Opinando 6:

Concordo plenamente com vocês duas, A. e M.

Realmente, é muito importante que o aluno seja capaz de "refletir , analisar, reestruturar, modificar", como muito bem disse a A. Melhor ainda quando, eles mesmos são capazes de identificar e propor novas dúvidas e questões, ou seja, "venha até nós com perguntas , com debates, discutindo o porquê, o que é, como faz, se esta certo", como muito bem elencou a M.

Todas essas colocações refletem muito bem as idéias de Piaget sobre a teoria Genética, ajudando-nos a entender o processo de aquisição de novos conhecimentos.

Parabéns pela bela explicação das duas.

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19 março 2010

Tipos de Conhecimento

Conhecimento é o acúmulo de experiências que o homem adquiriu ao longo de sua existência.
  1. Temos o Conhecimento Empírico, também conhecido como popular, que é aquele adquirido por acaso, através das experiências do homem visando a satisfação de uma necessidade;
  2. O Conhecimento Filosófico é adquirido a partir da reflexão do homem sobre a realidade, buscando a verdade das coisas;
  3. Baseado na intuição e na emoção temos o Conhecimento Artístico;
  4. O Conhecimento Religioso é baseado nas doutrinas sagradas vistas como verdades absolutas e aceitas através da fé;
  5. O conhecimento Científico é aquele racional e sistemático tendo origem na observação e experimentação.

17 março 2010

Abordagens de Ensino na Educação da Pessoa com Surdez

ORALISMO
  • - Visa a integração da criança com surdez na comunidade de ouvintes, dando-lhe condições de desenvolver a língua oral;
  • - Concebe a surdez como uma deficiência que deve ser minimizada;
  • - O Oralismo levaria a criança surda a integrar-se na comunidade ouvinte, desenvolvendo sua personalidade como a de alguém que ouve;
  • - O objetivo do Oralismo é fazer a reabilitação da criança surda em direção à normalidade;
  • - Metodologias de oralização: método acupédico, método Perdoncini, método verbo-tonal. Esses métodos defendem a língua oral como única forma desejável de comunicação da pessoa surda, rejeitando qualquer forma de gestualização, especialmente a Língua de Sinais;
  • - Oralismo consiste em fazer com que a criança receba a linguagem oral através da leitura orofacial e amplificação sonora, enquanto se expressa através da fala. Gestos, Língua de Sinais e alfabeto digital são expressamente proibidos.

COMUNICAÇÃO TOTAL
  • - Requer a incorporação de modelos auditivos, manuais e orais para assegurar a comunicação eficaz entre as pessoas com surdez;
  • - Tem como principal preocupação os processos comunicativos entre surdos e surdos, e entre surdos e ouvintes;
  • - O surdo não é visto como alguém que tem uma patologia que precisa ser eliminada, mas sim como uma pessoa, e a surdez como uma marca que repercute nas relações sociais e no desenvolvimento afetivo e cognitivo dessa pessoa;
  • - Defende a utilização de qualquer recurso lingüístico, seja a língua de sinais, a linguagem oral ou códigos manuais, para propiciar a comunicação com as pessoas com surdez;
  • - Os defensores desta filosofia recomendam o uso simultâneo de diferentes códigos;
  • - Tenta evitar que as crianças sofram as conseqüências do isolamento.

BILINGUISMO
  • - Parte do principio que o surdo deve adquirir como sua primeira língua, a língua de sinais com a comunidade surda. Isto facilitaria o desenvolvimento de conceitos e sua relação com o mundo;
  • - Aponta o uso autônomo e não simultâneo da Língua de Sinais que deve ser oferecida à criança surda o mais precocemente possível;
  • - A língua portuguesa é ensinada como segunda língua, na modalidade escrita e, quando possível, na modalidade oral;
  • - A língua de sinais é considerada uma importante via para o desenvolvimento do surdo, em todas as esferas do conhecimento, e, como tal, propicia não apenas a comunicação surdo-surdo, além de desempenhar a importante função de suporte do pensamento e de estimulador do desenvolvimento cognitivo e social;
  • - Os surdos formam uma comunidade, com cultura e língua próprias, tendo assim, uma forma peculiar de pensar e agir que devem ser respeitadas;
  • - Duas vertentes: Uma que defende que a criança com surdez deve adquirir a língua de sinais e a modalidade oral da língua, o mais precocemente possível, separadamente. Posteriormente, a criança deve ser alfabetizada na língua oficial de seu país. Outra vertente acredita que se deve oferecer num primeiro momento apenas a língua de sinais e, num segundo momento, só a modalidade escrita da língua. A língua oral neste caso fica descartada.


Meu posicionamento a respeito das abordagens:

A. Surdo em melhores condições no seu relacionamento com o mundo ouvinte:

Para mim, a abordagem que reúne melhores condições para o relacionamento surdo-ouvinte é a Comunicação Total, pois defende a utilização de qualquer recurso lingüístico pela pessoa surda. Além disso, esta abordagem não vê o surdo como uma pessoa que tenha uma patologia a ser eliminada, mas se preocupa com o desenvolvimento afetivo e cognitivo do mesmo.

B. Surdo em melhores condições no seu relacionamento com os surdos:

Acredito que a abordagem que reúne melhores condições para um relacionamento surdo-surdo é o Bilingüismo. Afinal, nesta abordagem a criança surda aprende com os próprios surdos, facilitando a assimilação de conceitos e sua relação com o mundo. Por outro lado, segundo essa abordagem, os surdos formam uma comunidade, com cultura e língua próprias, tendo assim, uma forma peculiar de pensar e agir que devem ser respeitadas.


14 março 2010

A Construção do Conhecimento segundo Jean Piaget

Concordo com a idéia de Jean Piaget de que o sujeito vai construindo espontaneamente os seus conhecimentos por meio da interação com a realidade que o envolve. A construção do conhecimento pode ocorrer também de maneira direcionada, como ocorrem no formato sistematizado de aprendizagem na maioria das escolas. Porém, sua eficácia dependerá do estágio de amadurecimento do aluno, conforme nos ensina Marcilio Lira de Souza Filho, mestre em Psicologia Cognitiva, o desenvolvimento da inteligência “pode até ser estimulado e acelerado pela educação familiar ou pela escola, mas a dependência dos mecanismos maturacionais é a condição prévia para a eficácia de qualquer aprendizagem” [1].

Para Jean Piaget, a construção do conhecimento se da através de quatro conceitos básicos: o Esquema, que são esquemas mentais que organizam a forma de pensar e agir de uma pessoa; a Assimilação, quando um novo objeto é encaixado no esquema mental de uma pessoa, havendo a ampliação do mesmo; Acomodação, o novo objeto é incorporado aos padrões de comportamento, havendo acomodação e transformação do esquema mental; Equilibração, quando existe a equilibração do esquema mental e o novo objeto foi acomodado e incorporado à forma de pensar e agir da pessoa. Como ressalta Márcia Regina Terra, doutoranda em lingüística, o processo citado “se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilibração progressiva do organismo com o meio em que o individuo está inserido” [2].

Seguindo estes conceitos percebemos que eles se ajustam à nossa realidade. Inicialmente temos os nossos esquemas mentais que são o conjunto de todos os conhecimentos que adquirimos ao longo do tempo. Agimos e pensamos conforme estes conhecimentos já adquiridos. Supomos uma pessoa que sabe jogar futebol e vai aprender a jogar basquete. Quando ela aprende este esporte que é novidade para ela, inicialmente há uma assimilação de que neste novo esporte a bola é jogada com as mãos e não mais com os pés. Posteriormente, há a acomodação desta informação mostrando que existem diferentes tipos de bolas e cada qual permite a prática de diferentes esportes, que utilizam membros diferentes do nosso corpo e que possuem cada qual as suas regras. Posteriormente, já em equilibração, a pessoa poderá acessar diferentes conhecimentos, sabendo como e em qual ocasião jogar basquete ou futebol.

É importante ressaltar que Jean Piaget dividiu o desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente em quatro estágios: sensório-motor, pré-operatório, operações concretas e operações formais. Cada qual com suas especificidades e sendo etapas subseqüentes conforme a criança vai crescendo e se desenvolvendo. Aquilo que uma criança ou aluno aprende, depende dos esquemas mentais já construídos anteriormente e que lhe servem de marcos assimiladores. O que um aluno é capaz de aprender depende do que ele já sabe. Se ele é capaz de, nas aulas de matemática, fazer a multiplicação, ele poderá em associação fazer a divisão também. Dividir está atrelado a multiplicar como forma inversa. Claro que vai depender da idade da criança e em qual estágio cognitivo ela se encontrar.

Finalizando, o aprendizado que uma criança adquire se da de forma espontânea e em conformidade com o seu estágio de desenvolvimento. Aprender depende também do estágio de amadurecimento em que se encontra a criança. Conhecendo as idéias de construção do conhecimento propostas por Jean Piaget, professores poderão melhorar a qualidade da aprendizagem de seus alunos.

[1] Relações entre Aprendizagem e Desenvolvimento em Piaget e em Vygotsky. Pag. 4. in: www2.pucpr.br. Acesso em 01/03/2010.
[2] O Desenvolvimento Humano na Teoria de Piaget. In: http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm. Acesso em: 02/03/2010.


12 março 2010

Erradicação do Analfabetismo: Por uma sociedade mais produtiva e feliz

Não concordo com a idéia de que o adulto analfabeto já tenha encontrado seu lugar na sociedade e que alfabetizar um adulto não vai mudar sua posição dentro da mesma, pois já estariam no final de sua vida produtiva e dariam pouco retorno social e econômico.

Hoje sabemos que a população está envelhecendo e que, no Brasil, existe um aumento da expectativa de vida. Portanto, o final da vida produtiva esta constantemente sendo postergada. Um adulto analfabeto pode sim ser alfabetizado e ainda sobrar tempo para que conclua seus estudos, chegar a um curso técnico ou faculdade e contribuir produtivamente com a nossa sociedade. E ainda trás consigo uma vantagem, sua já vasta experiência de vida agora enriquecida por superar, mesmo que tardiamente, a etapa da alfabetização.

A alfabetização trás muitos outros benefícios. Sabendo ler, a pessoa ganha um leque enorme de informações através de revistas, jornais, livros e internet, permitindo ampliar seus conhecimentos e reavaliar seus pontos de vista, além de passar a não ser mais refém de quem poderia lhe tirar vantagem sobre um texto escrito. Além disto, a pessoa que escreve, ganha um mundo de participação social, preenchendo formulários, escrevendo cartas e e-mails, incrementando suas possibilidades de se fazer entender.

O adulto alfabetizado passa a se integrar mais fortemente em sua vida cívica, deixando a pecha de um ser marginal. Deixa de lado muitos preconceitos como ser visto como uma “criança grande” que mantém de forma deficiente sua família e sua profissão e que está inadequadamente preparado para exercer a vida adulta, uma vez que agiria de forma egocêntrica como uma criança. A própria sociedade (ou parte dela) vê o analfabeto como um ser incapaz, limitado, que parou no tempo e que não é capaz de exercer plenamente sua cidadania.

Particularmente, não conheço pessoas que sofreram preconceitos ou exclusão por serem analfabetas. Porém, conheço algumas pessoas que estudaram apenas os anos iniciais do ensino fundamental. O que percebo é que estas pessoas possuem maior insegurança no exercício de sua cidadania. Sentem-se inferiorizadas quando diante de uma pessoa mais letrada e que exerce uma profissão dita mais nobre.

Acredito que a Educação de Jovens e Adultos tem um papel fundamental em nossa sociedade, tirar uma vasta parcela de nossa população da marginalidade e possibilitar sua ascensão social e profissional. A alfabetização, mesmo que tardia, eleva a auto-estima da população como um todo, permite uma maior atuação cívica, amplia as possibilidades de gerar conhecimento e passá-las a diante. Tudo isto contribui para que tenhamos uma sociedade mais produtiva e feliz.

08 dezembro 2009

Currículo Oculto e Fazer Docente

Na minha época de estudante, quando estava na sétima série do Ensino Fundamental, escutei certa vez um professor dizer: “É ruim que vou levá-los ao programa ‘É Proibido Colar’. Vocês estão bagunçando demais. Não prestam atenção nas aulas”. A partir daquele dia, a classe inteira mudou de atitude. Todos começaram a prestar mais atenção nas aulas daquele professor e a realizar as atividades e entregar os trabalhos pedidos. Tudo isso porque todos queriam ir ao programa de televisão da TV Cultura. Afinal, o “É Proibido Colar” era um programa muito divertido que reunia música, gincanas, entrevistas. Era considerado, na escola que estudei, o sonho de consumo de todos os alunos , isso nos idos dos anos de 1980.

A atitude daquele professor pode ser citada como um exemplo de Currículo Oculto. A partir daquelas palavras quase mágicas, os alunos passaram a se dedicar aos estudos de sua matéria. As aulas ficaram mais silenciosas e os alunos realmente passaram a aprender mais.

Podemos definir Currículo Oculto como sendo “comportamentos, atitudes, valores, orientações, que tem como intenção fazer com que as crianças e jovens se ajustem a determinados padrões de comportamento levando ao conformismo, a obediência e ao individualismo” [1] . Por outro lado, a prática do Currículo Oculto pode ser vista de forma positiva também. Para Josefa Sônia Pereira da Fonseca, doutoranda em Educação, “sua prática se dá pela percepção que o professor desenvolve no exercício de sua profissão de que é preciso atingir com precisão o seu objetivo (...), além das fronteiras das metodologias, formas próprias para alcançar a aprendizagem de seus alunos marcando-os não apenas o seu intelecto mas, sobretudo a sua afetividade” [2].

Fonseca realizou um estudo, onde mostrou que alunos cujo professor de matemática, no ensino fundamental, conseguia despertar no aluno a criatividade, a espontaneidade e o respeito, obtiveram maior sucesso na aprendizagem dos alunos, inclusive no prosseguimento dos estudos, já a nível universitário.

No dia a dia do fazer docente percebemos nitidamente o uso do Currículo Oculto: Professores que deixam os alunos chupar balas em aula, mesmo sendo proibido pelas regras da escola; Professores mais rígidos com seus alunos que ameaçam suspender as aulas de educação física caso a turma não realize as atividades propostas; Professores que conversam e tentam entender os problemas pessoais e familiares de cada aluno, aproximando-se deles e relevando certas dificuldades pontuais em beneficio da turma inteira; Professores que conseguem mostrar ao aluno a importância da dedicação, deixando claro que muitas vezes os resultados não são imediatos, mas acontecem em longo prazo, como, por exemplo, ser premiado no Concurso Regional de Matemática, ou participar de uma exposição, como monitor, no principal centro de convenções de sua cidade.

Os exemplos citados acima mostram que existe uma série infinita de relações entre alunos e professores onde o currículo oculto este embutido. Para Catarina Iavelberg, especialista em psicologia da educação, as ações, dentro da perspectiva do currículo oculto, só serão eficazes “quando contribuírem para melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem” [3].



[1]- Apostila da disciplina Currículo: Teoria e Prática, pg. 61.

[2]- FONSECA, Josefa S. P. A PRÁTICA DO CURRÍCULO OCULTO NAS AULAS DE MATEMÁTICA NA ESCOLA FUNDAMENTAL E SUA INFLUÊNCIA NA FORMAÇÃO DO ADMINISTRADOR: UMA PESQUISA EXPLORATÓRIA. Disponível em: http://www.spce.org.pt/sem/Montegordo/15XV.pdf . Acesso em: 25/10/09.

[3]- IAVELBERG, Catariana. CURRÍCULO OCULTO. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/orientador-educacional/curriculo-oculto-448775.shtml. Acesso em: 25/10/09.
Filosofar: Base de uma Educação de Qualidade

Segundo Antonio Gramsci em toda atividade humana está contida uma concepção de mundo e se todos têm uma concepção de mundo, todos filosofam, mesmo que isto ocorra de forma inconsciente. Em outras palavras, todo ser humano é filósofo, uma vez que todos pensam ou podem pensar o mundo de forma particular, quase que única. Porém, esse pensar o mundo não se limita sempre a ter idéias próprias, muitas vezes, a concepção de mundo está intimamente ligada ao que os outros pensam, ou seja, uma concepção de mundo imposta. Para Gramsci essa postura deve ser evitada e todos deveriam elaborar sua própria concepção de mundo. Neste ínterim aparece a afirmação de que a filosofia é algo difícil, quando as pessoas param de pensar por conta própria e passam a incorporar idéias impostas por outrem e passam a viver a vida como se todas estas idéias fossem verdadeiras, elas se sentem, muitas vezes, incapazes de pensar por conta própria, desconfiando, inclusive, de suas próprias idéias. Daí acreditar que filosofar é uma atividade intelectual que deve ser feita apenas por cientistas profissionais.

As idéias de Gramsci vêm complementar os pensamentos propostos por John Dewey em sua concepção de educação. Para Dewey, a educação deve ser vista como um processo onde se busca formar disposições fundamentais, intelectuais e emocionais nos seres humanos em relação à natureza e aos outros seres humanos. Assim sendo a filosofia seria ou deveria ser a teoria geral da educação.

Ao se acreditar que, com a educação, pode-se desenvolver nas pessoas formas fundamentais de pensar e agir, bases intelectuais reflexivas, o aperfeiçoamento cognitivo, certamente que se está desenvolvendo nelas uma forma particular de ver o mundo. Ou seja, nesta visão, a educação contribui para desenvolver nas pessoas uma concepção de mundo. E se isto ocorre, é porque dentro de todo esse processo intelectual, cognitivo e emocional, os atributos da filosofia estão sendo utilizados.

Em sala de aula, quando professores trabalham seus conteúdos de forma reflexiva e crítica, certamente que estarão utilizando o método filosófico. Portanto, dentro da perspectiva da educação, é em sala de aula que se pode nitidamente perceber a função da filosofia. Ao se refletir sobre as condutas morais e intelectuais nas diversas situações que o ser humano perpassa, a filosofia está sendo feita.

Portanto, concordo com a visão de Dewey quando afirma que a filosofia pode ser definida como a teoria geral da educação, as pessoas aprendem de fato, quando refletem, quando contrapõem opiniões e visões de um mesmo assunto e, sobretudo, quando chegam às suas próprias conclusões. Portanto, a filosofia pode ser considerada como a mola mestra da educação, com ela é que é possível se fazer uma educação de qualidade, melhorando o aprendizado dos alunos e contribuindo para a formação de cidadãos críticos e que tenham uma postura mais participativa em nossa sociedade.
Mérito ou politização: Para onde vai a qualidade dos serviços em Educação?

Ricardo Navia, professor doutor da Universidad de La República, de Montevidéu no Uruguai, critica a estrutura educativa das escolas em dois pontos importantes: em primeiro lugar, quanto ao poder de decisão que os chamados funcionários políticos possuem em detrimento dos docentes e supervisores de carreira, sendo aqueles mais sensíveis às pressões do poder em detrimento destes. Num segundo momento, chama a atenção para a existência de uma distorção da carreira docente, na medida em que os altos cargos de supervisão e planejamento não são ocupados através de concurso de méritos intelectuais, mas sim por planos impostos ou pelos chamados “méritos administrativos”.

Para Navia, que é doutor em filosofia da educação, os chamados funcionários políticos estariam ocupando cargos mais altos exatamente porque são mais sensíveis às pressões do poder, ou seja, seguem à risca determinações impostas por quem tem o poder político e, assim, acabam conseguindo benefícios e ocupando cargos mais elevados, em detrimento dos funcionários de carreira que estariam mais voltados para os interesses das comunidades escolares e, portanto, não se deixariam levar com tanta ênfase pelas pressões políticas.

Por outro lado, quando um cargo é ocupado por motivos políticos e não por méritos intelectuais, a tendência é encontrar funcionários que se preocupam em agradar quem esta no poder e não fazer o seu serviço visando melhorias em prol da qualidade da educação. Ou seja, atende-se ao interesse de uma minoria que detém o poder e se esquece das necessidades de quem faz uso do sistema educativo em busca de qualidade. Portanto a politização dos cargos na área da educação pode levar à queda na qualidade dos serviços oferecidos e conseqüentemente uma queda na qualidade da educação.

Sob meu ponto de vista, é necessário que a estrutura educativa seja repensada e em muitos casos, modificada. Os cargos em educação não podem ser ocupados apenas por questões políticas, é necessário que haja uma abertura para a contratação de funcionários por méritos intelectuais e que tenham a preocupação em oferecer serviços de qualidade sempre buscando a melhoria da educação. A politização dos cargos em educação é preocupante, sobretudo porque seu objetivo final é beneficiar uma pequena parcela de pessoas em detrimento do interesse da maioria.
Educação no Brasil: Ensino Elitizado e sua Universalização

Em seu artigo “As Origens da Educação no Brasil – Da hegemonia católica às primeiras tentativas de organização do ensino”, Marcos Marques de Oliveira, doutorando em Educação, ensina-nos que a educação no Brasil sempre esteve voltada para o ensino das elites em detrimento da universalização do ensino popular. No período da economia agroexportadora, a educação voltou-se para a formação da elite, visando prepará-los para exercer profissões liberais e atividades político-burocráticas. Na passagem para o modelo econômico urbano-industrial, que culmina com a Revolução de 1930, as classes média e popular passam a reivindicar uma organização de um sistema nacional de ensino.

Desta forma, a escolarização passa a ter destaque na dinâmica dos conflitos sociais. A então progressiva organização da estrutura educacional brasileira passa por três momentos marcantes: expansão da demanda social (Primeira República), as reformas Francisco Campos e Gustavo Capanema e a promulgação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional em 1961.

Apesar do incremento da presença das camadas populares dentro da escola nos momentos citados anteriormente, é somente durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, na década de 1990, que o ensino fundamental passa, de fato, a ser estimulado e ampliado. Neste momento que, efetivamente, as camadas mais pobres passam a freqüentar as salas de aula e nelas permanecer. Porém, o grande desafio que permanece até os dias de hoje, além da inclusão das camadas mais pobres nas escolas, está na melhoria da qualidade dos serviços prestados, ou seja, não basta mais que as camadas populares estejam na escola e permaneçam nelas, faz-se necessário agora melhorar a qualidade de ensino e, sobretudo, é preciso que os alunos realmente aprendam. Com a melhoria no quadro sociocultural de nossa população como um todo, poderemos assim construir cada vez mais uma nação mais justa, produtiva e democrática.

08 novembro 2009

Indisciplina: Cuidados para não cometer injustiças

Era a última aula de uma sexta-feira chuvosa. Muitos alunos bagunçaram o tempo todo. Não fizeram a lição. A metade da turma que tentava escutar a explicação da professora era atrapalhada pelos que conversavam. Vários papeizinhos voaram em direção à lousa. 
 
[1] Indisciplina: como se resolve? In Revista Nova Escola, outubro de 2009. Editora Abril, pag.88.

26 outubro 2009

A Importância de Escrever Bem

Gostaria de iniciar as respostas das questões propostas pela professora, pensando exatamente no contrário, ou seja, pensando nas pessoas que hoje em dia não sabem ler nem escrever. Estas pessoas acabam se tornando limitadas na situações cotidianas. Em alguns casos, precisam acreditar fielmente no que escutam na rádio ou na TV ou, ainda pior, apenas no que os outros dizem para ela. São incapazes de descobrir outros pontos de vista sobre um mesmo assunto, pois não terão oportunidade de ler revistas ou jornais com linhas de pensamentos diferentes. Portanto, acabam se tornando pessoas muito mais manipuláveis e isso é um perigo.

Segundo Paulo Freire, os atos de ler e escrever estão extremamente entrelaçados e, portanto não devem ser separados, como se fossem coisas independentes. Como compartilho desta mesma linha de raciocínio, acredito que as mesmas pessoas citadas no parágrafo anterior se tornam extremamente limitadas para o exercício da cidadania, sobretudo, nos dias atuais onde diversos documentos que servem como provas para diversas situações e assuntos são utilizados corriqueiramente. Essas pessoas se tornam extremamente dependentes de outras e, portanto, acabam dependendo de vontades alheias à elas. Dessa forma, saber escrever bem é pré-requisito hoje em dia, para o efetivo uso da cidadania. Para termos cidadãos menos manipuláveis, mais críticos e antenados com a realidade atual, é de fato necessário que as pessoas desenvolvam muito bem suas competências leitora e escritora.

Agora, no mês de novembro que se aproxima, os alunos da rede estadual de ensino estarão realizando uma avaliação denominada Saresp, onde dentre outras provas, os alunos farão uma redação. Para a correção desta prova, os professores levarão em conta dois itens muito importantes: a gramática e a coesão/coerência. Dentro do sistema estadual de ensino do estado de São Paulo, tanto gramática quanto coesão/coerência são consideradas habilidades importantes para uma boa redação. Ou seja, para saber se expressar bem são necessários tanto dominar bem as normas gramaticais vigentes quanto ter coesão/coerência com aquilo que se está escrevendo.

Utilizar bem as normas gramaticais é importante para poder expressar de forma escrita exatamente aquilo que se pensa, aquilo que se quer dizer. O mau uso das normas gramaticais pode levar a quem escreve, afirmar coisas que não eram exatamente o que pensam, ou até mesmo, dizer o contrário do que queriam dizer. Da mesma forma, ter coerência e coesão com o que se escreve, são habilidades obrigatórias para se expressar bem, não fugindo do assunto e não correr o risco de falar, falar e falar e não dizer nada.

Para escrever realmente bem, é necessário que as pessoas conheçam os diferentes tipos de gêneros textuais existentes. Cada situação requer um formato de escrita. Uma carta pessoal é diferente de um artigo de opinião. Escrever instruções técnicas para o uso de um aparelho eletrônico é diferente de escrever um texto argumentativo numa seção de uma revista. Portanto, hoje em dia, é de suma importância que as pessoas conheçam os diferentes gêneros textuais para saber qual utilizar conforme a situação que lhe aparece.

Finalizando, podemos concluir que escrever bem não é um ato simples hoje em dia. Requer domínio das normas gramaticais, precisa ter coerência/coesão naquilo que se escreve e é necessário que se escreva num formato apropriado (gênero textual). Não é à toa que levamos, pelo menos, 12 anos para concluir o Ensino Básico, desde o primeiro ano do Ensino Fundamental até 3º ano do Ensino Médio, aprendendo desde as primeiras letras até escrever um texto argumentativo com proposição.

25 outubro 2009

Ética: Virtude de uma Comunidade Escolar Feliz


Progressão Continuada, falta de tempo para os pais acompanharem o rendimento dos seus filhos e professores que trabalham nos três turnos para garantir o sustento de suas famílias são problemas comuns à carreira da maioria dos profissionais docentes. Conjugados, esses problemas desencadeiam uma série de tomadas de decisões no dia a dia do professor que desgastados ou sob pressão de interesses sejam políticos ou econômicos acabam abrindo espaço para a postura não ética no cotidiano escolar.

Podemos definir ética como uma reflexão sobre a moral e os bons costumes, que busca numa situação limite a justiça e a harmonia entre os homens. Moral, por sua vez, pode ser considerada uma série de normas de conduta que, de forma prescritiva, dita o comportamento do homem em relação aos seus costumes, hábitos e usos. No cotidiano escolar, assim como na convivência social como um todo, as pessoas estão sujeitas às regras morais do grupo que pertencem, porém com tantos problemas que envolvem a carreira docente e a falta de tempo para uma reflexão mais atenta destes problemas, os profissionais da educação correm o risco de dar créditos à falta de ética na resolução dos problemas escolares cotidianos.

Vejamos algumas situações práticas: passar ou não passar de ano um aluno que não fez nada o ano inteiro, apenas brincou e causou uma série de problemas disciplinares, atrapalhando, inclusive, o próprio desempenho de seus colegas? Deve-se seguir, puramente, o sistema da progressão continuada neste caso, levando se em consideração que tal sistema é ditado por uma instância superior no caso da rede pública estadual de ensino do Estado de São Paulo e correr o risco deste mesmo aluno vir ainda pior no ano seguinte? Este mesmo aluno merece estar na série subseqüente, mesmo que sua família não se importe com seus rendimentos escolares, não acompanhe as reuniões de pais e não resolva ou não tenta resolver os problemas que lhe são particulares? O professor, desgastado profissionalmente e trabalhando muitas vezes em até três turnos, precisará “engolir” este mesmo aluno na turma do ano posterior, sentindo-se cada vez menos valorizado quanto profissional que o é?

Responder essas questões, de forma clara e reflexiva, é fundamental para que o trabalho docente continue sendo realizado de forma ética, levando-se em consideração os anseios da comunidade da qual este profissional faz parte. O professor, antes de tudo, deve ser sempre um profissional crítico e reflexivo, que busque entender as demandas sociais, políticas e econômicas de sua época e contribuir para construir uma sociedade mais justa. Claro que deve pensar em seus interesses pessoais, mas deve também pensar nos interesses de seu seguimento profissional e, sobretudo, nos interesses da comunidade escolar da qual faz parte. Entendendo estas diversas escalas da qual faz parte e refletindo de forma ética poderá encontrar soluções em conjunto com os outros professores e gestores da escola e assim conseguir um dia a dia mais harmônico em sua escola.

Sabemos que existe toda uma racionalidade burocrática por detrás do trabalho que o professor exerce, porém, agindo de forma ética e levando-se em consideração as reais necessidades da comunidade escolar da qual faz parte, o professor poderá encontrar soluções para boa parte dos problemas que cercam o fazer docente. Desta forma, tomando decisões assertivas, contribuirá para tornar a comunidade escolar, da qual faz parte, mais feliz. Existindo prazer e felicidade certamente a ética estará presente dentro do grupo da qual faz parte.

01 outubro 2009

O Processo de Evolução das Palavras

Segundo Aldo Bizzocchi, doutor em lingüística, a evolução das palavras pode acontecer por uma série de fatores, tais como: a inovação lingüística, também chamada de mutação; o principio da analogia; o processo de seleção cultural (inovação que é aceita ou não); a deriva lingüística (agente externo muda arbitrariamente o sentindo da palavra, como os falantes de prestigio) e, finalmente, a difusão das novas formas, podendo ser cultural (contágio entre populações vizinhas) ou dêmica (falantes que migram para diferentes regiões lingüísticas).

O professor de Língua Portuguesa, Hélio Consolaro, em seu site “Por trás das letras” nos explica que as palavras da língua portuguesa possuem diversas origens: do latim vulgar (latim levado pelos soldados romanos às terras conquistadas, como: barro, louça, mantega); do latim escrito usado pela igreja católica (palavras eruditas: lácteo, fascículo, celeste); de outras línguas, quase sempre neolatinas (como amistoso que está ligada à palavra em castelhano amistad); das invasões estrangeiras na Península Ibérica – visigodos no século V (bando, guerra, trégua) e árabes entre os séculos VII e XV (alface, cifra, faquir); do processo de imigração para o Brasil – negros (acarajé, dengue), italianos, japoneses, entre outros; e da influencia cultural francesa sobre a intelectualidade brasileira (omelete, tricô, chique).

Em seu site, Consolaro cita a evolução de algumas palavras, a partir dos estudos de Adriano da Gama Kury, livre docente da Universidade Federal Fluminense. Dentre elas, podemos citar a palavra “libertino”, que significava, num primeiro momento, “filho de escravo liberto” e que, com o tempo, passou a ter sentido de “libertados dos preceitos da moral e da religião” ou, por conseguinte, “devasso, imoral, despudorado, dissoluto”.

Outra palavra cunhada por Kury e citada por Consolaro é “vilão”. A princípio esta palavra designava “o aldeão, o habitante da vila”. Posteriormente passou a significar “homem grosseiro, perverso, infame”. Kury explica que essa transformação deu-se possivelmente por associação à palavra “vil” e nos esclarece que sob a visão dos “aristocratas, dos nobres, dos homens da cidade”, os homens da vila, da aldeia, do campo são “grosseiros, capazes de praticar ações vis”.

Dessa forma pode-se entender o porquê das palavras mudarem de significado ao longo do tempo. Muitas vezes a origem da palavra é uma, porém o seu uso cotidiano pode levá-lo a uma transformação, ganhando significados diferentes do seu termo original. Palavras como “vilão” e “libertino” que simplesmente designavam algumas características de certas pessoas, hoje possuem sentidos totalmente diferente, pejorativos.


Fontes:

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=curiosidades/docs/origemdaspalavras - Acesso em 03/10/2009.

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11466 – Acesso em 03/10/2009.

13 setembro 2009

Currículo: Origem e Conceituação

Antes de tudo gostaria de dizer que as primeiras aulas da disciplina "Currículo: Teoria e Prática" foram ao mesmo tempo muito interessantes, porém extremamente difíceis de entender. A leitura atenta sobre as origens da palavra currículo fez elucidar melhor o conceito à seu respeito permitindo entender sua relação com a noção de discurso e de teoria.

A origem da palavra currículo remonta os séculos XVI e XVII, originalmente curriculum, significando um "curso de vários anos feito por cada estudante" e também "algo que deve ser seguido e concluído". No Brasil a palavra curriculum torna-se "currículo" sendo entendido também como um "documento que relata a trajetória educacional e/ou acadêmica e as experiências profissionais de uma pessoa".

Já no século XX o conceito de curriculum vai sendo aperfeiçoado podendo ser entendido como "processo de racionalizar os resultados educacionais rigorosamente medidos". A educação passa a seguir o modelo das fábricas onde "o sistema educacional deveria ser tão eficiente quanto qualquer empresa". Ou seja, neste momento, percebe-se nitidamente uma intencionalidade, um discurso a respeito do conceito da palavra currículo que estaria voltado para os interesses do mercado capitalista. Daí muitos autores preferirem falar sobre o discurso do currículo e não da teoria do currículo, pois a teoria seria apenas a descrição de algo que já existiria, já o discurso é carregado de pontos de vista e de intencionalidade, é algo inventado, que não existia anteriormente. Esta é exatamente a idéia dos autores do chamado pós-estruturalismo que possuem uma visão crítica a respeito do conceito abordado aqui.

Continuando sob a perspectiva do discurso sobre a palavra currículo, podemos afirmar que trata-se da "formação de determinado tipo de sujeito", buscando "modificar as pessoas" e finalmente chegar na "pessoa considerada ideal". Por isso que o currículo é a própria identidade de uma escola, de um curso, de uma instituição de ensino, pois é idealizado, ou deveria ser, pelo grupo de pessoas que administra esta instituição e que possuem formas de ver a realidade, possuem crenças, possuem métodos pedagógicos que acreditam serem as mais corretas. É algo praticamente imposto por este grupo de pessoas (gestores de determinada instituição) exatamente porque busca a formação da pessoa ideal sob a visão deste mesmo grupo.

Finalizando, como os tempos mudam, os comportamentos se transformam, a pessoa considerada ideal para cada época também muda. Se antigamente buscava-se uma pessoa que seguia à risca as regras impostas pelas fábricas, ou seja, uma pessoa metódica e que fazia suas atividades de forma mecânica e repetitiva, hoje se procura uma pessoa capaz de se adaptar a diferentes realidades, capaz que saber agir e pensar num mundo em constante e rápida evolução. Dessa forma, o currículo de hoje é diferente do currículo de ontem. Esse talvez seja o grande fascínio que o currículo possui, ou seja, estar em constante movimento.

Obs: Todas as citações feitas foram retiradas dos textos das aulas da disciplina "Currículo: Teoria e Prática".

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O currículo determina a identidade de um grupo. Por isso que gostei da visão pós-estruturalista mostrada em nossas aulas.

Só tenho dúvidas se realmente cada escola elabora seu currículo de forma flexível. Muitas vezes tenho a impressão de que o currículo é imposto, mas os professores acabam flexibilizando no seu dia a dia docente.

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Realmente concordo que a "educação seja uma preparação para a vida". Porém, essa educação está repleta de intencionalidades e essas intenções são colocadas a partir do currículo.
É necessário que os professores participem cada vez mais da elaboração dos currículos de forma ativa. Ou seja, pensando no cidadão que querem formar e não apenas aceitando as imposições de pequenos grupos dentro da escola.

Apesar de que, também tem o outro lado da moeda. O professor pode muito bem, em seu dia a dia, re-elaborar na prática a formação de seus alunos, não seguindo ou seguindo pouco do currículo que a escola lhe impõe.

Este talvez seja uma das principais críticas ao currículo. Ou seja, quem garante que ele vai ser seguido à risca? Afinal, cada professor possui sua história e trajetória de vida, suas crenças particulares e elas não são deixadas de lado durante sua prática docente.

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Em minha opinião o currículo deve ter flexibilidade durante a sua concepção e também permitir determinadas mudanças em sua trajetória de execução. Porém, ele não pode ficar sendo mudado a todo instante, porque senão fica uma coisa caótica e gestores e professores acabam ficando sem norte, sem saber para onde seguir.

Portanto, o currículo de uma instituição, em sua base central, deve ser imutável, pelo menos, para determinado período, que pode ser, por exemplo, de quatro anos no Ciclo II do Ensino Fundamental. Depois de transcorrido o período, ele poderá ser reavaliado e modificado nos aspectos que não estão indo muito bem.


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O conceito de currículo que você colocou é exatamente aquele que está mais em voga nos dias de hoje, sobretudo nas escolas estaduais. Essa fundamentação das práticas pedagógicas que devem partir da realidade do aluno, visando a aprendizagem a partir do conhecimento que o ele já possui parece ser a mais acertada nos dias de hoje.
Realmente interessante essa discussão sobre Currículo, pois permite enxergarmos a realidade atual de forma muito clara.

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Estou achando muito interessante essa discussão sobre seguir à risca o currículo ou inserir novas práticas.

Cada hora estou pendendo para um lado (risos), porém, acredito que ao exercitar a nossa reflexão, poderemos chegar a uma conclusão mais plausível.

Agora, se cada professor ir inserindo novas práticas e fugindo da essência do currículo, a coisa vai virar um samba do crioulo doído. Portanto, vejo também necessário que se siga a proposta (o currículo) de forma coletiva e disciplinada. Afinal, o currículo faz parte de um sistema de ensino e que possui uma intencionalidade e se cada um fizer o que quer os objetivos centrais não serão alcançados.

No caso da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo, estamos implementando uma proposta curricular baseada em "situações de aprendizagem" para o desenvolvimento de "habilidades e competências", que estão centradas, nas competências leitoras, escritora e cálculos matemáticos.

Claro que cada professor poderá inserir práticas docentes que deram certo em sua trajetória docente, porém, ele precisa desenvolver as habilidades e competências que são ditadas pela proposta curricular do estado. Ele precisar estar focado sempre nessas habilidades e competências porque senão os alunos não conseguirão aprender o que realmente precisam aprender.


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O currículo é de suma importância para a escola. É um parâmetro a ser seguido. Muitos professores precisam aprender a segui-lo e a percebê-lo como algo que vem lhe ajudar.

Claro que com tantos afazeres fica difícil você seguir à risca tudo o que pé pedido. o professor precisa de melhores salários para ter mais tempo de se dedicar a uma única instituição e poder preparar melhor suas aulas.

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Nossa professora! Esse questionamento que você colocou citando TomazTadeu da Silva é mesmo de fundir a cuca (risos).

Eu acredito que (nestes momentos ainda iniciais de reflexão sobre currículo, uma vez que o curso ainda está começando) a frase dele esteja correta: "Quando discutimos as questões curriculares pensamos apenas em conhecimento, esquecendo de que é o próprio conhecimento que constrói o currículo."

Vou colocar um exemplo muito prático. Hoje em dia sabemos que os professores efetivos de uma escola e que já trabalham há vários anos na mesma instituição são mais compromissados e garantem um rendimento melhor dos alunos, uma vez que passam a conhecê-los melhor. Essa constatação é feita pela própria experiência de determinado corpo gestor de determinada escola.

Na elaboração da grade curricular com o total de aulas semanais em cada disciplina, os gestores deveriam, portanto, privilegiar os professores da casa, procurando atender primeiro às suas necessidades quanto ao total de aulas que cada um terá no ano subseqüente. Essa é uma forma de "segurar" os professores titulares de cargo e garantir melhores aulas para os alunos da comunidade à qual a escola pertence.

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Agora me veio outra dúvida.

A diferença entre currículo e Projeto Político Pedagógico.
Seguindo o Sistema de Ensino implantado pela Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo, no ano passado, percebo que o currículo é uma coisa maior, que abrange todo o estado de São Paulo e portanto menos flexível.

Já o Projeto Político Pedagógico varia de escola para escola, refletindo melhor a realidade das comunidades, seus valores e identidade.

Não sei se o Projeto Político Pedagógico poderia ser considerado o currículo individual de cada escola. Será que a professora poderia nos elucidar?

11 julho 2009

Preservação da história

Além de atuar junto à comunidade em apoio às reivindicações de todos, a EE Barnabé faz questão de preservar a memória do bairro. O edifício é tombado pelo patrimônio histórico e a sala da diretora pode ser considerada um museu. Um projeto coordenado pelo professor de Geografia Marcelo Hideki Suwabe colocou as turmas do 6º ano do Ensino Fundamental ao 1º ano do Ensino Médio para ajudar na restauração do acervo.



É possível encontrar documentos do início do século (como livros de ponto, de matrícula, boletins, livros pedagógicos e fotos) e objetos usados na época da Revolução Constitucionalista (o prédio serviu de quartel), como capacetes e medalhas de ex-combatentes. Suwabe, especialista em patrimônio histórico, orientou todas as ações e teve o apoio de profissionais do Centro de Memória da Fundação Bunge, que ministraram palestras técnicas para os estudantes. O trabalho começou com a higienização dos materiais. Depois da limpeza, foi feita a classificação e organização dos itens com base num inventário já existente. Os que ainda não estavam na lista foram incluídos.

Com tudo organizado, hoje é possível conhecer um pouco sobre a história da região. Os alunos chegaram a montar uma exposição durante o encontro num centro de convenções de Santos. Alguns deles vestiram uniformes antigos para monitorar as visitas e explicar a origem e a história dos objetos. Outros ajudavam os visitantes a consultar o nome de parentes nos livros de matrícula. "Conhecer o passado os ajuda a valorizar a escola e a se identificar com ela, cuidando da aprendizagem do passado e do presente", conta o professor, que atualmente atua como coordenador pedagógico.



Publicado em: Revista Nova Escola - Gestão Escolar, nº 2, junho/julho de 2009


Portas abertas para o bairro

Escola no litoral paulista cuida da aprendizagem dos alunos e dos problemas da comunidade.

Nem o antigo prédio da escola escapou da deterioração. Mas hoje ele se destaca na paisagem. E não apenas pela arquitetura, novamente preservada, mas também por abrigar a EE Barnabé, uma referência de ensino de qualidade na Baixada Santista. O mérito? Da gestão escolar, que soube manter um bom relacionamento com o entorno (leia no quadro abaixo as ações para aproximar a escola com o bairro).


Reportagem completa: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/portas-abertas-bairro-476130.shtml

05 julho 2009

Realidade Social e Desenvolvimento Tecnológico

O filme Minority Report mostra as ações do Departamento de Pré-Crime, nos Estados Unidos, que em pleno ano de 2054 faz uso das tecnologias vigentes para impedir que assassinatos sejam cometidos. Os chamados pré-cogs antevêem um crime de forma mediúnica e, através das imagens formadas em seu cérebro, agentes da polícia identificam o local do crime, chegando a tempo de impedir que ele ocorra. Na dinâmica desse mundo futurista, as pessoas são reconhecidas através de scanneres oculares que cruzam informações até chegar à identidade de cada cidadão. O desenvolvimento tecnológico permite uma vida extremamente dinâmica, onde os deslocamentos são feitos de forma rápida e as propagadas interagem de forma pessoal com o seu alvo.

Na contra-mão desse mundo “perfeito”, existe toda uma máfia que busca burlar o sistema. Clínicas clandestinas fazem operações de mudanças de olhos para impedir que criminosos sejam identificados. Em locais periféricos, populações de baixa renda são quase que excluídos do sistema, porém, apesar de segregados pelo menor poder de consumo, estão menos sujeitos à vigilância constante.

Ao analisarmos a realidade mostrada no filme, não podemos deixar de fazer uma reflexão sobre a nossa própria realidade e, particularmente, como estudante de pedagogia é preciso associar desenvolvimento tecnológico, processo de ensino-aprendizagem e realidade social. Para atuar como cidadão em qualquer sociedade é necessário que as pessoas conheçam e façam uso das tecnologias vigentes. Portanto, como afirma Isabel Rodriguez, as teorias educacionais devem estar focadas na “construção de ambientes de ensino-aprendizado, apropriados aos tempos velozes e impermanentes”. É preciso formar cidadãos que saibam interagir com as tecnologias e sociedade de cada época. Nesta perspectiva, algumas questões podem ser levantadas nos dias de hoje: Como democratizar o conhecimento? Como levar a inclusão social/digital a todos? Como superar as desigualdades sociais?
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BIBLIOGRAFIA

- RODRIGUEZ, Isabel. Teorias: Aspectos Teóricos e Filosóficos. Postado em: http://www.abed.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=1por &infoid=1066&sid=69, acessado em 25/07/2006.

07 junho 2009

Reflexões à partir de Maria Montessori

(Atividade) " A professora não pode só ensinar . Ela deve saber ver dentro da alma , para ajudar a criança no seu desenvolvimento . Ela deve formar a personalidade, não só pelo ensino, mas falando à sua alma ,ao seu espírito , à sua inteligência , com compreensão ,humildade e respeito. Esta compreensão não pode sair senão de um espírito eleito ,refinado , que saiba aprofundar os problemas da humanidade. " (Maria Montessori - Revista Memória da pedagogia- n.3)


Maria Montessori revolucionou a educação no mundo , trazendo um outro olhar para a criança. Também o papel do educador muda , pois ela o vê como uma referência, um modelo na educação da criança, o que exige dele uma auto-análise constante de sua atuação em sala de aula. Como você acha que seria possível fazer esse exercício diário ,levando em conta os prazos, horários e pressões da vida moderna? Como o professor pode buscar esse auto-conhecimento , tão importante para sua formação ?


(Opinando 1): Na minha opinião "amar a sua profissão" é um processo construído ao longo do tempo. Confesso que inicialmente eu não gostava muito de lecionar, lidar com crianças e adolescentes. Hoje, quando percebo alguns resultados positivos que foram sendo conquistados ao longo do tempo, vejo o quão prazerosa é a nossa profissão. Quanto mais vamos atuando, mais vamos sentindo o gostinho bom de gostar de educar, mais seguros vamos ficando, melhor vamos direcionando nossas ações e, conseqüêntemente, nossa auto-estima se eleva e, assim, passamos a amar o que fazemos.

(Opinando 2): Precisamos sempre abrir um espaço em nossas aulas para essa troca de afeto e experiências, corrigir posturas e orientar sobre boas maneiras. Acredito que, com a experiência, esta forma de agir se torna praticamente parte da aula.

Porém, em casos extremos, podemos parar completamente o assunto que estivermos trabalhando e dialogar sobre questões como indisciplina, problemas familiares, financeiros, entre outros. Nem sempre o conteúdo da aula é o mais importante em dado momento e abrindo esses espaços para discussão poderemos ganhar a confiança dos alunos que passarão a ser mais participativos.

Afinal, em tese, o aluno precisa confiar "cegamente" que o conteúdo que estamos passando é verdadeiro. Se tivermos de antemão a confiança dele, meio caminho estará andando.

(Opinando 3): Sabe que certa vez participei de uma atividade com vários coordenadores pedagógicos, sendo que em meu grupo ficou uma coordenadora que já trabalhava há anos com crianças excepcionais.

A atividade consistia em identificarmos uma criança em cada escola, que trazia algum problema grave, sobretudo de indisciplina e procurar caracterizá-la, sobre seus medos, seus anseios, suas necessidades. Ao comparamos as respostas sobre as crianças "normais" com as excepcionais, percebemos que as respostas eram sempre muito parecidas: os mesmos medos, os mesmos anseios, as mesmas necessidades. O que variava era a forma de cada uma demonstrar cada uma dessas características.

Fiquei surpreso com o resultado final. Nosso grupo concluiu que definitivamente somos todos iguais. Temos perspectivas e medos semelhantes. Talves apenas mude o ritmo de cada um. O ritmo cognitivo e de amadurecimento emocional podem ser desigual, porém, como seres humanos, percebemos que crianças excepcionais se igualando a todas as outras. Afinal, todos somos seres humanos.

(Opinando 4): Eu particularmente, penso da seguinte forma. Não é fácil cuidar da educação dessas crianças que chegam extremamente "chucras" em nossas mãos. E queiramos ou não a realidade é essa. Sobra para a gente educar mesmo. A gente pode cruzar os braços e reclamar, apontar os defeitos. Ou então, arregaçarmos as mangas e irmos em frente, ou seja, enfrentarmos o desafio de educar esses meninos e meninas que chegam até a gente todos os anos tão desamparadas, tão sofridas e tão rudes.

Não é fácil não. A briga é feia. Muitas vezes, nos casos extremos, temos que ser autoritários mesmo. Darmos broncas, sermões, "chacoalhar" essa molecada. Transformar água em vinho, literalmente. Depois do tratamento de "choque" é que podemos trabalhar a parte cognitiva, de entendimento sobre o que é educação.

Não sei como vocês costumam enfrentar tudo isso. Sei que é muito difícil. É uma luta inglória, mas que a médio e longo prazo dão resultados sim. Pois, com o tempo, você consegue se aproximar deles e, finalmente, chegar à sua alma. Entender os problemas e buscar minimizá-los.

Agora, definitivamente, muitos pais não estão nem aí mesmo. Sobra para a gente mesmo. Já escutei a seguinte fala: "Esses pais são todos uns folgados, eles não dão jeito em seus filhos e querem que a gente dê".

E vou ser sincero, em muitos casos a gente até consegue. Mas é uma luta muito difícil. Em outros momentos, a gente percebe que não tem jeito mesmo e deixa que a própria vida vai se encarregar do futuro deles.

(Opinando 5): Gostaria de responder essa atividade relatando um caso que aconteceu essa semana comigo.

A mãe de uma aluna de 5ª série (6º ano) veio conversar comigo preocupada com a filha que esteve faltando na escola nas duas últimas semanas. Ela chegava até a porta da escola, começava a chorar e ia embora para casa.

Conversando com a mãe, descobri que eles estavam passando por um momento delicado financeiramente e que já não pagavam o aluguel da casa por um bom tempo. A dona do imóvel, depois de insistentes cobranças, certo dia, invadiu a casa, quebrou os móveis e agrediu fisicamente a mãe dessa aluna.

Isso causou um trauma muito grande e insegurança na menina que passou a ter problemas emocionais e não querer mais vir à escola com medo que alguma coisa pudesse acontecer em casa, enquanto sua mãe estivesse por lá.

Conversei com a aluna, falando para ela de forma calma e verdadeira, citando exemplos que acontecem à toda hora com muitas pessoas. Todos têm problemas pessoais e nem por isso deixam de estudar, trabalhar, etc.

Pedi para ela que tentasse ficar naquele dia e fosse fazendo as coisas com calma e se ela se sentisse mal viria falar comigo que eu ligava para a casa da mãe e a mãe viria buscar. Falei para ela fazer as coisas aos pouquinhos, que se no dia seguinte não se sentisse bem, não viria para a escola, mas que tentasse no dia seguinte de novo. Orientei que fosse ganhando confiança aos poucos até o momento que conseguisse voltar de vez. Exatamente como fiz no meu serviço. Falei para ela que, se eu consegui voltar a dar aulas e agora até virei coordenador, ela também conseguiria voltar e terminar não só a 5ª, mas todas as séries subseqüêntes.

Resultado: a aluna a partir de terça-feira não mais faltou na escola e está se sentindo melhor. Semana que vem vou tentar conversar com ela, se sobrar algum tempo, pois tenho andado atarefadíssimo.

Acredito que não é fácil fazer um trabalho quase que individualizado, enxergando dentro da alma de cada criança e tendo paciência e compreensão com elas, sobretudo por serem muitas (na minha escola são quase 300 alunos do fundamental II) e os problemas de toda a ordem. Porém, sei também que o exemplo que dei a ela, será repassado para outros coleguinhas e outras mães e que em "cadeia" poderá atingir indiretamente outros alunos que estejam com problemas emocionais semelhantes.

Na minha opinião, o ponto de partida é mesmo ser verdadeiro, ter calma ao falar com o aluno, respeito, compreensão e humildade. Outra coisa importante é rever o que foi feito antes em situações parecidas e perceber o que deu certo ou errado. Em alguns momentos, é vantajoso gastar um pouco do precioso tempo resolvendo uma questão como essa, pois se eu não fizesse isso agora, a coisa poderia se agravar e traria outros tipos de conseqüências.

As leituras que tenho feito durante esses quase dois meses de curso tem me ajudado muito. Aprender mais sobre educação, estudar, faz a gente refletir, repensar situações e ter posturas diferentes. Isso ajuda muito na busca do auto-conhecimento e corrige nosso comportamento durante a atuação profissional. Outra coisa que também acredito ser importante é participar dos fóruns aqui, falar as coisas que pensamos, sentimos, como agimos, pois no processo de relatar algo, estamos aprendendo e revendo conceitos também.

(Opinando 6): Realmente, é necessário muita sensibilidade e jogo de cintura. Sabe, esse é um exemplo dos diversos casos de problemas famíliares que a gente escuta todos os dias.

Mas tem o outro lado da moeda também. Existem muitos alunos danados, espertinhos, debochados e que precisam de limites muito bem impostos. Quando se juntam em sala de aula podem colocar a sala abaixo. Não é fácil não.

Agora, realmente, é muito bom quando a gente consegue chegar à alma da criança e descobrir que conseguimos realmente ajudá-la. Faz um bem muito maior do que se simplesmente eu a tivesse ignorado e continuasse fazendo alguma atividade burocrática.

06 junho 2009

A Criança não é um Adulto em Miniatura

De origem suíça, Jean Piaget estudou como ocorre o desenvolvimento cognitivo nas crianças. Através de observações e testes aplicados em escolas francesas, ele descobriu que as crianças possuem características próprias de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, não podendo ser consideradas como adultos em miniatura. As crianças possuem uma lógica própria de funcionamento mental.

Segundo Piaget, as crianças aprendem de forma ativa, interagindo com o meio, num processo cognitivo de assimilação e acomodação que resultam na equilibração de novos conhecimentos. Assim, Piaget dividiu em quatro as etapas de desenvolvimento cognitivo das crianças: Sensório-Motora (do nascimento aos dois anos de idade); Pré-Operatória (dos dois aos sete anos de idade); Operatório-Concreta (dos sete aos doze anos) e Operatório-Formal (após os doze anos de idade).

Particularmente na etapa pré-operatória é quando surge a linguagem oral e é também quando as crianças passam a usar símbolos, imagens ou palavras que representam coisas e pessoas que não estão presentes em dado momento. Algumas das principais características desta etapa são: O pensamento egocêntrico, onde tudo o que a criança pensa é a partir de seu ponto de vista; o animismo, onde a criança atribui consciência aos fenômenos da vida; o finalismo, onde ela acredita que tudo tem uma finalidade; o artificialismo, a criança acredita que todas as coisas são produtos da fabricação humana, incluindo montanhas e rios; e pensamento dependente da percepção imediata, não tendo noção de conservação, ao se mudar a aparência de determinada coisa, a criança acredita que mudou também a quantidade, a massa, o volume e o peso.

Segundo Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, a criança, na etapa pré-operatória, passa a poder agir por simulação. Na falta do objeto concreto, ela pode fazer representações do mesmo através de interações mediadas por “imagens, lembranças, imitações diferidas, jogos simbólicos, evocações verbais, desenhos, dramatizações” . Por outro lado, as representações realizadas pelas crianças são feitas de forma analógica e justapostas. A criança nessa etapa percebe tudo globalmente e tem dificuldades em fazer analogias sem que se façam análises bem detalhadas das coisas. Macedo explica que “um dos principais objetivos da educação pré-escolar (que engloba a faixa dos dois aos três anos) deveria ser o de ensinar a criança a observar os fatos cuidadosamente, em especial quando estes são contrários aos previstos por ela” . Ele também nos chama a atenção para a necessidade de realização de atividades em duplas e em grupo, sempre desenvolvendo as habilidades de comunicação, onde as crianças possam brincar entre si, falar, discutir, resolver problemas práticos. Segundo o professor da USP, “agora não basta mais à criança realizar as ações, é preciso que ela fale delas para outrem, que as reconstitua por via narrativa e que aprenda a descrevê-las em palavras, quadros, desenhos” .

Dessa forma, Lino de Macedo nos propõem uma série de atividades que podem ser realizadas com crianças na faixa dos dois aos três anos de idade, ou seja, que fazem parte da etapa denominada pré-operatória, segundo as idéias de Piaget. É sempre importante que os professores da pré-escola conheçam as características próprias dessa etapa do desenvolvimento cognitivo das crianças e, assim, possam realizar um trabalho com maior competência. Entender a lógica do funcionamento mental de cada etapa de desenvolvimento das crianças permite ao profissional da educação evitar possíveis erros e adequar suas ações para que o processo de ensino-aprendizagem se realize de forma mais eficaz.